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“Doce Conviver” na bagagem dos médicos de Moçambique que conhecem o Cedeba

08/11/2019 12:10

Em Moçambique (país africano, de colonização portuguesa) o tratamento do diabetes tem foco na educação por meio de palestras,que contam com a participação de profissionais de saúde e líderes comunitários, além de feiras de saúde. Em parceria com as ONGS, em datas especiais, os meios de comunicação de massa são usados para a difusão de mensagens educativas.

Apesar dessas ações, é preciso ampliar o trabalho de educação em diabetes, segundo os médicos Impasso Abdul Impasso e Neusa Jose Magode Manhiça, ambos da especialidade Cínica Geral, que estão conhecendo, durante três semanas a experiência do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba). Ao serem apresentados ao trabalho educacional do “Doce Conviver”, pela responsável e facilitadora, a enfermeira Ana Claúdia Perrota, ficaram encantados e desejosos de implantar a experiência no país africano.

MATERIAIS ENCANTAM

Os médicos ouviram com a atenção a enfermeira Ana Claúdia Perrota sobre o funcionamento do Doce Conviver e fizeram muitas perguntas. Ficaram encantados com o material didático utilizado nos grupos de convivência, que facilita a compreensão dos pacientes sobre o funcionamento do corpo, por exemplo, e o que acontece na presença do diabetes. No álbum seriado, chamou a atenção a ilustração de uma célula com ar de tristeza, quando o açúcar não consegue alimentá-la e fica na corrente sanguínea. Gostaram também dos jogos que ensinam, de forma lúdica, a contar carboidratos

Ana Claúdia mostrou que pela educação, de forma participativa, em grupo, o diabético aprende sobre a doença, reflete sobre seu estilo de vida e conscientiza-se da necessidade do auto cuidado como caminho para evitar e /ou retardar as complicações da doença. No grupo, eles aprendem os cuidados com a alimentação (com a participação da nutricionista) numa linguagem bem acessível e com muita discussão, respeitando saber que cada um traz. Embora tenham acompanhamento individual pela nutricionista, que define o Plano Alimentar, a participação em grupo enriquece os conhecimentos pela troca de experiências.

O Doce Conviver, iniciativa da Coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (Codar), do Cedeba, para diabéticos tipo 2, utiliza a Metodologia Participativa, que trabalha a autonomia do cuidado, em que o diabético se sente responsável pelo seu tratamento. Trata-se de um trabalho que acontece todos os anos, porque a educação em diabetes deve ser um processo contínuo, durante o tempo em que durar seu acompanhamento na unidade de saúde.

São cinco oficinas quinzenais e seis meses depois, os participantes voltam a se reunir para avaliação. Os que necessitam têm novas oficinas de reforço sobre os assuntos relacionados aos diabetes e seu controle, medicações orais e insulina, atividade física, cuidado com o pé e a boca, complicações agudas e crônicas.

O desafio é adequar as práticas educativas ao modelo participativo e problematizador, avalia Ana Perrotta. Permitindo assim – destaca – a troca de experiências, o apoio mútuo e a criação de vínculos. Nas oficinas, os participantes compartilham suas dificuldades, suas conquistas, se apoiam, trocam ideias para enfrentar as dificuldades. Em resumo: aprendem juntos.

Como a assistência ao diabético é multidisciplinar, a partir do Doce Conviver, o diabético pode ser encaminhado para o psicólogo, porque, e muitos casos, o sentimento de negação, muito freqüente diante do diagnóstico, evolui para a revolta.

Segundo Graça Velanes, coordenadora de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (Codar) o Doce Conviver, que começou em 2004, tem avaliação positiva dos participantes, e o encantamento dos representantes de Moçambique tem sido comum nas delegações do Brasil e de outros países que têm visitado o Cedeba. 

Ascom Cedeba

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