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Dia Nacional de Enfrentamento ao HTLV acontece nesta sexta-feira (23)

21/03/2018 15:34

O dia 23 de março marca o Dia Nacional de Enfrentamento ao HTLV, data de intensificação da lua contra o vírus e em defesa da vida. Neste dia, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) homenageia a todos que se mobilizam pela causa: gestores, profissionais de saúde e, em especial as pessoas que convivem com o vírus.

A Bahia conta atualmente com aproximadamente 50 Serviços de Atenção Especializada (SAE) e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). Nesses serviços é possível realizar testes e exames laboratoriais e ter acompanhamento de profissionais como psicólogos, médicos e enfermeiros, capacitados para lidar com as necessidades dos usuários do SUS. Mas a atenção básica, através das equipes de saúde da família, é a principal aliada na detecção de doenças e acompanhamento das pessoas com problemas de saúde.

Uma vez que se tem uma suspeita, os profissionais dos “postos de saúde” são os primeiros a serem consultados, e a partir daí orientarão cada indivíduo conforme sua necessidade. Os SAE/CTA servirão de retaguarda para o atendimento especializado, as UPA’s e outras emergências atenderão as complicações mais agudas, enquanto os hospitais darão conta dos casos mais graves e complexos.

Grupo de Trabalho

A Sesab mantém um grupo de trabalho que tem por objetivo organizar o cuidado às pessoas com HTLV. O GT-HTLV – como é chamado o grupo – é conduzido pela Diretoria de Atenção Especializada (DAE) e se reúne sistematicamente, congregando representantes de diversas diretorias da Sesab, do município de Salvador e da Associação HTLVida.

O GT tem desempenhado um papel importante na articulação em prol da garantia do cuidado às pessoas com HTLV, com produtos como a definição de serviços de referência, estímulo à notificação dos casos confirmados, elaboração de material educativo, apoio a eventos, fortalecimento do diálogo com os gestores, capacitação profissional, entre outros. Para a diretora da DAE, Alcina Boullosa, “o GT-HTLV tem um papel-chave no enfrentamento do vírus na Bahia, ao mobilizar uma diversidade de atores entorno de uma pauta tão desafiadora”.

Adijeane Oliveira, da Associação HTLVida, ressalta que “antes desse grupo não havia sequer um diálogo pra o HTLV, hoje já avançamos na implantação da Linha do Cuidado ao cidadão com HTLV, inclusive na instalação de um novo serviço de referência. Sabemos que hoje o HTLV ainda não tem cura, mas temos que pensar numa melhor qualidade de vida para esses cidadãos”.

O Vírus HTLV

O HTLV é um vírus da mesma família do HIV e infecta células humanas importantes para a defesa do organismo. Apesar de ser conhecido desde 1980, hoje em dia o vírus continua representando um grande desafio para a ciência. No entanto, muitas pessoas ainda o desconhecem.

A infecção pelo HTLV pode acontecer de diversas formas, mas sempre relacionada com o contato com sangue ou outros fluidos corporais de uma pessoa infectada. Dentre as principais formas de transmissão do vírus estão a chamada ‘transmissão vertical’, que acontece quando a mãe infectada transmite o vírus para o bebê, seja na hora do parto ou no aleitamento, a relação sexual desprotegida, o que faz do HTLV uma infecção sexualmente transmissível, e o uso compartilhado de seringas, agulhas, alicates de unha ou outros utensílios.

Existem dois tipos principais do vírus HTLV: o tipo 1 e o tipo 2. O do tipo 1 pode causar uma doença neurológica crônica e grave chamada paraparesia espástica tropical, que pode comprometer o movimento das pernas e o controle da bexiga. Assim, as pessoas com esse problema precisam de acompanhamento especial com urologistas, neurologistas, além de fisioterapeutas. Outras doenças que podem acometer as pessoas com HTLV-1 é a leucemia e o linfoma de células T. Já o vírus HTLV do tipo 2 ainda não tem associação comprovada com doenças específicas. Dessa forma, a realização de exames para identificação do tipo do vírus é essencial para um tratamento adequado.

Além disso, alguns sinais podem indicar a presença do HTLV: lesões da pele (vermelhidão excessiva, placas avermelhada, descamação, coceira,); aumento dos gânglios do pescoço, das axilas, das virilhas (ínguas); inchaço na barriga (por acúmulo de líquidos, aumento do baço e do fígado); anemia, febre persistente e pneumonias de repetição; fraqueza e/ou rigidez dos músculos das pernas.

A prevenção passa por uma série de medidas já muito conhecidas e que servem para proteger de inúmeras outras doenças, como hepatites, HIV, sífilis, etc. Por exemplo, o uso de preservativos nas relações sexuais com parcerias não estáveis tem um potencial muito grande de evitar o contato com o vírus. Já no caso da transmissão da mãe para o bebê, é fundamental que o pré-natal esteja em dias e que o teste para detectar o HTLV seja realizado. Além disso, ter seus próprios utensílios de unha e usar somente seringas descartáveis são fundamentais. Então, sempre que uma pessoa se expor a alguma dessas situações de risco é importante que procure um serviço de saúde.

Como o organismo humano não tem capacidade de eliminar o vírus naturalmente, nem há medicamento ou outra tecnologia capaz de destruir o HTLV, esta segue sendo uma infecção sem cura. No entanto há uma série de tratamentos que contribuem para que as pessoas infectadas pelo vírus tenham uma melhor qualidade e maior tempo de vida.

 Fonte: DAE
/HTLV/Dia de enfrentamento

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