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HGRS discute proposta de tratamento neurocirúrgico para Alzheimer

16/04/2019 15:26

Residente do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), o médico Matheus Paz apresentou para a comunidade científica a proposta de um tratamento neurocirúrgico para a doença de Alzheimer. A aula – realizada na última semana – aconteceu sob a supervisão do chefe do serviço de neurocirurgia da instituição, Leonardo Avellar.

O ponto central do encontro foi a discussão sobre a possibilidade do uso de estimulação cerebral profunda (Deep brain stimulation – DBS). “É uma técnica da neurocirurgia funcional que estimula regiões profundas do encéfalo e, em alguns casos, podemos conseguir uma resposta positiva. Podemos falar que é a abordagem do futuro”, conta Matheus.

Caracterizada pela perda da memória e de outras funções mentais importantes, a doença de Alzheimer foi descrita, pela primeira vez, em 1907. Mais de um século depois, ainda não há uma medicação capaz de reduzir sua progressão ou eliminar completamente os sintomas, conforme lembra o residente de neurocirurgia: “temos abordagens farmacológicas, não-farmacológicas, cirúrgicas e não-cirúrgicas. No entanto, apesar de contarmos com medicações boas, elas não entregam o resultado prometido, que é a recuperação completa”.

Matheus Paz cita, ainda, a terapia gênica para o tratamento de Alzheimer, quando se utiliza um vetor viral para fazer com que o corpo da própria pessoa produza proteínas interessantes: “no caso, a proteína NGF, que serve para estimular a produção de neurônios e o desenvolvimento, pode ser relevante para a melhoria de alguns sintomas”.

Sessões científicas de neurocirurgia

As sessões científicas do serviço de neurocirurgia do HGRS são realizadas às sextas-feiras, a partir das 7h, no auditório do edifício anexo ao hospital. Os encontros, que têm um tema diferente a cada semana, são abertos a profissionais de outras especialidades.

Na avaliação de Matheus Paz, as sessões são indispensáveis para quem pretende se tornar um neurocirurgião. “Poder entrar em algumas cirurgias logo no início da residência já me deixa bem animado, mas eu fico muito feliz, também, por saber que as sessões existem e que elas funcionam, com temas interessantes. Afinal, ciência e academia são totalmente necessárias para que uma residência seja, realmente, funcional como atividade de ensino”, comemora.

Hospital Geral Roberto Santos

O HGRS é um hospital de grande porte, de alta complexidade, terciário e de caráter assistencial. É também de ensino, certificado pelos Ministérios da Saúde e da Educação. Hoje, a instituição é, oficialmente, um Centro de Referência de Alta Complexidade em Neurologia.