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Cedeba terá ambulatório para transgêneros

09/09/2019 16:35

Até o final do ano, o Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), dá um novo salto como Centro de Referência, com o início do funcionamento do Ambulatório Transexualizador. O avanço foi confirmado pela diretora do Cedeba, Reine Chaves, na abertura da sessão clínica sobre “Transgeneridade e Processo Transexualizador”, que teve como palestrante a endocrinologista e coordenadora do Ambulatório Transexualizador do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hospital das Clínicas), Luciana Mattos.

Na sessão promovida pela Coordenação de Ensino e Pesquisa (COEP), do Cedeba, Luciana Mattos, com doutorado em Endocrinologia pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado em Endocrinologia Reprodutiva no Massachusetts General Hospital – Harvard University, apresentou dados que apontam a necessidade de mais assistência para os transgêneros. A expectativa de vida para o grupo situa-se em 29 e 35 anos, a metade da população em geral. Entre os fatores que levam à morte precoce estão a violência, doenças infecciosas, terapia hormonal mal feita, uso de silicone industrial, depressão e suicídio.

Hoje é mais usado o termo transgeneridade, mais amplo do que transexualidade, segundo a especialista. O transgênero se identifica com um gênero diferente daquele que corresponde ao seu sexo atribuído no momento do nascimento, ao contrário do cisgênero, que se reconhece pertencendo ao gênero que foi designado ao nascer. Estima-se que entre 0,5 a 1% da população seja transgênera.

A identidade de gênero não está obrigatoriamente relacionada com a orientação sexual. Ou seja, um homem transgênero (mulher que se identifica com o gênero masculino), pode ser homossexual (caso sinta atração por homens) ou heterossexual (caso sinta atração por mulheres).

A população transgênera tem assegurados direitos civis como nome social, mudança de nome, também assistência especializada na área da saúde. Segundo pontuou Luciana Mattos, o objetivo do tratamento transexualizador é levar a pessoa a se sentir mais confortável com sua identidade de gênero, aumentando o seu bem – estar

Embora desde 1997, Resolução do Conselho Federal de Medicina já trouxesse definições sobre procedimentos médicos para transexuais, o Ministério da Saúde, somente a partir de 2008 começou o trabalho, mas a garantia da cirurgia (pessoas de 21 a 75 anos) e terapia hormonal (18 aos 75) veio cinco anos depois, com a Portaria 2803/2013

Mas – explicou a especialista – o fluxo do paciente no processo transexualizador – é feito obedecendo a critérios com acompanhamento multidisciplinar. Para fazer a cirurgia (retirada de seios ou colocação de próteses mamárias são exemplos) é necessário acompanhamento psicológico de, no mínimo dois anos.

 

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