Notícias /

Diretora do Cedeba mostra importância do controle da glicemia para evitar complicações do diabetes

24/05/2018 16:07

Manter o diabetes sob controle – o caminho é a mudança de estilo de vida por meio da alimentação, atividade física e uso de medicação – é muito importante para evitar as complicações da doença, como orientou hoje (24), a diretora do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), a endocrinologista Reine Chaves Fonseca, ao abordar a ” Importância do Controle Glicêmico”, dentro da programação do lançamento da Campanha da ADJ Diabetes Brasil: “Fique de Olho na Retinopatia Diabética”, em parceria com o Cedeba.

Com muito didática, a diretora do Cedeba explicou o que é diabetes , as características do Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) e tipo 2 (DM2), tendo mostrado a importância do trabalho de educação para o sucesso do tratamento, daí sua alegria com a presença da ADJ Diabetes Brasil no Cedeba. E o crescimento da doença reforça a importância da educação. Dos 13 milhões de diabéticos no Brasil, apenas sete milhões são diagnosticados. E entre os diagnosticados, o grande problema é a falta de controle glicêmico que é de 89,6% no DM1 e 73,22% no DM2.

DOENÇA SILENCIOSA

Enquanto o diabetes tipo 1 se manifesta de forma abrupta – a criança ou adolescente apresenta um quadro agudo que geralmente exige internação – no tipo DM, a pessoa pode levar longo tempo sem sinais muito claros. A doença é silenciosa, não dói. Às vezes – explicou a especialista – a pessoa tem o diagnóstico de diabetes quando sente a visão turva e vai ao oftalmologista. No caso das mulheres, na ida ao ginecologista por causa de coceiras na vagina. Mas em muitos casos o diagnóstico é feito na UTI quando a pessoa já com diabetes ( e não sabe) sofre Acidente Vascular Cerebral ou enfarte.

Como conseqüência do aumento da expectativa de vida, maior a chance de mais casos de DM2. Além do diagnóstico precoce, a endocrinologista disse que o controle glicêmico é muito importante, cuja avaliação mais segura é o exame de hemoglobina glicada, que dá média de glicemia dos últimos três meses.

Retinopatia diabética

Entre as complicações do diabetes, favorecidas pelo descontrole glicêmico, está a retinopatia diabética – tema da campanha da ADJ Diabetes Brasil e Cedeba- que teve apresentação também bem didática da oftalmologista e retinóloga do Cedeba, Tessa Mattos. Como o diabetes, a retinopatia também é silenciosa. O paciente pode não ter queixa de perda de acuidade visual e já apresentar algum grau de retinopatia, como explicou a especialista.

Segundo Tessa Mattos, a retinopatia diabética (RD) é a mais temida das complicações do diabetes por ser uma ameaça de perda total da visão. E -acrescentou – depois de 15 anos, no DM1, 100% dos pacientes têm algum nível de retinopatia e quase 60% dos que têm DM2. Por isso, explicou que é muito importante o exame anual do fundo do olho para avaliar a presença de RD.

A campanha educativa, visa à prevenção da retinopatia diabética e tem como ponto alto o controle glicêmico.Quem participou hoje da campanha fez glicemia capilar. Marlon Cerqueira de Souza, 38 anos, que tem DM1 há dez anos, ao constatar o resultado do exame pós-prandial (é feito duas horas após as principais refeições) – 268 – ficou muito preocupado. Ele garante que segue todas as orientações da equipe de saúde, pratica exercícios físicos, e usa a insulina nas horas certas, conforme aprendeu no Cedeba.

Importância da prevenção

Quem primeiro conversou nesta manhã com os diabéticos que estiveram no Centro de Atenção à Saúde (mesmo com a irregularidade do transporte coletivo como reflexo da greve de ônibus ontem, a freqüência foi boa) foi a conselheira da ADJ Diabetes Brasil, jornalista Vanessa Pirolo, diabética tipo 1, que leva vida normal.

Representante de 33 associações de diabéticos no Brasil, Vanessa passou muito otimismo, mas mostrou com clareza que a responsabilidade do paciente é fundamental para viver bem com o diabetes. Isso passa – observou – por seguir o tratamento. Por favor – conclamou os diabéticos – não abandonem o tratamento acreditando que ficarão livres da doença com água de quiabo e farinha de maracujá. É preciso ter consciência que ainda não existe cura para o diabetes.

“Quem tem diabetes pode ter vida social, sim.Quem sabe se cuidar pode ir a festas, se divertir, desde que controle a glicemia. O empoderamento do diabético, por meio da informação é muito importante para que ele busque a saída do auto cuidado,” acrescentou a jornalista.

A assistente social e advogada Julia Coutinho, da Coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede, do Cedeba, resumiu ,dirigindo-se aos diabéticos: “o poder está nas mãos de vocês”.

“Fique de olho na retinopatia diabética”

No mundo inteiro, como destacou a representante da ADJ Diabetes Brasil, a perda de visão por causa do diabetes tem aumentado assustadoramente. Entre 1990 e 2010 a quantidade de pessoas com perda de visão parcial ou total devido à doença subiu de 27% para 64%..Em 2010, uma em cada 52 pessoas teve perda de visão e uma em cada 39 pessoas ficou cega por causa da retinopatia diabética – da doença que danifica a retina.

A retinopatia diabética pode ser de dois tipos: a não proliferativa, forma inicial da doença que é detectada quando os vasos do fundo do olho estão danificados, causando hemorragia e vazamento de líquido da retina, chamado de Edema Macular Diabético; e a proliferativa, diagnosticada quando os vasos da retina ou do nervo óptico não conseguem trazer nutrientes para o fundo do olho e por consequência, há formação de vasos anormais, que causam o sangramento.

Além de sensibilizar as pessoas sobre os riscos da retinopatia diabética, a campanha também tem como objetivos específicos: educar as pessoas para que mudem seus hábitos e consigam controlar as taxas de glicemia, incentivar a visita ao oftalmologista regularmente, para realizar os exames preventivos de visão.

Essa realidade levou a ADJ Diabetes Brasil a fazer a Campanha de Prevenção com as Associações de Diabetes,iniciada ano passado. No caso da Bahia, a ação acontece com o Cedeba (entidade pública) pelo forte trabalho que o Centro de Referência desenvolve com foco na educação .

Depois de Salvador, a campanha da ADJ Diabetes Brasil, segue para Aracaju. Vai também a Curitiba, São Paulo e Vitória. Mais informações podem ser acessadas no www.adj.org.br

 Ascom Cedeba
/Cedeba/campanha

Notícias relacionadas