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Cedeba deu partida ao ciclo de palestras sobre Obesidade/2020

17/02/2020 11:38

Dois veículos podem fazer o mesmo percurso gastando quantidades diferentes de combustível. Os que gastam menos são os chamados carros econômicos. Isso acontece, também, com o nosso organismo em relação ao gasto energético: quando o corpo economiza combustível (nutrientes), vem o ganho de peso, enquanto pessoas com metabolismo mais acelerado podem até comer mais, porém não engordam.

A endocrinologista Regilene Batista fez a comparação na primeira edição do Ciclo de Palestras sobre Obesidade/2020, do Núcleo de Obesidade do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), no auditório da Escola de Saúde Pública Professor Jorge Novis, ao enfocar o tema “Abordagem Clínica da Obesidade”. Os trabalhos começaram com a apresentação da nutricionista Luciane Barros sobre “Aspectos Culturais da Alimentação”.

INCOMPREENSÃO….ESTEREÓTIPOS

A médica Regilene Batista, depois de explicar o conceito de obesidade, mostrou o cálculo do IMC (Índice de Massa Corpórea), adotado pela Organização Mundial de Saúde – resultado da divisão do peso pelo quadrado da altura (altura X altura) que classifica os níveis de obesidade IMC entre 25 e 29,9 (sobrepeso), de 30 a 34.9 (obesidade grau 1), de 35 a 39,9 (obesidade grau 2) e, a partir de 40, obesidade grau 3.

A palestrante disse que por ser doença multifatorial, o tratamento da obesidade é difícil, mas é muito necessário, já que é fator de risco para outros problemas graves de saúde, como o diabetes, hipertensão, doenças respiratórias, do coração, articulares, depressão. Além disso – pontuou – estudos mostram vários tipos de câncer têm a obesidade como fator de risco: esôfago, fígado, rim, estômago, próstata (avançado) tireoide, mama (pós-menopausa), vesícula biliar, pâncreas, ovário, endométrio.

Apesar de a obesidade ser uma doença crônica, de difícil tratamento, o paciente ainda tem de conviver com a incompreensão da sociedade, que não poupa estereótipos, definindo a pessoa com obesidade como preguiçosa, improdutiva, observou, Regilene Batista. O tratamento da obesidade – explicou – por ser complexo já que a doença é multifatorial, tem que ser feito pela equipe multidisciplinar, como acontece no Cedeba.

ASPECTOS CULTURAIS

No tratamento da obesidade, quando as nutricionistas do Cedeba definem Plano Alimentar (individual) que não é dieta, os aspectos culturais são levados em consideração; E o tema foi bastante discutido na palestra da nutricionista Luciane Barros., ao enfatizar que a alimentação vai muito além do aspecto nutricional. E o aspecto cultural faz com que cada povo tenha hábitos alimentares diferentes. Mas quem precisa perder peso, tem que se adaptar. Por exemplo, ainda que o padrão cultural seja uma alimentação rica em gordura, é preciso fazer mudanças, reduzindo as gorduras.

Mas a proposta de mudança e hábitos alimentares é decisão individual, a partir dos seguintes questionamentos: “Onde eu quero chegar? (meta) Que caminhos tomar? Ela – observou – que todo aprendizado é uma aposta. Portanto – orientou – arrisque, tente, teste; É preciso usar a imaginação. Criando receitas, testando e, também, compartilhando receitas.

Segundo a nutricionista, quem está em tratamento da obesidade, não deve ficar em casa, fugindo do convívio social sem ir a festas, porque é preciso entender que o convívio social é muito importante. O isolamento só vai agravar a ansiedade e dificultar o tratamento.

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