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Toda Doação é Positiva – Assim começa o novo ano de campanhas da Fundação Hemoba

02/01/2019 17:47

O sangue não pode ser fabricado e nem substituído. As doações de sangue regulares são indispensáveis para que centenas de atendimentos de urgência, emergência e eletivos sejam realizados. É diante desta necessidade que a Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba) inicia o ano de 2019, fazendo um alerta sobre a sustentação dos estoques de hemocomponetes responsáveis por salvar vidas.

Captar candidatos voluntários à doação de sangue não é tarefa fácil para os hemocentros do país. Embora o assunto esteja sempre em destaque na imprensa nacional e receba apoio constante de diversos grupos da sociedade, com frequência os bancos de sangue precisam direcionar alerta para não correr o risco de desassistência às unidades de saúde.

Segundo a diretora de hemoterapia da Fundação Hemoba, Rivania Andrade, a situação é considerada preocupante, tendo em vista o grande potencial de aumento nas demandas transfusionais por conta de férias, festas de verão e fluxo nas estradas. “É muito importante conscientizar a população sobre a necessidade regular da doação de sangue. Estamos começando um período de muito trânsito turístico e de festas populares. Somente com a solidariedade das pessoas podemos tocar o serviço com segurança e tranquilidade”.

No mês de janeiro, por exemplo, a Hemoba experimenta uma diminuição histórica no número de candidatos, cerca de 20% de redução comparada à média anual. O afastamento dos doadores nesta época do ano está relacionado período de férias. Como reflexo, os estoques de sangue passam a operar com a classificação crítica ou alerta, tendo a redução mais acentuada entre os tipos sanguíneos de Rh negativo, que aparece em apenas 15% da população.

Plínio Sodré é médico e reconhece a importância do ato de doação de sangue. Doador desde 2016, ele confessa que fez a primeira doação por estímulo da esposa, Daniela, que já era doadora regular fidelizada. “A doação é um ato de extremo amor ao próximo. Não importa pra quem você está doando, mas sim saber que essa é uma fonte que reacende a esperança da vida”, conta o radiologista que faz parte de um grupo raro de pessoas pertencentes ao tipo sanguíneo O-, também conhecido doador universal.

As transfusões de sangue fazem a diferença na vida de centenas de pessoas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que de 3% a 5% da população de um país deve ser doadora. No Brasil, o percentual de doadores está em torno de 1,9%, muito abaixo do que é considerado ideal. Essa realidade não é diferente quando se trata do Estado da Bahia, que opera com cerca de 1,4% de voluntários.

Para Cristiano Cruz, enfermeiro da área de coleta da fundação, doar sangue 3 vezes ao ano é um compromisso obrigatório. Ele relata que começou a doar em 2002 quando viu no cotidiano de trabalho a necessidade. “Ajudar as pessoas é a minha grande motivação, as pessoas precisam muito e eu sabendo que faço parte de um grupo pouco frequente e com alta demanda, que é a do O-, minha responsabilidade só aumenta”.

SOBRE O SANGUE

Composto por leucócitos (glóbulos brancos), hemácias (glóbulos vermelhos), plaquetas e plasma, o sangue é um tecido líquido renovável, produzido pela medula óssea, vital para a vida humana, pois transporta os nutrientes essenciais para todos os tecidos e órgãos do corpo.

Cada componente tem a sua autonomia e função própria. Cerca de 45% do volume total do sangue é composto de hemácias e leucócitos. As hemácias transportam o oxigênio e, a deficiência de produção deste componente pode significar uma anemia. Os leucócitos são responsáveis pela defesa do organismo, já as plaquetas possuem ação coagulante. O plasma é a parte líquida do sangue e corresponde por cerca de 55% do volume total.

Os tipos sanguíneos são classificados em A, B, AB e O. No Brasil, os tipos O e A são considerados mais comuns, aparecendo em 87% da população. O B é representado por 10% e o AB por apenas 3%. Além do circuito A, B, AB e O, o tipo sanguíneo também é identificado pelo fator Rh positivo ou negativo. Neste caso, o grupo com maior prevalência é o de Rh positivo, com cerca de 85% das pessoas, colocando o Rh negativo em condição de grupo raro.

SOBRE A DOAÇÃO

Todo o processo da doação de sangue dura em torno de 50 minutos. O Candidato interessado passa por diversas etapas: cadastro, triagem clínica/entrevista com um profissional especializado, triagem hematológica/teste de hemoglobina, doação de sangue (que dura um tempo médio de 12 minutos) e lanche/hidratação.

A doação de sangue não traz riscos à saúde e o corpo recupera o volume retirado em 24 horas. Cada bolsa de sangue, contendo entre 400 ml e 470 ml, é capaz de salvar até quatro vidas. Entre os favorecidos, estão vítimas de acidentes, transplantados, vários tipos de pacientes oncológicos e pacientes com problemas de coagulação.

REQUISITOS BÁSICOS

Estar em boas condições de saúde;

Pesar acima de 50 kg;

Apresentar documento original com foto, emitido por órgão oficial e válido em todo o território nacional (Carteira de Identidade / Cartão de Identidade de Profissional / Carteira de Trabalho e Previdência Social / Carteira Nacional de Habilitação / Passaporte);

Ter entre 16 e 69 anos de idade, sendo que menores de 18 anos devem estar acompanhados por um responsável legal e pessoas com mais de 60 anos só poderão doar caso já tenham realizado uma doação antes dos 60 anos;

Estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas);

Estar alimentado (evitar alimentação gordurosa nas 4 horas que antecedem a doação);

Não ingerir bebida alcoólica nas últimas 12 horas;

Não fumar por pelo menos 2 horas;

Homens: podem doar até 4 vezes a cada 12 meses, com intervalo mínimo de 60 dias entre as doações;

Mulheres: podem doar até 3 vezes a cada 12 meses, com intervalo mínimo de 90 dias entre as doações.

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