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Após 19 meses de nascido, bebê vai para casa graças ao Programa Desospitaliza

07/06/2018 09:18

“A desospitalização do nosso filho representa liberdade”, desabafa Ilma Pereira Prado, que durante um ano e sete meses acompanhou J.H.D.P. no Hospital Regional de Guanambi (HRG). O garoto ficou internado em um leito de UTI neonatal desde o nascimento, e ontem voltou para casa, graças ao programa “Desospitaliza”, iniciativa da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), que tem como objetivo disponibilizar internação domiciliar 24 horas para pessoas que precisem de atendimento hospitalar.

Ela conta que, embora o acolhimento no hospital tenha sido o melhor possível, “agora eu tenho ele do meu lado, eu tenho a liberdade de abraçá-lo a hora que quiser, pois lá eles me permitiam isso, mas eu tinha que voltar para casa”. E o pai, João Paulo Prado, acrescenta que agora pode ficar com ele mais tempo, “pois como eu tinha que trabalhar, só o visitava à noite, graças a uma exceção do hospital para que eu também pudesse ter contato com meu filho”.

A notícia de que J.H. iria para casa foi comemorada com muita emoção e alegria por todos os funcionários do hospital, que acompanharam o desenvolvimento do menino desde o seu nascimento, bem como da equipe de profissionais do hospital, que se despediram chorosos da família, depois de todo esse tempo de convivência. Com a desospitalização, o menino retorna ao convívio familiar, além de possibilitar a desocupação de um leito na UTI da unidade hospitalar.

A gerente operacional da Cuidare Vita, Patrícia Cruz Lapa, responsável pelo acompanhamento do menor no domicílio, explica que a empresa disponibiliza para a família assistência de maior complexidade durante 24 horas, incluindo acompanhamento de um técnico de enfermagem – além da cuidadora, que nesse caso será a mãe – e mais assistência médica e de enfermagem, fisioterapeuta, nutricionista, fonoaudiólogo e UTI móvel de sobreaviso para transferência em qualquer eventualidade.

O quarto de J.H., que será ocupado pela primeira vez desde que ele nasceu, sofreu pequenas intervenções, como a ampliação do número de tomadas para colocação dos equipamentos necessários, a exemplo da ventilação mecânica. Para esta ventilação mecânica, no caso dele, o respirador que será utilizado em casa foi usado durante alguns dias no hospital, uma vez que é diferente do disponibilizado durante a internação hospitalar.

A médica neonatologista Vera Lúcia Morais do Carmo, uma das profissionais responsáveis pelo acompanhamento de J.H. durante o período de internação no Hospital de Guanambi, explica que o bebê nasceu prematuro, em outubro de 2016, e teve sequelas neurológicas decorrentes do parto, sofrendo de paralisia cerebral.

Primeiro e único filho do casal, J.H. teve o acompanhamento constante da mãe, que deixou de trabalhar para se dedicar exclusivamente ao menino. A médica neonatologista conta que a alta hospitalar era um desejo muito grande dos pais, que se mostraram muito emocionados durante a desospitalização, na manhã de hoje.

“Desospitaliza”

O programa “Desospitaliza” possibilita que os pacientes contemplados sejam assistidos em casa, por equipes multidisciplinares, formadas por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, assistentes sociais, fonoaudiólogos, nutricionistas, odontólogos, psicólogos, farmacêuticos e terapeutas ocupacionais. Eles terão garantido um conjunto de ações de prevenção e tratamento de doenças, reabilitação, paliação (cuidados paliativos) e promoção à saúde, garantindo continuidade da assistência.

A assistência domiciliar traz uma melhor qualidade no amparo a determinados perfis de pacientes, que podem ser retirados do ambiente hospitalar e ter o atendimento ofertado em casa. A estratégia ainda beneficia toda a rede de saúde, já que os hospitais onde esses pacientes estariam internados, passam a ter seus leitos disponibilizados para outros de uma complexidade maior.

Dez empresas foram credenciadas para atender os 300 primeiros pacientes do programa, que a princípio atendeu pacientes que já estavam em tratamento e atualmente avalia novos pacientes para serem contemplados.

Ascom/Sesab
Guanambi/desospitaliza

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