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Prevenção do pé diabético pode reduzir amputações em até 85 %

06/06/2018 14:08

A identificação dos diabéticos com risco para o desenvolvimento de úlceras, que podem levar à amputação, além do tratamento das lesões que antecedem as úlceras são muito importantes, como destacou a cirurgiã vascular do Centro de Diabetes e Endocrinologia do Estado da Bahia (Cedeba), Monique Magnavita na sessão mensal de atualização em diabetes, voltada para os profissionais da Atenção Básica .

Na sessão, realização do Cedeba, por meio da Coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (Codar), Monique Magnavita observou que embora as estatísticas sobre as amputações de membros inferiores em diabéticos sejam preocupantes, “um bom programa de prevenção é capaz de reduzir as amputações em até 85%.As ações preventivas – pontuou – devem ser difundidas entre a população no nível assistencial mais próximo, que é a Atenção Básica.

Grande participação

O tema pé diabético despertou grande interesse, tornando o auditório do Centro de Atenção à Saúde (CAS) pequeno para o número de participantes, de Salvador e do interior da Bahia. A sessão começou com a apresentação da coordenadora da Codar, Graça Velanes que trouxe um estudo sobre “Incidência de Amputações na Bahia”.

Realizado pelo Cedeba/Codar, em parceria com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia/Sesab/DIS (Diretoria de Informação em Saúde), o estudo mostra o aumento significativo do número de amputações de pé e tarso, e de membros inferiores, no período de 2008/2016. Contudo, o percentual de internações por diabetes apresentou redução de 4,4% no Estado da Bahia e em seis (67%) dos nove Núcleos Regionais de Saúde (NRS).

As amputações decorrentes de complicações neuropáticas, isquêmicas e infecciosas, relacionadas ao pé diabético constituem, como destacou Graça Velanes, um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, levando a elevadas taxas de internação hospitalar. Além do impacto social na vida do usuário e da alta mortalidade associada, as amputações estão relacionadas a altos custos diretos e indiretos para o sistema de saúde.

Auto-cuidado

Segundo Monique Magnavita, 90% dos casos de amputação em membros inferiores no diabetes são causadas por neuropatias e 10% por arteropatias. Daí – destacou – ser muito importante avaliar o pé do diabético. O teste de sensibilidade do pé pode ser feito por profissionais da equipe multidisciplinar da Atenção Básica. No teste, considerado simples, o profissional vai tocando a região plantar com o monofilamento (contém um fio de nylon na extremidade) para avaliar o nível de perda da sensibilidade.

Ao abordar o tema “Manejo Clínico das Lesões Pré-Ulcerativas”, a cirurgiã vascular também enfocou a importância do auto-cuidado, que permite ao diabético examinar os pés para verificar a presença de calosidades, micoses, alterações na estrutura do pé. Ela também explicou a importância do uso de calçados adequados: macios, sem costura, que não comprimam o pé. Ainda mostrou os sapatos especiais dispensados pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, por meio do Cepred, quando já há deformidades e ulcerações.

A sessão foi encerrada com a apresentação da enfermeira Vanessa Azevedo sobre “O uso de coberturas no Tratamento das Lesões”. O tratamento das lesões é muito importante uma vez que 85% das amputações, segundo destacou Monique Magnavita, são precedidas por úlceras. Estima-se na Bahia que na população de 203 mil diabéticos, a presença de 12 mil úlceras ativas.

Por isso – reforçou – a especialista é preciso muita atenção para o pé do paciente com diabetes. A falta de cuidados – onde se inclui o descontrole da glicemia – pode levar à amputação, que incapacita e reduz a qualidade de vida.

Ascom do Cedeba
Cedeba/pés

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