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El Salvador aposta na educação para a redução das doenças crônicas não – transmissíveis

23/03/2018 15:04

A desnutrição e as doenças infecciosas representam um desafio nos países subdesenvolvidos, mas à medida em que o crescimento avança, aumentam as doenças crônicas não – transmissíveis (diabetes, obesidade e hipertensão, principalmente), cujo tratamento e controle custam muito para os governos. Essa transição epidemiológica já é realidade em El Salvador, o menor país da América Central e o mais densamente povoado, – possui 6,4 milhões de habitantes, dos quais 1,3 milhão na capital San Salvador .

Ao fazer essa análise, a coordenadora da Unidade de Promoção, Prevenção e Vigilância das Doenças Não – Transmissíveis do Ministério da Saúde de El Salvador (MINSA), a pedagoga Estela Alvarenga Alas, coordenadora do grupo de médicos que, durante quatro dias conheceu a experiência do Centro de Diabetes e Endocrinologia do Estado da Bahia (Cedeba), destacou a importância da educação para a prevenção das doenças crônicas.

Obesidade na infância

Como a obesidade é fator de risco para diabetes tipo 2 e hipertensão, Estela Alvarenga disse que “estamos trabalhando muito na prevenção, a partir das escolas porque os dados são assustadores. Estudo realizado em El Salvador com estudantes na faixa etária entre sete e nove anos apontou um percentual de obesidade e sobrepeso da ordem de 3 1%.

E, na tentativa de reverter essa tendência, os Ministérios da Saúde e da Educação se uniram para regular as cantinas escolares, onde só podem ser comercializados lanches saudáveis. Refrigerantes e alimentos industrializados (os salgadinhos) estão proibidos. A proibição também se estende às unidades de saúde. “Como um estabelecimento que cuida da saúde pode dar o mau exemplo, permitindo que as pessoas consumam alimentos não-saudáveis?” perguntou.

Também há uma integração forte, por meio de convênio entre o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional dos Esportes na capacitação e formação de profissionais para ampliar a oferta de programas de atividade física, principalmente para os pacientes com diabetes, que precisam de apoio e orientação.

Autocuidado

Mas “estamos longe de alcançar a excelência do Cedeba”. Contudo – analisou – “ficamos felizes em constatar algumas coincidências, como a questão do foco no autocuidado, no uso de materiais educativos. Estamos levando um kit com o material utilizado com os diabéticos e vamos adaptar para a nossa realidade. A experiência do Programa Doce Conviver é fantástica”.

Segundo a coordenadora da delegação de El Salvador a visita ao Cedeba foi altamente produtiva, tendo destacado o encontro com o secretário da Saúde, Fabio Vila – Boas que “nos passou uma visão de conjunto da saúde na Bahia”.

O trabalho da equipe multidisciplinar do Cedeba causou excelente impressão à pedagoga, bem como aos demais integrantes da delegação, por permitir que o paciente com diabetes e obesidade conte com vários olhares, mas a equipe discutindo conjuntamente a situação de cada paciente, os resultados são mais efetivos.

Um grande avanço no Brasil, na análise de Estela Alvarenga Alas é a legislação que garante os direitos dos diabéticos. “Nós, em El Salvador não temos essa legislação. Assim, conquistas de um governo para os diabéticos podem não ser mantidas no governo seguinte.

Visitas

A visita da delegação ao Cedeba, referência na assistência a diabetes, obesidade e endocrinopatias, um dos centros de excelência no Brasil, credenciado pela World Diabetes Foundation (WDF), e que teve o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) terminou ontem à tarde. Hoje o grupo está conhecendo a experiência do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hospital das Clínicas)

A vinda da delegação faz parte da Cooperação Brasil – El Salvador. Projeto “Fortalecimento das Capacidades de Equipe Multidisciplinar de Saúde para Abordagem Integral de Doenças Não – Transmissíveis Priorizadas.

 Ascom Cedeba
/Cedeba/Visita El Salvador 7

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