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Ambulatório de ajuste glicêmico, reforço para diabéticos acompanhados no Cedeba

20/02/2018 11:24

O trabalhador aposentado da construção civil José Raimundo da Silva, 67 anos, veio do município de Alagoinhas para participar da sessão do Ambulatório de Ajuste Glicêmico que o Centro de Diabetes e Endocrinologia do Estado da Bahia (Cedeba), unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), proporciona aos diabéticos que têm dificuldade para manter a glicemia sob controle. José é acompanhado há três anos no Cedeba depois de apresentar complicações cardiológicas, em razão do diabetes.

Como Centro de Referência, o Cedeba cuida dos casos mais complexos de diabetes de pessoas de toda a Bahia, mas com a instalação das policlínicas pela Sesab, no interior do estado, a descentralização do atendimento será uma realidade. As complicações do diabetes são consequência do descontrole glicêmico. Quanto mais mal controlado o diabetes, mais rapidamente a doença avança, aumentando também os riscos de complicações, como explica a psicóloga Marilia Miranda, da equipe do Ambulatório de Ajuste Glicêmico, formada por médicos, psicólogos e enfermeiros e apoiada por nutricionistas.

No Ambulatório de Ajuste Glicêmico, os pacientes recebem orientações sobre uso da insulina, alimentação e acompanhamento dos níveis glicêmicos. Ao ingressar no grupo é feito exame de hemoglobina glicada (marcador que indica a média dos níveis de glicose no período de três meses) e depois é feita nova avaliação dentro de seis meses.

Após cada encontro, os pacientes do grupo do Ambulatório de Ajuste Glicêmico fazem sete medições da glicose durante três dias. Tudo fica registrado no formulário e também no glicosímetro que o Cedeba empresta aos participantes do grupo, além de fornecer fitas reagentes e lancetas. Eles preenchem também o Recordatório Alimentar, onde anotam os alimentos e quantidades ingeridas em cada refeição.

Nas discussões sobre alimentação surgem muitas descobertas. Quando a nutricionista Cristiane Pacheco explicou que a farinha de mandioca tem que ser usada com parcimônia e não todos os dias, Floripes Coutinho da Silva Santos, 65 anos, que acompanhava o esposo Roque de Jesus Santos, 68, diabético há mais de 20 anos, reagiu com surpresa. “Oia, ele (referindo-se ao marido) quer comer farinha todo dia. Agora já sei. Você vai ver”.

Plano alimentar

De acordo com a equipe do ambulatório, há situações que dificultam o ajuste glicêmico: a omissão de doses de insulina e também o não cumprimento do plano alimentar que prevê seis refeições a intervalos de três horas. Geralmente o paciente faz as três refeições principais, mas não dá a devida atenção aos dois lanches e à ceia.

Na discussão sobre alimentação, a nutricionista mostrou a importância da ceia para evitar a hipoglicemia noturna. E se acordar no meio da noite com mal-estar, tonturas, a primeira coisa a fazer é avaliar o nível da glicemia.

A nutricionista enfatizou a importância do plano alimentar, que é construído com a participação do paciente. É individualizado e leva em consideração o modo de vida de cada pessoa. Explicou que a quantidade de carboidratos de um trabalhador da construção civil não pode ser igual a de quem trabalha sentado .

Além de destacar a necessidade do consumo de alimentos saudáveis, pouco processados, Cristiane Pacheco mostrou que os alimentos integrais são mais saudáveis, mas a quantidade de carboidratos é igual, como acontece com o arroz e o pão, por exemplo. Pão integral tem a mesma quantidade de carboidratos que o pão branco, logo é preciso consumir na quantidade definida no plano alimentar.

O Ambulatório de Ajuste Glicêmico, ação da Coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (Codar) trabalha para mudar a atitude do paciente, a fim de que ele se conscientize do seu papel no autocuidado, inclusive do automonitoramento da glicemia capilar.

O trabalho com os pacientes é realizado em grupo, com muitas dinâmicas e troca de experiências. O diabético, com o trabalho do Ambulatório, deve ser capaz de entender o mecanismo básico do diabetes e seu caráter progressivo.. Tem ainda como proposta motivar o paciente para uma maior adesão ao tratamento, levantando questões relacionadas às barreiras sociais e psicológicas.

Nas reuniões, há espaço para discussão e atividades práticas sobre a alimentação e a necessidade de seguir o plano alimentar, para o sucesso no ajuste da glicemia. A prática da atividade física, a outra chave para o sucesso do controle do diabetes, também é estimulada e discutida, levando em consideração a realidade de cada paciente.

Ascom do Cedeba
Cedeba/ajuste

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