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Servidores cantam o que aprenderam nas oficinas sobre “Nome Social: Uma Questão de Equidade em Saúde”

22/05/2018 14:11

“Passarinho de toda cor/Gente De toda cor/Amarelo, rosa e azul/Me aceita como eu sou/Eu sou amarelo claro/Sou meio errado/Pra lidar com amor/No mundo tem tantas cores/São tantos sabores/Me aceita como eu sou”. Foi com a música “Toda Cor”, de Renato Luciano, ontem pela manhã, o encerramento da segunda oficina “Nome Social: uma Questão de Equidade em Saúde”, realização do Centro Estadual de Prevenção e Reabilitação da Pessoa com Deficiência (Cepred), por meio da Coordenação de Desenvolvimento de Pessoas (CODEP), em parceria com o Centro de Diabetes e Endocrinologia do Estado da Bahia (Cedeba).

Além da exposição especialista em gênero e sexualidade, doutor em Saúde Pública e coordenador do Ambulatório para Travestis e Transexuais no CEDAP, unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), Ailton da Silva Santos, houve exibição de vídeos e jogo para avaliar o conteúdo apresentado durante o seminário e as duas oficinas. Apesar da complexidade do tema, a turma absorveu os ensinamentos muito bem, segundo avaliou o palestrante.

É preciso avançar

Apesar dos avanços na questão transgeneridade e saúde, principalmente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda é preciso avançar, segundo avaliou Ailton da Silva Santos. A inclusão do nome social (como a pessoa quer ser chamada, de acordo com o gênero que se identifica), o novo registro de nascimento que permite ao transexual a mudança de nome que recebeu ao ser registrado,bem como o gênero são conquistas importantes. Mas, ainda que seja usado o nome social, o atestado de óbito leva em consideração os dados do registro de nascimento, realidade que não garante a obtenção de estatísticas sobre causa mortis dos transexuais e travestis,por exemplo.

Ao fazer essa análise, o palestrante mostrou que ainda são muitos os desafios como, o acesso ao processo de transexualização sem laudo psicológico; ampliação de atendimento especializado, sistematização de ações no nível primário, a partir das necessidades de saúde da população transexual, inserção de temas como gênero e trasgeneridade, sexualidade e diversidade sexual nos cursos das áreas de saúde, assistência social e Direito.. E mais: ofertas de cursos de curta duração para profissionais de saúde a respeito das necessidades específicas da população trans (como Ginecologia para homens trans, Dermatologia).

Transgeneridade, saúde e raça

A questão da transgeneridade em saúde faz um intercruzamento com outros marcadores sociais, como explicou Ailton. Se a pessoa é trans, sofre discriminação, se além disso, for negra e pobre, sofrerá três vezes mais. Um transexual, ainda que seja negro, mas se for de classe social elevada, terá acesso à cirurgia de transexualização, poderá usar os hormônios que precisa com muito mais tranquilidade.

As pessoas precisam entender, segundo destacou Ailton da Silva Santos, que a transexualidade é uma questão de identidade. Não é uma doença e não tem nada a ver com a opção sexual. É fácil entender. Quem se idêntica com o sexo biológico que nasceu é cisgênero, e quem se identifica com o oposto é transgênero. O císgenero pode ser homossexual, enquanto o transexual pode não ser.

Humanização

As oficinas sobre “Nome Social”, iniciadas com um seminário de sensibilização, se inserem na Política de Humanização das Unidades no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS ). A transgeneridade em saúde, segundo analisou Ailton Silva Santos, vai muito além da inclusão do Nome social definida pelo decreto estadual nº 17.253, de 23 de março de 2017(da cumprimento ao inciso V do art. 105 da Constituição Estadual, e ao disposto no inciso I do art. 1º, nos incisos I e IV do art. 3º e o caput do art. 5º, todos da Constituição Federal)como o reconhecimento da identidade de gênero de pessoas travestis e transexuais no âmbito da Administração Pública Estadual direta, autárquica e fundacional.

 Ascom do Cedeba
Cedeba/Nomesocialoficina

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