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Moderação no uso de óleos, gorduras, sal e açúcar, um dos passos para a alimentação saudável

26/11/2019 15:57

“Os bóias-frias/Quando tomam umas biritas/Espantando a tristeza, Sonham com bife-a-cavalo, batata-frita/E a sobremesa É goiabada cascão com muito queijo”. A beleza dos versos de João Bosco, no “Rancho da Goibada”, sucesso na interpretação de Elis Regina, mostram o desejo de comidas quentes e fritas no lugar da marmita fria que vem de casa. Diferenças à parte, pessoas que se alimentam nos restaurantes e até casa também são atraídas pelas frituras, preparação que deve ser consumida eventualmente e não como rotina, destaca a nutricionista do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), Lorenna Fracalossi.

A batata frita, sonhada pelos bóias-frias, geralmente é consumida acompanhada com muito sal, e, um dos passos da alimentação saudável, de acordo com o Guia de Alimentação para a população Brasileira, do Ministério da Saúde, é a utilização de óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades. Além do sal, a batata frita é preparada por imersão (bastante óleo e alta temperatura). “Pastéis, coxinhas e outros salgados fritos também são fritos da mesma forma e devem ser consumidos apenas em ocasiões especiais”, orienta a nutricionista.

No dia a dia, a preferência deve ser pelos alimentos cozidos ou assados – explica a nutricionista, acrescentando que toda vez que o óleo atinge o ponto de fumaça, passa de gordura monoinsaturada para saturada. “Por isso, fritar usando azeite de oliva, por exemplo, satura do mesmo jeito que ó óleo de soja. Reduzir o consumo de gordura na alimentação – muito importante para a saúde das artérias – passa também por atenção às gorduras trans, presentes nos biscoitos, chocolates, sorvetes. Gorduras que não vemos, o que é o pior”, observa.

E o sal?

A redução do teor de sódio dos alimentos industrializados, acordo firmado pelo Ministério da Saúde com a indústria alimentícia cuja meta mais ambiciosa deve ser alcançada no próximo ano, foi uma medida importante, segundo a nutricionista do Cedeba, observando que Uruguai e Chile já fizeram isso antes do Brasil!

Além do cuidado com o teor de sódio dos alimentos industrializados, é preciso também usar o sal em pouca quantidade nas preparações culinárias, como orienta Lorenna Fracalossi. A utilização de ervas (alecrim, hortelã, tomilho, coentro, sala) e especiais (canela, açafrão, cominho) realça o sabor dos alimentos, exigindo menor quantidade de sal. E consumir pouco sal é muito importante para saúde. O sal em excesso – explica a nutricionista – é fator de risco para a hipertensão arterial, sobrecarrega os rins no processo de filtragem por exigir maior quantidade de água, além de dificultar a perda de peso para pacientes com obesidade.

E o açúcar?

O consumo de açúcar também exige parcimônia como orienta Fracalossi. Sorvetes, bolos, doces, refrigerantes, sucos de caixinha são ricos em açúcar e vilões da obesidade. Tem ainda – alertou – o açúcar que está disfarçado com outros nomes nos alimentos industrializados como xarope de glicose, xarope de milho, matodextina.

COMPATILHE RECEITAS SEM MEDO

“Outro passo para alimentação saudável, de acordo com o Guia do Ministério da Saúde, consiste em desenvolver exercitar e partilhar habilidades culinárias.” Claro que o ritmo agitado da vida moderna empurra as pessoas para o almoço na rua, mas sempre que houver tempo – finais de semana, por exemplo – a família deve ser envolver na preparação de alimentos. E não deve ser tarefa apenas de uma pessoa, mas de todos, homens e mulheres, adultos e adolescentes” defende a nutricionista do Cedeba.

Cozinhar – pontua – é uma alquimia, que permite transformações para uma mesma receita. Da para testar, experimentar, fazendo com que cada preparação tenha um sabor próprio, especial. Passar adiante uma receita saudável e saborosa é o que recomenda o Guia de Alimentação para a População Brasileira. No passado, as pessoas trocavam receitas, tinham seus cadernos de receitas que eram verdadeiras relíquias de família.

Hoje com as mídias socais é mais fácil compartilhar experiências culinárias, principalmente as preparações saudáveis que podem contribuir para melhorar o nível de saúde da população, defende a nutricionista. Por isso as pessoas devem se sentir à vontade para compartilhar prato saudáveis e bonitos,não se preocupando com eventuais críticas.

DESCASQUE MAIS, DESEMBALE MENOS

De olho na alimentação saudável, o Núcleo de Obesidade do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia reúne seus pacientes no dia 28 (quinta-feira) a partir das 8 horas para discutir o tema “Descasque mais, desembale Menos”. Depois da abertura pela coordenadora, Teresa Arruti, haverá palestra e dinâmica com Lorenna Fracalossi, além de momento de relaxamento com sessão de Ioga do Riso.

Ascom Cedeba

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