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HGVC realiza primeiro bypass para aneurisma cerebral do interior da Bahia

10/09/2019 14:36

O Hospital Geral de Vitória da Conquista (HGVC) realizou, na semana passada, a primeira neurocirurgia usando a técnica bypass do interior do Estado. O procedimento foi feito em paciente de 41 anos, vítima de Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico. Após a realização de uma angiotomografia, o paciente foi diagnosticado com Aneurisma Fusiforme Roto.

O procedimento, que durou cerca de sete horas, contou com uma equipe de cinco médicos, os neurocirurgiões Iogo Henrique e Juliano Baptista, os anestesistas Ítalo Lopes e José Neto, e o cirurgião vascular Gibran Swami, sendo realizado com total sucesso e ótimos resultados.

O aneurisma do paciente estava na artéria carótida, a mais importante artéria do cérebro, então para que fosse possível fechar a passagem de sangue pelo aneurisma, foi necessário criar um novo vaso, uma espécie de ponte que é chamada de bypass.

O Aneurisma Fusiforme Roto ocorre com pouquíssima frequência e, principalmente, nas artérias cerebrais, por meio de uma dilatação circunferencial na parede da artéria, ou seja, o aneurisma é o próprio vaso. Neste caso, não tem como fechar o aneurisma sem fechar o vaso para cessar sangramento, diante disso, se faz necessário utilizar a técnica do bypass para garantir que o sangue circule normalmente e chegue até o cérebro.

Para a realização do procedimento foi coletada uma veia da perna do paciente, a veia safena, e foi feita essa ponte, que funciona como uma nova carótida, uma vez feita essa ponte e percebendo que o sangue corre flui normalmente ao cérebro, é fechado o aneurisma.

Para fazer a anastomose (ligação entre dois vasos) é preciso abrir o vaso e emendar em outro, depois é preciso fechar temporariamente. De acordo com Iogo Henrique, neurocirurgião responsável pelo bypass, o cérebro não suporta muito tempo sem receber o sangue, por isso é crucial que todo o procedimento seja feito em tempo hábil e de forma certeira, pois esse vasos são de um a dois milímetros. Nesse momento, os anestesistas fazem várias manobras anestésicas, para que o paciente possa tolerar, sem que haja nenhuma repercussão negativa durante essa interrupção temporária.

Esse procedimento é muito raro, são poucos os neurocirurgiões no país que são habilitados a fazerem o bypass no cérebro, “precisa de um treinamento bem específico em anastomose e cirurgia neurovascular, para que se tenha habilidade para fazer o procedimento. Mais raros que os casos de pacientes que precisam desse tipo de procedimento, são os neurocirurgiões habilitados para realizar a técnica.” afirma Iogo Henrique, que há anos investe para aprofundar na área.

É importante salientar que todo o procedimento cirúrgico foi custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), quando nenhum outro hospital da região tem estrutura e pessoal especializado para realização da técnica. Diante disso, é necessário que haja entendimento da importância do SUS para que vidas sejam salvas

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