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Escolha de alimentos saudáveis é muito mais importante depois da bariátrica

11/04/2019 10:53

“O que mais é interessante para colocar num porta-moedas: um real ou dez centavos?”. Um real foi a resposta unânime dos pacientes que foram submetidos à cirurgia bariátrica, hoje, na sessão do Núcleo de Obesidade do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba). A pergunta foi da nutricionista Lorenna Fracalossi ao abordar o tema “O que Muda na Alimentação com a Cirurgia Bariátrica” para explicar, de forma didática, a necessidade de o espaço do estômago, bastante reduzido com a cirurgia, ser ocupado com alimentos de maior valor nutritivo.

Na sessão – a primeira deste ano para pós-bariátrica – estavam pacientes que fizeram a cirurgia em períodos diferentes: há três meses, um, três ou mais anos. Eles foram preparados antes de cirurgia, continuaram participando do trabalho educativo, mas o trabalho precisa continuar porque os hábitos e escolhas alimentares sofrem influência da propaganda na televisão, na internet e também das conversas com amigos e vizinhos. E essas influências negativas foram analisadas pela nutricionista. Ela perguntou: “vocês já viram propaganda de maçã na televisão?”.. Em seguida explicou que enquanto uma maça contem três gramas de fibra, um pacotinho de biscoito tem apenas uma.

Com a cirurgia bariátrica – explicou Lorenna Fracalossi – além de comer muito menos que antes, a necessidade de mastigar bem os alimentos, cerca de 30 vezes cada porção – atitude desejável para todas as pessoas – é imprescindível. Se a pessoa insistir em comer rápido, sem mastigar bem, apresentará engasgos e vômitos. Uma paciente relatou que “paguei para ver. Tentei experimentar comer sem mastigar bem e passei um sufoco”. Até a água, segundo orientou a nutricionista tem que ser bebida em pequenos goles, com calma, para evitar engasgos.

Lorenna Fracalossi mostrou que o café com pão, base do cardápio antes da bariátrica, deve ser mais rico com ovo, queijo ou ricota. Os biscoitos devem ser evitados porque contêm sódio, farinha e gordura hidrogenada. E para mostrar como são muito processados perguntou se alguém já formigas em biscoito de sal. E, seguida questionou; ” como fica o guardanapo usado para embrulhar biscoitos?” Todos responderam: engordurado.

No almoço, Lorenna sugeriu aos pacientes que eles comam primeiro a carne e o feijão, deixando o arroz para depois, porque se não tiver mais espaço, o consumo da proteína, muito importante para quem faz a cirurgia, está garantido. Há casos em que há necessidade de o plano alimentar dobrar a quantidade de proteína animal e reduzir a quantidade de arroz e feijão.

Muito importante para o sucesso de quem faz bariátrica – perda de peso com saúde – segundo a palestrante é fazer a alimentação adequada, prescrita pela equipe de Nutrição (nada de ficar usando receitas de chás sugeridos pelas amigas); usar continuamente as vitaminas e sais minerais pelo resto da vida, vir às consultas e ter responsabilidade pessoal.

Reganho de peso

A fase imediatamente após a cirurgia bariátrica é como se fosse uma lua de mel. Muitos elogios, perda acelerada do peso. Depois, vem a rotina, e o reganho de peso, como pontuou hoje a endocrinologista do Núcleo de Obesidade do Cedeba, Regilene Batista, na sessão para pacientes pós-bariátrica.

Ela explicou que a perda esperada com a cirurgia é de mais de 40% do peso antes da bariátrica. O ritmo dessa perda é muito acelerado nos três primeiros meses, quando se atinge metade da meta:20% (10% no primeiro mês, 6% no segundo e 4 % no terceiro). A outra metade(20%) acontece em 12 meses). Isso acontece – explicou – porque além de comer bem menos, a absorção de nutrientes também é menor.

A endocrinologista apresentou estudo feito na Suécia que mostra ser de até 10% o reganho de peso (calculado sobre o peso pós cirurgia) no período de dez anos pós-bariátrica. Exemplificou: uma pessoa com 200 quilos que chegou a 120 com a cirurgia, pode ganhar 12 em dez anos, chegando a 132. Depois há uma tendência de estabilização

Ascom do Cedeba
Cedeba/pós

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