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Cuidados da atenção básica podem reduzir as amputações causadas pelo diabetes

29/05/2018 16:00

A avaliação da sensibilidade do pé do diabético pode ser feita por profissionais da equipe multidisciplinar na Atenção Básica. Esse cuidado é muito importante na identificação da neuropatia diabética, que responde por 90% dos casos de amputação de membros inferiores no diabetes – 10% por arteropatias. No teste, considerado simples, o profissional vai tocando a região plantar com o monofilamento (contém um fio de nylon na extremidade) para avaliar o nível de perda da sensibilidade.

Essas observações são da cirurgiã vascular do Centro de Diabetes e Endocrinologia do Estado da Bahia (Cedeba), Monique Magnavita, que na próxima terça-feira, 5 de junho, das 9 às 12 horas, no auditório do Centro de Atenção à Saúde(CAS) abordará o tema “Manejo Clínico das Lesões Pré-Ulcerativas”, na sessão de mensal de atualização em Diabetes. Trata-se de iniciativa do Cedeba, por meio da Coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (Codar). Desta vez, a sessão abordará o “Pé Diabético”. “O uso de coberturas no Tratamento das Lesões” será mostrado pela enfermeira Vanessa Azevedo.

A sessão começará com a apresentação da coordenadora da Codar, enfermeira Graça Velanes, sobre “Incidência de Amputações por Diabetes na Bahia”. Ela apresentará estudo feito pelo Cedeba/Codar, em parceria com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia/Sesab/DIS (Diretoria de Informação em Saúde), que mostra o aumento significativo do número de amputações de pé e tarso, e de membros inferiores, no período de 2008/2016. Contudo, o percentual de internações por diabetes apresentou redução de 4,4% no Estado da Bahia e em seis (67%) dos nove Núcleos Regionais de Saúde (NRS).

O estudo apontou um total de 3455 pessoas com Diabetes Mellitis (DM) amputadas e 9.466 internadas por amputação por diabetes. Em 2008, o percentual de amputações entre os usuários internados por diabetes foi de 1,2%, enquanto que em 2016 foi de 5,5%, sendo esse crescimento mais acentuado nos NRS Norte e Centro-Norte (0,7% versus 9,5% e 0,4% versus 2,9 respectivamente). A frequência relativa de amputações aumentou nas faixas etárias de 50-59 anos (18,4%), seguida de 30-49 anos (17,6%). Ainda, observa-se que, em 2016, as amputações foram concentradas na faixa etária acima de 60 anos (63,3%), seguida por 50-59 anos (23,9%) com predominância no sexo masculino (62,7%).

QUEDA DA QUALIDADE DE VIDA

As amputações decorrentes de complicações neuropáticas, isquêmicas e infecciosas, relacionadas ao pé diabético constituem, como destaca Graça Velanes, um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, levando a elevadas taxas de internação hospitalar. Além do impacto social na vida do usuário e da alta mortalidade associada, as amputações estão relacionadas a altos custos diretos e indiretos para o sistema de saúde.

Segundo Monique Magnavita o cuidado com os pés é muito importante na prevenção do pé diabético, já que 85% das amputações são precedidas por úlceras. Logo o diagnóstico e o tratamento precoce são o caminho para mudar a realidade. No caso da neuropatia diabética, que causa a redução e perda da sensibilidade, o diabético não sente um calo, ferimento e a úlcera pode evoluir, explicou a cirurgiã vascular. A neuropatia diabética – observa – é uma degeneração nervosa, em função de taxas elevadas de açúcar no sangue. Além da diminuição da sensibilidade, provoca deformidades nos pés e o ressecamento da pele.

Ao ter os pés examinados, Gilcélia Maria da Conceição, 52 anos, com diabetes há mais de 18, disse que um pedaço de arame entrou no pé e ela nada sentiu. Só depois de muitos dias percebeu que estava com edema na perna. E o teste confirmou acentuada perda de sensibilidade plantar.

Segundo Monique Magnavita, o diabético precisa também ter autocuidado com os pés: não andar descalço, usar sapatos adequados e ficar atento aos calos, micoses, fisssura e ressecamentos, pois precisam de tratamento.

Ascom do Cedeba
Cedeba/sessão29

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