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Aspectos psicológicos, imagem corporal e atividade física no Ciclo de Palestras sobre obesidade no Cedeba

25/04/2019 14:10

“A associação de situações frustrantes com a alimentação é feita desde a infância. Qualquer desconforto no bebê é compensando com a oferta do peito ou da mamadeira. Isso continua, na medida em que a criança cresce, e a comida passa a ser um consolo. Isso reflete na vida adulta, levando à busca do alimento como compensação em situações de perda: seja de um ente querido que morre, uma separação ou a perda do emprego”. Esse aspecto foi destacado hoje pela psicóloga Viviane Oliveira, no Ciclo de Palestras do Núcleo de Obesidade do Cedeba, que contou também com fisioterapeuta Lorena Guedes, mostrando a importância da postura e da atividade física.

Viviane Oliveira disse que os aspectos psicológicos estão mais presentes na gênese e manutenção da obesidade nas pessoas com algumas características, como por exemplo as que têm preocupação excessiva com comida, dificuldade para lidar com frustrações. A obesidade, segundo pontuou a psicóloga, cria um enorme carga psicológica, e em termos de sofrimento, pode ser o maior efeito da obesidade, daí a importância do suporte psicológico, que faz parte do tratamento do Núcleo de Obesidade do Cedeba.

DOENÇAS ASSOCIADAS

A obesidade tem como transtornos psicológicos mais comuns, associados à alimentação, a bulimia (a pessoa come exageradamente, para depois provocar vômitos ou compensar com exercícios, exageradamente) e a compulsão alimentar, quando o paciente com obesidade pode seguir o plano alimentar certinho, mas de vez em quando come sem controle, excessivamente. Isso acontece muito em festas, finais de semana, mas pode acontecer duas vezes por semana.

Também estão associadas à obesidade: a ansiedade e a depressão. Ao perguntar aos pacientes se a ansiedade contribui para engordar, os pacientes responderam mostrando entender o mecanismo; “quem engorda é a geladeira e o armário (numa alusão à busca dos alimentos) que a ansiedade leva a pessoa a procurar. A depressão nos pacientes com obesidade representa uma das principais preocupações no tratamento.

A psicóloga também analisou o consumo de álcool nos pacientes com obesidade, apresentando uma tabela de consumo com quatro zonas, em função da quantidade. O consumo de álcool – explicou – dificulta o tratamento da obesidade por desequilibrar o plano alimentar, impactar na saúde, além de contribuir para agravar problemas emocionais.

Na zona 1, o consumo de álcool fica restrito a uma dose de bebida, que corresponde a uma lata de cerveja e uma taça de vinho. Mas -explicou – o paciente ficar longe do consumo de álcool e, ao chegar a uma festa beber exageradamente, é ainda mais grave. Para quem está se preparando para a cirurgia bariátrica é ainda mais recomendável distância do álcool porque no pós-cirúrgico o consumo de álcool é arriscado.

IMAGEM

Viviane Oliveira abordou também na sua exposição a questão da imagem corporal. Como o paciente se vê? Em alguns momentos ele pode admitir que está gordo, ou não. Muito importante é encarar o espelho, atitude que muitas pessoas com obesidade evitam fazer. Também é importante observar as roupas. Se estão mais apertadas, sinalizam claramente o aumento de peso.

Depois de muitas reflexões, os pacientes tiveram momentos de relaxamento com exercícios de respiração e postura, sob a orientação da fisioterapeuta Lorena Arruda, que apresentou o tema “Postura e imagem Corporal”. Ela começou incentivando o grupo: “vamos acordar o corpo” – muitos vêm do interior e chegam cansados porque viajam durante a noite. Mostrou que a posição de sentar, de fazer atividades domésticas podem ajudar a fortalecer a musculatura do abdome. “Se não fortalecermos o músculo abdominal, teremos a barriga da comida e a do músculo fraco”,observou de maneira bem didática.

“Sem estímulo, os músculos ficam fracos, e comprometem a postura que é a nossa apresentação. A pessoa pode ter obesidade, mas trabalhando a musculatura abdominal, melhora a postura”, explicou a fisioterapeuta. A coluna precisa de músculos fortes para sua estabilização. Quando isso não acontece, vem a sobrecarga, que deságua nas dores na região lombar, joelhos, pés.

Lorena Arruda destacou que o tratamento da obesidade tem como foco principal a busca de vida saudável. O que vem depois é consequência. Hoje – pontuou – os cuidados com o corpo não podem ser descuidados porque o estilo de vida contribui para a obesidade, seja na alimentação (fast-foods, refrigerantes), o sedentarismo, ampliado com os confortos da vida moderna. “Se quisermos ter uma vida saudável, precisamos mudar”, disse.

Ascom do Cedeba

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