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Ciclo de palestras do Cedeba bateu recorde de participantes com o tema cirurgia bariátrica

17/05/2018 14:15

O auditório do Centro de Atenção à Saúde (CAS) ficou pequeno para a quantidade de participantes no Ciclo de Palestras, do Núcleo de Obesidade do Centro de Diabetes e Endocrinologia do Estado da Bahia (Cedeba), que apresentou hoje o tema Cirurgia Bariátrica. Os diversos aspectos que envolvem o procedimento, foram analisados pela equipe multidisciplinar (endocrinologista, nutricionista, fisioterapeuta, psicóloga e assistente social).

A participação foi considerada muito positiva pela equipe porque os pacientes interagiram em todas as apresentações. E mesmo com excesso de peso, eles fizeram exercícios de relaxamento e alongamento sob a orientação da fisioterapeuta Lorena Arruda. Ela mostrou a importância do exercício físico na redução de peso, seja por tratamento clínico ou por cirurgia de redução de estômago (bariátrica).

É preciso – orientou a fisioterapeuta – fazer exercício físico antes e depois da cirurgia porque quando há perda de peso, principalmente de forma abrupta, como na pós-bariátrica, além de gordura, há redução considerável de massa muscular. Há necessidade, portanto, de recuperar a massa muscular para proteger os ossos que ficam mais fracos.

Contra-indicações

Os participantes também conheceram, nas apresentações de hoje, os riscos da cirurgia bariátrica, as complicações pós-cirúrgicas, a necessidade da mudança de comportamento que evitam o reganho de peso. A endocrinologista Thaisa Trujilho mostrou que a cirurgia de redução do estômago é contra indicada para pessoas que sofrem de alcoolismo, para os dependentes de drogas ilícitas, problemas psicológicos graves porque com a cirurgia, em muitos casos, a compulsão por alimentos muda de foco, agravando o alcoolismo, ou direcionando o paciente para compulsão por compras, por exemplo.

Com a cirurgia, explicou a endocrinologista, o paciente terá que fazer obrigatoriamente a reposição de vitaminas e minerais. No caso do ferro, não basta o uso de polivitamínicos, mas a reposição específica do mineral. O problema é mais grave nas mulheres que ainda menstruam, em que o percentual de anemia pós-bariátrica chega a 95%. Mas com o uso de ferro e alimentação adequada, o problema pode ser corrigido, segundo a palestrante.

Também segundo orientou Thaisa Trujilho, a obesidade dificulta a gravidez, mas no pós-bariátrica o prazo ideal para engravidar é de um ano e meio a dois anos porque o organismo deixa de absorver muitos nutrientes, sendo necessário um tempo para o corpo de adaptar à nova realidade.

Reaprendizagem

Quem faz bariátrica também precisa reaprender a se alimentar, ação que o Núcleo de Obesidade foca por meio do atendimento com nutricionistas, desde que o paciente chega ao Cedeba (ação que é feita com os casos de obesidade em geral).

No caso dos pacientes com bariátrica, explicou a nutricionista Lorenna Fracalossi, é imprescindível, porque com o estômago reduzido, é necessário comer em pequenas quantidades, em intervalos menores, mastigando bem os alimentos.

Os primeiros 60 dias pós-cirurgia – pontuou a nutricionista – o paciente evolui de dieta líquida, para pastosa até chegar à alimentação normal, mas em quantidade menor. De uma dieta variando entre 1,5 mil a 1,8 mil calorias, com a cirurgia cai para 300 calorias, inicialmente.

O sucesso da cirurgia, segundo a nutricionista, passa pela mudança de estilo de vida: seguir o plano alimentar, fazer a reposição de vitaminas e minerais, exercícios físicos e continuar sendo acompanhado pela equipe multidisciplinar – no Cedeba esse acompanhamento é feito durante cinco anos.

Há casos de pacientes que se entusiasmam com a perda de peso e deixam de fazer o acompanhamento. Esses são os mais vulneráveis ao reganho de peso. Lorena Fracalossi enfatizou que o compromisso do paciente é fundamental para o sucesso.

Ascom do Cedeba
Cedeba/cicloobesidade