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Acarajé, feijoada, sarapatel podem ser consumidos por quem sofre de obesidade?

21/02/2019 15:38

Delicias da culinária baiana de influência africana – acarajé, feijoada, sarapatel – não devem ser riscadas do cardápio, mesmo para as pessoas com problema de excesso de peso, mas precisam sem consumidas com cuidado, orientou a nutricionista Lorenna Fracalossi, do Núcleo de Obesidade do Centro de Diabetes e Endocrinologia do Estado da Bahia (Cedeba) hoje, na palestra sobre Aspectos Culturais da Alimentação, no Centro de Atenção à Saúde – CAS – abrindo o ciclo de palestras deste ano. Hoje também foi apresentado o tema “Aspectos Médicos e Cirúrgicos do Tratamento da Obesidade” pela endocrinologista Regilene Batista.

A nutricionista contou o depoimento de um paciente que comia acarajé com refrigerante todos os dias. E ela o orientou a consumir a iguaria uma vez por mês, em vez de cinco vezes por semana e não tomar o refrigerante. As comidas de influência africana são muito calóricas. Os escravos comiam, mas trabalhavam pesado. Mas quem come e volta para trabalhar sentado no ar condicionado, vai ganhar peso, sim. Alimentos da herança indígena também são bastante calóricos, como a farinha de mandioca, largamente usada na alimentação dos baianos, analisou Lorenna Fracalossi.

Mostrou que apesar da forte influência das culturas negra e indígena na alimentação, hoje os fast foods, associados aos refrigerantes, originários da cultura norte-americana (Estados Unidos) lideram no mundo o ranking da obesidade: são consumidos em larga escala pelos brasileiros, contribuindo para aumentar o contingente de pessoas com obesidade.

Mudança começa nas compras 

E o tratamento da obesidade, segundo explicou, passa por mudança de estilo de vida. A mudança de hábitos alimentares deve começar com as compras .”As pessoas precisam ir mais às feiras, onde há maior abundância de frutas da estação e os preços são mais acessíveis, além de ajudar a economia local. Ela perguntou: “Vocês já viram propaganda de cenoura na televisão? Mas de hambúrguer todo mundo já viu? E a força da propaganda leva o pessoal a preferir alimentos pouco saudáveis.

O Brasil – destacou – é um País rico em frutas e verduras que não vêm em pacotinhos (alimentos industrializados). É preciso descascar mais frutas e abrir menos pacotinhos para ter mais saúde. Também é necessário observar as emoções porque quando a pessoa se aborrece tende a se vingar comendo alimentos calóricos como biscoitos e doces.

Outro cuidado importante é quando a pessoa vai à festa. “Ninguém deve deixar de ir à festa quando está em tratamento da obesidade, mas tem que ter cuidados. Comer antes de sair de casa, para não chegar com muita fome, identificar o que vai comer e limitar a quantidade.

Quando ela iniciou a palestra perguntou se a cultura influencia na nossa alimentação, veio a resposta: “com certeza”. No auditório estavam pessoas ouvindo a palestra pela primeira vez, mas muitos participam várias vezes porque não há limitação. O importante é o pessoal aprender mais e mais e mudar comportamentos, porque a nutricionista mostra que cada pessoa precisa saber onde quer chegar, os caminhos a seguir e as ferramentas que podem ser utilizadas.

A nutricionista enfatizou que a alimentação, além da função biológica é também, um ato social e cultural. “Herdamos os hábitos alimentares por meio da família”. Cada povo – País, regiões, estados tem sua cultura alimentar”. Em estados de grande extensão territorial como a Bahia, hábitos alimentares sofrem influência de estados vizinhos.

Não é uma questão de estética

A endocrinologista do Núcleo de Obesidade do Cedeba, Regilene Costa, na sua palestra pontuou que obesidade não é uma questão estética, como muitas pessoas acreditam, É um problema de saúde, uma doença crônica que está associada a outras doenças. De origem genética, sofre a influência do estilo de vida. Ela pontuou que há pessoas que comem bastante e não engordam. São que trazem a obesidade na sua genética e até sofrem com as brincadeiras : “você não engorda de ruim que é.,

A obesidade, de acordo com a endocrinologista é fator de risco para o diabetes, pressão alta, colesterol elevado, problemas circulatórios (trombose), problemas de pele e menor expectativa de vida. Exige tratamento a longo prazo por equipe multidisciplinar.

A pessoa com obesidade, ao perder peso está magra, mas não é magra, porque como a doença é crônica, seu metabolismo é mais lento. Se ficar mais sedentária ou mudar a alimentação voltará a engordar, como acontece até com algumas pessoas que fazem a cirurgia de redução do estômago (bariátrica).

Ascom do Cedeba

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