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É preciso olhar para o diabético além do enxergar bem e do uso de óculos

05/11/2019 15:41

“Retinopatia Diabética”, uma das complicações mais temidas por quem é diabético, foi nesta terça-feira (5) o tema da sessão de atualização mensal que o Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), realizada sempre na primeira terça-feira de cada mês. Mas, pela primeira vez, em 25 anos, acontece em Novembro, integrando a programação que marca o Dia Mundial do Diabetes (14 de novembro),quando o azul, a cor do diabetes, se destaca.

Na sessão de hoje, com aula da líder de Oftalmologia do Cedeba, a retinóloga Tessa Mattos, participaram os médicos Impasso Abdul Impasso e Neusa Jose Magode Manhiça, ambos da especialidade Cínica Geral, do Governo de Moçambique (país do continente africano, de colonização portuguesa), que estão conhecendo durante três semanas o trabalho do Cedeba em diabetes. Ambos elogiaram muito apresentação e fizeram muitas perguntas.

PREVENÇÃO
A especialista reforçou a importância da prevenção da Retinopatia Diabética (RD) porque é uma doença silenciosa, daí a importância do exame do fundo de olho. A população em geral – pontuou – tem como preocupação a acuidade visual (estar enxergado bem), mas o diabético, além de ter cuidados com o controle da glicemia, precisa de avaliação especial. Além da RD, diabético também tem maior risco para glaucoma e catarata, observou.

Com o aumento do número de casos de diabetes no mundo – a doença é considerada pandemia – a prevenção da RD, segundo Tessa Mattos é muito importante porque a incidência é elevada. Após 20 anos de diagnóstico, já há algum grau de RD em quase 100% dos pacientes com Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1, que se manifesta na criança e adulto jovem), e de 60% nos casos de Diabetes Melitus tipo 2 (DM2).

Apesar da relação da RD com o tempo de duração do diabetes, é muito importante segundo a especialista em retina, o bom controle metabólico, mantendo a glicemia e a hipertensão sob controle. Também são fatores de risco as dislipidemias (colesterol e triglicérides elevados) a nefropatia, obesidade, o tabagismo e a gravidez.

Como a RD é silenciosa – explica Tessa Mattos – o diabético precisa fazer exame de fundo de olho (exige pupilas dilatadas). Nos casos de DM1, iniciar o acompanhamento cinco anos de diagnóstico, e no DM2, logo que o diabetes seja confirmado. E muito importante, na consulta com o oftalmologista informar o tipo de diabetes, a duração da doença, a apresentação de exames de laboratório e medicações em uso.

De maneira didática, Tessa Mattos explicou que a retina, localizada no fundo do olho é responsável formação das imagens enviadas para o cérebro. A RD afeta os vasos da retina e pode ser de dois tipos: a não proliferativa, forma inicial da doença que é detectada quando os vasos do fundo do olho estão danificados, causando hemorragia e vazamento de líquido da retina, chamado de Edema Macular Diabético; e a proliferativa, diagnosticada quando os vasos da retina ou do nervo óptico não conseguem trazer nutrientes para o fundo do olho e por consequência, há formação de vasos anormais, que causam o sangramento.Apesar de a RD poder levar à cegueira, esse risco segundo Tessa Matos, diminui para 5% , quando o diagnóstico é feito em tempo adequado e tratamento e realizados corretamente pelo especialista.

As sessões temáticas em diabetes que o Cedeba realiza por meio da Coordenação de Educação e Apoio à Rede (Codar) têm como objetivo atualizar os temas referentes ao cuidado do diabetes diante de conteúdos científicos (protocolos assistenciais), oportunizar discussões de experiências exitosas das unidades de saúde; fortalecer a missão do Cedeba que é de qualificação dos trabalhadores/SUS. A ultima sessão do ano, como anunciou, a coordenadora da Codar,Graça Velanes, será no dia 3 de dezembro com as Ações do Grupo de Psicologia em Diabetes.

Ascom Cedeba

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