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Educação em obesidade: receita do Cedeba para fortalecer o tratamento

22/02/2018 14:29

Em três meses, Maria Conceição Santos Barbosa, 41 anos, eliminou 14 quilos, passando dos 147 quilos (ela mede 1,60 m de altura) para 133, com o tratamento multidisciplinar do Núcleo de Obesidade, do Centro de Diabetes e Endocrinologia do Estado da Bahia (Cedeba), para onde foi encaminhada pela Atenção Básica do município de Aramari (próximo a Alagoinhas), pela gravidade do seu caso. O excesso de peso a deixou fora do mercado de trabalho – ela é cuidadora de idosos – e complicou a saúde com o agravamento da hipertensão e de dores musculares.

Hoje, a cuidadora de idosos participou do ciclo mensal de palestras sobre obesidade, que lotou o auditório do Centro de Atenção Saúde (CAS). Os participantes, em sua maioria, ávidos por informações fizeram muitas perguntas, principalmente quando a nutricionista Luciane Barros enfocou na sua apresentação “A Influência da Cultura na Alimentação”. Antes, a endocrinologista Thaisa Trujilho, mostrou os perigos da obesidade que é fator de risco para diabetes, hipertensão arterial, o acúmulo de gorduras nas artérias (colesterol e triglicérides elevados), doenças articulares e distúrbios psicossocais.

Mudança de hábitos

Thaisa Trujilho mostrou que a obesidade é multifatorial: além da genética, contribuem para a doença o sedentarismo e hábitos alimentares inadequados. Para o controle da obesidade, a prática de exercícios físicos é muito importante, mas precisa ser iniciado de forma gradual, segundo a endocrinologista. Ela destacou que a obesidade é fator de risco para doenças silenciosas, como o diabetes, que muitas vezes só é diagnosticado quando os níveis da glicemia estão bastante elevados.

Para o controle da obesidade, Tahisa Trujilo e Luciane Barros insistem na importância da mudança de hábitos, de estilo de vida. Mesmo as pessoas que se submetem à cirurgia bariátrica (alternativa que exige anterior tentativa com tratamento com plano alimentar e exercícios) – reforçam – se não mudarem o estilo de vida, podem voltar a engordar. Uma paciente presente à palestra citou o exemplo de uma amiga que pesava 130 quilos, fez a cirurgia de redução do estômago e está pesando 150 quilos, porque a compulsão pelo consumo de álcool reforçou o descontrole da alimentação, problema que acontece com pacientes que se submetem à bariátrica.

Alimentação e cultura

Ao mostrar a importância da alimentação saudável, Luciane Barros, explicou que esse caminho passa pela comida simples, preparada em casa, bem mais benéfica à saúde. Ela destacou a importância do hábito da leitura dos rótulos dos alimentos, principalmente a concentração de sódio – não deve ser superior a 7% por porção – contribui para o aumento da hipertensão.

Nos alimentos processados – explicou – são usadas substâncias artificiais para dar cor, textura, sabor e conservação. Com isso, a indústria alimentícia ganha, lucra e a população adoece.

Mas um dos desafios para mudar hábitos alimentares reside na questão cultural. “A alimentação não é apenas um ato para satisfazer a necessidade do organismo, de nutrir.”. O aspecto cultural, segundo Luciane Barros, é muito importante “porque ao longo da nossa vida, criamos hábitos que incorporamos ao nosso cotidiano”, pontuou.

Uma feijoada rica em gorduras, com carnes variadas, por exemplo, faz parte da cultura da população da Bahia, mas quem precisa eliminar peso, terá que preparar o feijão simples, com bastante temperos. E a mudança não é tão fácil.

A alimentação é um código de reconhecimento social, segundo explicou a nutricionista, que dá a sensação de pertencimento a uma cultura. Mas – concluiu – “todo aprendizado é uma aposta. Arrisque, tente”. Pelos depoimentos dos participantes, a mudança de hábitos por força do trabalho de educação cresce entre os pacientes com obesidade. Eles falam sobre os riscos das gorduras trans (nas massas e biscoitos), sobre caldos industrializados, conservantes, e fazem questão de demonstrar que estão aprendendo.

Ascom do Cedeba
Cedeba/obesidade

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