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Diabéticas devem escolher esmaltes de cores claras

05/03/2018 11:24

A decoração da ante-sala do ambulatório do pé diabético, do Centro de Diabetes e Endocrinologia do Estado da Bahia (Cedeba), com grandes rosas em papel, deu hoje o toque especial para o Dia Internacional da Mulher que teve trabalho educativo com diabéticas, focado na prevenção que passa pelo autocuidado. Embora as mulheres tenham mais atenção com os cuidados para viver bem com o diabetes que a população masculina, elas são tentadas ao uso de sapatos altos, a retirar a cutícula das unhas, porque faz parte da cultura feminina.

Foi com o propósito de fortalecer a auto-estima das diabéticas e estimular o autocuidado, a ação desenvolvida hoje, quando a coordenadora de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (Codar), do Cedeba, enfermeira Graça Velanes, explicou, didaticamente, como cuidar dos pés. De uma sacola, ia tirando alicates, tesoura, lixas (tudo que é usado no cuidado com os pés) e justificando como usar cada um.

A diabética – segundo Graça Velanes – não deve retirar a cutícula, os esmaltes devem ser os claros, permitindo identificar qualquer alteração na unha. O material (lixa, acetona, toalha,esmalte) deve ser pessoal, para evitar a contaminação por fungos que causam micoses, frequentes em diabéticos. Com diagnóstico de diabetes há seis meses, Valquíria Pinheiro da Conceição, de 57 anos, tem muito cuidado com os pés, e quando vai ao salão não permite a retirada da cutícula.Ela nem sabia que era diabética quando teve micose.

Graça Velanes explicou que a diabética, se pintar as unhas, deve descansar pelo menos 15 dias, para que a unha se hidrate. O esmalte e a acetona contribuem para o ressecamento das unhas.

Um problema que merece atenção é a perda de sensibilidade nos pés. Muitas vezes – destacou a coordenadora da Codar – a mulher calça um sapato apertado, desconfortável, para ir a uma festa, por exemplo. Se ela tiver redução de sensibilidade, abre uma bolha que evolui para um ferimento sem que sinta dor. Isso acontece principalmente para quem já tem diabetes há mais de dez anos e não mantêm a glicemia sem controle. “Bactéria adora açúcar, daí a dificuldade de cicatrização ser maior para glicemias elevadas”, explicou.

Por isso é muito importante o uso de calçado confortáveis e sem costuras. No caso de quem já sofreu amputação de dedos ou apresente deformidades nos pés, o Cedeba faz o encaminhamento para o Cepred, que fornece calçados especiais.

Além de não retirar cutículas, outro cuidado com os pés: não cortar calos e verrugas. É importante usar hidrante nas pernas e pés, mas nunca entre os dedos. O exame diário dos pés é outra recomendação do folheto “O Pé do Diabético” que fez parte do kit distribuído com as mulheres hoje. Elas também ganharam um pequeno espelho, muito importante para ajudar a examinar os pés. E mais: um cartão de identificação do diabético, com dados pessoais, de grande utilidade para situações de emergência.

Não há estatísticas sobre pé diabético quanto ao gênero, mas em todo o mundo o número de mulheres com diabetes é ligeiramente superior ao de homens. Estudos demográficos mostram que nascem mais mulheres que homens, mas também esse número pode ser maior porque as mulheres cuidam mais da saúde, procurando mais os serviços médicos que os homens.

No Brasil, segundo relatório divulgado em 2016 pela Organização Mundial de Saúde, são mais de 16 milhões de brasileiros adultos com diabetes, sendo a prevalência de 8,1% ligeiramente inferior a média mundial, e é maior nas mulheres (8,8%), se comparado com os homens (7,4%).

Pé diabético

O diabético mal controlado leva a muitas complicações que reduzem a qualidade de vida. E o pé diabético, definido “como a presença de infecção, ulceração e/ou destruição de tecidos profundos associados a anormalidades neurológicas e a vários graus de doença vascular periférica em pessoas com diabetes” (Grupo de Trabalho Internacional sobre Pé Diabético, 2001) é um dos problemas que exige prevenção.

Aproximadamente 40 a 60% de todas as amputações não traumáticas dos membros inferiores são realizadas em pacientes com diabetes; 85% das amputações dos membros inferiores relacionadas ao diabetes são precedidas de uma úlcera no pé. Quatro entre cinco úlceras em diabéticos são precipitadas por trauma externo. A prevalência de uma úlcera nos pés é de 4 a 10% da população diabética. Esses números expressivos reforçam a importância da prevenção que passa pelo autocuidado.

 Ascom Cedeba
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