Notícias /

Exercício físico precisa de dose certa e regularidade porque é remédio

12/09/2019 14:59

“Trabalhar a respiração durante o exercício físico é obrigatório. Se houver dificuldade para respirar, tem que parar, porque a pessoa pode estar se exercitando além da sua capacidade ou fazendo de forma errada. É preciso respeitar os limites do corpo. As câimbras, por exemplo, sinalizam que o corpo não está suportando o esforço. “As orientações são da fisioterapeuta Lorena Arruda e foram feitas hoje durante o III Ciclo de Palestras sobre Obesidade do Núcleo de Obesidade do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), que teve como tema “Aspectos Psicológicos da Obesidade e Atividade Física”.

A fisioterapeuta movimentou os participantes com sessão de alongamento, motivando-os para a palestra. Depois perguntou quem fazia exercício físico. Poucos responderam afirmativamente, gancho para Lorena enfatizar a importância dessa prática para a saúde. Ela explicou a diferença de atividade física (todos os movimentos que fazemos na nossa rotina) e exercício físico, que deve ter horário e dose certas porque funciona como remédio. No caso da obesidade – explicou – além da redução de medidas e do peso, diminui a ansiedade (pela liberação de endorfina que dá a sensação de bem-estar), a pressão arterial, melhora a respiração, a qualidade do sono. Também assegura mais produção e qualidade do osso, ganho de força no músculo e melhor tolerância ao açúcar.

MELHORAR O SONO

As pessoas com obesidade, em geral, não têm sono de qualidade, segundo explicou a fisioterapeuta. Sem dormir bem, falta disposição para o exercício. Mas, fazendo exercício o sono melhora. E para uma noite de sono mais tranquila é importante dormir de lado, evitando a posição de barriga para cima. Ao dormir de lado, a língua relaxa e não fecha a passagem do ar, que provoca a interrupção do sono.

Durante a palestra, uma paciente perguntou por que a gente trabalha tanto em casa e não emagrece? A fisioterapeuta respondeu que o ritmo do trabalho doméstico (atividade física) é diferente do exercício físico que exige muito mais do corpo. Sem falar – pontuou – que o trabalho doméstico – também é um estímulo para a chamada “boca nervosa”, quando entre uma atividade e outra vem a tentação para beliscar.

ATENÇÃO COM OS SABOTADORES

A psicóloga Viviane Oliveira analisou desafios psicológicos da obesidade, a força dos hábitos culturais e afetivos na alimentação, como fica claro na mensagem “não consigo deixar de comer tal alimento porque me acostumei desde pequena”. Essa paciente faz um tratamento, emagrece e volta a engordar. Muitas vezes – explicou – a pessoa resolve emagrecer não pela própria vontade, mas para agradar o outro. Nesse caso, é maior a possibilidade de insucesso.

Além de avaliar os desafios para vencer a obesidade, a psicóloga mostrou também que é preciso ter atenção com os sabotadores. Um exemplo é a diferença entre fome e vontade de comer. Como o tratamento garante pequenas refeições a intervalos pequenos, importante pensar que a próxima refeição não demora. O desejo de incontrolável de comer, outro sabotador, se manifesta muito durante as festas, quando tudo é novidade. É preciso pensar que a ida festa é para comer, mas também para se divertir. O foco na injustiça também dificulta: “Meu marido come muito e não engorda” é outro sabotador.

E o alimento trazendo conforto? Quando a psicóloga colocou a questão, quase todos responderam: chocolate porque acalma. Mas uma paciente disse que consome uma dúzia de mangas de um só vez e fica calma. O ganho de peso diminui a esperança de emagrecer e retroalimenta a obesidade. Esse é outro sabotador importante, bem como quem abandona o plano alimentar quando emagrece por acreditar que venceu a obesidade.

Viviane Oliveira destacou que a obesidade exige assistência multidisciplinar, como oferece o Núcleo de Obesidade do Cedeba. E que o acompanhamento psicoterápico é fundamental, sendo necessário a ajuda do psicólogo e/ou do psiquiatra.

 

Notícias relacionadas