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Equipe multidisciplinar do Cedeba mostra os caminhos do tratamento da obesidade

08/03/2018 17:48

Nesta quinta-feira (8), no Núcleo de Obesidade do Cedeba, durante a sessão de acolhimento ao grupo de pessoas com obesidade, foram debatidos temas como alimentação saudável, cirurgia bariátrica, mudanças de hábitos e obesidade, com a presença de profissionais da saúde.

“Por que eu estou aqui?” Quando a assistente social do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), Gláucia Loiola, fez essa pergunta no início da apresentação na sessão, foram muitas as repostas: pela saúde, para melhorar a qualidade de vida, viver melhor, aliviar as dores do meu joelho. Em seguida, ela fez nova pergunta -“E quem veio aqui para emagrecer?” Todos levantaram a mão.

Mas para emagrecer não existe mágica, nem milagres, como pontuou a nutricionista Lorenna Fracalossi, ao ressaltar a importância da alimentação saudável, a base de tudo. Para o emagrecimento e para uma vida saudável, já que influência até no humor. Mas é preciso -explicou – ter paciência na caminhada para o emagrecimento. “Não pode ser rápido porque o excesso de peso não se acumula em uma semana”

Lorenna mostrou que a ansiedade das pessoas com obesidade é manifestada pelo desejo da cirurgia bariátrica, solução que precisa ser bem indicada. Por isso, a equipe multidisciplinar do Núcleo de Obesidade do Cedeba prepara os pacientes para a cirurgia e depois, no pós-cirúrgico, porque se não houver mudanças de hábitos, o paciente pode voltar a ganhar peso. “A cirurgia opera o estomago e o intestino, mas não opera a cabeça”, concluiu Lorenna.

Por isso, desde que chegam para o tratamento da obesidade, todos os pacientes – mesmo os que não têm indicação para cirurgia bariátrica – são orientados a mudar o estilo de vida, aprendendo a adotar uma alimentação saudável, a fazer exercícios físicos e a ter outra relação com os alimentos. O almoço e o jantar, segundo Lorenna, exigem um tempo mínimo de 20 minutos, é preciso mastigar bem, 30 vezes por porção. Se essa aprendizagem não for assimilada e a pessoa com obesidade submeter-se à cirurgia bariátrica, terá problemas sérios, de engasgos e vômitos.

A nutricionista disse entender que o tratamento da obesidade não é fácil, mostrando que nos momentos de ansiedade ninguém come salada ou frutas, mas busca o doce que dá prazer ao liberar seretonina. Mas mostrou que o exercício físico também libera a mesma substância e dá prazer.

O sucesso do tratamento da obesidade, como destacaram todas as palestrantes, passa pelo paciente que precisa seguir o plano alimentar (individual) e construído pelas nutricionistas. Lorenna Fracalossi citou o exemplo de dois pacientes, acompanhados pela equipe do Cedeba, que perderam 60 quilos sem cirurgia bariátrica. Assumir o compromisso de fazer exercícios físicos regularmente e não faltar às consultas também é essencial para o sucesso. A nutricionista pontuou que desistir é sempre muito fácil, mas seguir em frente é que difícil.

Muito mais que combater a obesidade

A importância do exercício físico para combater a obesidade foi amplamente explicado na apresentação da fisioterapeuta, Jamile Soledade. Ela também mostrou o funcionamento da Fisioterapia no Núcleo de Obesidade do Cedeba, onde além de atendimento individual, com avaliação postural, de imagem corporal, de equilíbrio, orientações sobre atividade física, calçados adequados, também oferece trabalho em grupo com exercícios para a postura.

Também são ensinados exercícios que podem ser feitos no dia a dia para aliviar as dores provocadas pelo excesso de peso. Mas quando há necessidade de reabilitação, o paciente é encaminhado para uma unidade especializada do SUS.

Os benefícios do exercício físico, como explicou a fisioterapeuta, são numerosos: aumenta a eficiência dos pulmões e do coração, melhora a circulação, garante mais tonicidade e força muscular, aumenta o colesterol bom (HDL) e reduz o colesterol ruim (LDL), ganho de densidade óssea (evitando a perda de massa óssea, que pode levar a osteoporose), favorece o emagrecimento (com a utilização da gordura e carboidratos como fonte de energia), melhora o equilíbrio e a postura, mantém o gasto energético, reduz a glicemia até 48 horas depois, melhora a autoestima e as relações sociais e dá a sensação de relaxamento e bem estar.

E para estimular as pessoas com obesidade que acompanha o Cedeba, como explicou Glaucia Loiola, o centro mantém parceria com a Sudesb para a prática de hidroginástica, natação, dança de salão e ginástica aeróbica.

A sessão de acolhimento mostrou também a importância do acompanhamento psicológico que o Cedeba oferece no tratamento da obesidade com a apresentação da psicóloga Viviane Oliveira. Uma apresentação bem didática com a imagem de um iceberg, no qual “precisamos mergulhar para encontrar o que causou a obesidade. Isso a partir do autoconhecimento, das distorções ,das fantasias. “De onde vem minha obesidade? Quando mais fundo mergulharmos, relacionado o problema à história de vida, às crenças e situações arraigadas desde a infância, mais teremos condições de compreender o problema”, analisou a psicóloga.

A sessão de acolhimento terminou com a endocrinologista Thaisa Trujilho que lembrou ser a obesidade uma doença multifatorial e fator de risco para doenças crônicas graves como diabetes, hipertensão, por exemplo, e que exige atendimento multidisciplinar.

 Ascom Cedeba

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