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Marmita no trabalho, no passado hábito dos boias-frias, está difundida em todas as classes sociais

22/11/2019 17:43

“Quatro horas da manhã/Sai de casa o Zé Marmita/Pendurado na porta do trem/Zé Marmita vai e vem”. Sucesso na voz de Miltinho, os versos da música retratam a realidade do tempo em que “levar marmita para o trabalho era hábito dos boias-frias,” como observa a líder da Nutrição do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), Luciane Barros. Hoje – disse – com a busca da alimentação saudável, trabalhadores de todos os níveis econômicos levam marmita para o trabalho, como mostra a oferta de recipientes para acondicionar as refeições, alguns bem caros.

Passeando pela música, “Nega Manhosa”, sucesso de Nelson Gonçalves, também faz referência à preparação da marmita pelos operários. “Nega, deixa de fita/prepara a minha marmita/Levanta, nega/vai te virar”. Hoje, claro, a preparação da marmita é mais prática, principalmente para quem segue o caminho da alimentação recomendada pelo Ministério da Saúde. Um dos dez passos é “fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base de alimentação”. As frutas, por exemplo, como orienta Luciane Barros, são excelente opção para o lanche e a sobremesa. Basta descascar.

E, buscando fortalecer o caminho da alimentação saudável, o Cedeba reúne seus pacientes na quinta-feira (28), no auditório da Escola de Saúde Pública da Bahia, partir das 8h30, com o tema “Descasque Mais, Desembale Menos”. Os dez passos da alimentação saudável estão sendo analisados pelas nutricionistas do Núcleo de Obesidade do Cedeba. Luciane Barros começa abordando três importantes passos: Fazer de alimentos in natura ou minimamente processados, a base da alimentação; limitar o consumo de alimentos processados e evitar o consumo de alimentos ultraprocessados.

COMIDA DE VERDADE

O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, resume a importância dos alimentos in natura: “Em grande variedade e predominantemente de origem vegetal, alimentos in natura minimamente processados são a base ideal para uma alimentação nutricionalmente balanceada, saborosa, culturalmente apropriada e promotora de um sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável. Variedade significa alimentos de todos os tipos – grãos, tubérculos. Farinhas, legumes, verduras, frutas, castanhas, leite, ovos e carne e variedade dentro de cada tipo – feijão, arroz, milho, batata, mandioca, abobora, laranja, banana frango, peixes, dentre outros”.

Na análise da líder de Nutrição do Cedeba, o novo Guia propõe o consumo de comida de verdade, mais natural, que se contrapõe aos alimentos rápidos que perdem seus valores nutricionais. Mas – avalia -convivemos com o antagonismo porque a indústria de alimentos cresce a produção, visando ao lucro, usa substâncias químicas para dar cor e sabor (algumas apontadas como cancerígenas), além do sal, açúcar e gordura. Aliado ao aumento da produção, a sociedade – pontua – é estimulada a consumir porque esses alimentos são apresentados pela publicidade como saudáveis. As pessoas, hoje na faixa dos 40 anos, ouviram muito a propaganda do ” danoninho que vale por um bifinho”.

Com a força da industrialização dos alimentos, as pessoas passam a consumir alimentos de uma cultura que não é a sua, em função da padronização dos sabores, como explica Luciane Barros. Os alimentos processados e ultraprocessados ganham status, fazendo com que o homem do meio rural, por exemplo, mesmo produzindo alimentos saudáveis como a batata doce, a mandioca, a banana da terra, consuma biscoitos ricos em gorduras hidrogenadas e sódio.

O Guia Alimentar para a População Brasileira avançou muito porque defende a sustentabilidade social, econômica e ambiental e recomenda a preferência pelo consumo de alimentos produzidos pela agricultura familiar. “Quanto mais natural, o alimento, menos resíduos”, explica Luciane. Na produção industrial outra questão é consumo elevado de água. Positivo também no Guia, na opinião da nutricionista do Cedeba, “foi a volta do alimento e não do nutriente”, como estrela.

PROCESSADOS E ULTRAPROCESSADOS

Alimentos processados devem ter consumo limitado de acordo com o Guia “os ingredientes e métodos usados na fabricação de alimentos processados – como conservas de legumes, compota de frutas, pães e queijos – alteram de modo desfavorável a composição nutricional dos alimentos dos quais deriva. Em pequenas quantidades devem ser consumidos como ingredientes de preparações culinárias ou parte de refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados”.

Segue o Guia: “Já os alimentos ultraprocessados – biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, refrigerantes e “macarrão instantâneo” – são nutricionalmente desbalanceados. Por conta de sua formulação, tendem a ser consumidos em excesso e a substituir alimentos in natura ou minimamente processados. Suas formas de produção, distribuição, comercialização e consumo afetam, de modo desfavorável, a cultura, a vida social e o meio ambiente”. 

Ascom Cedeba

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