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Cedeba mantem assistência multidisciplinar com atendimento remoto em Psicologia

10/07/2020 10:22

O atendimento psicológico, de forma remota, desde a suspensão do atendimento presencial, há três meses, nos ambulatórios do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia(Cedeba), tem sido muito importante para os usuários, por garantir a assistência multidisciplinar que marca, fortemente, o trabalho do Centro de Referência, como destaca a diretora Reine Chaves.

Segundo a líder da Psicologia, Kécia Lima, de abril a junho, foram realizados 1.848 atendimentos. O trabalho é proativo. Cada psicólogo segue a sua agenda de psicoterapia diária para realizar os teleatendimentos aos seus pacientes. O acompanhamento psicológico funciona com algumas especificidades, que consistem em atendimento regular, numa frequência semanal ou quinzenal, de acordo com a disponibilidade de horário, até que o paciente consiga se organizar psicologicamente, ao longo deste acompanhamento, quando pode evoluir para a alta psicológica, sempre levando em consideração a percepção do paciente neste processo terapêutico.

A equipe de Psicologia, além de prestar assistência psicológica pelo teleatendimento, busca saber a rede de informações que os pacientes têm sobre a COVID-19, avaliar as informações (reais ou falsas ) sobre contagio pelo coronavírus, para esclarecer e orientar de forma bem acessível sobre a prevenção, explicando os motivos da adoção e manutenção das medidas de distanciamento social.

O Cedeba conta com 10 psicólogas que se dividem, de forma a integrar os diversos ambulatórios do Centro. Estão sendo atendidos pacientes em psicoterapia nas agendas individuais proveniente dos diversos ambulatórios da unidade, que estão neste momento se beneficiando do teleatendimento.

IMPORTÂNCIA CRESCE

A oferta do atendimento psicológico com a pandemia cresce em importância, como analisa a psicóloga do Cedeba, Ana Emília Lisboa Ramos, porque os principais sintomas psicológicos que estes pacientes já apresentavam podem se agravar com as medidas de distanciamento social: crises de ansiedade, sintomas fóbicos ou de pânico, lateração de humor, desesperança, compulsão alimentar, abuso de álcool, alterações do sono e insônia grave, dentre outros.

Diante desta complexa rede de sintomas apresentados pelos paciente – analisa Ana Emilia -, a manutenção do teleatendimento psicológico vem funcionando como estratégia de monitoramento destes pacientes mais vulneráveis que, através deste acompanhamento, podem se manter estabilizados quanto aos sintomas da saúde mental e assim não irão precisar buscar unidades de emergência do SUS, contribuindo para evitar a sobrecarga do próprio Sistema Único de Saúde, evitando colocar em risco o próprio paciente.

“É preciso não perder de vista que a nossa clientela é constituída por pessoas das classes mais populares, que vivem em contextos sociais vulneráveis, na sua maioria pacientes negros, marcados pelos impactos do racismo estrutural, vinculadas a contextos de trabalhos frágeis em termos de direitos trabalhistas/renda, vítimas das violências domésticas, físicas, sexuais e de outras situações de violência social.”, observa Ana Emília.

SATISFAÇÃO DOS USUÁRIOS

Os pacientes reagem com muita satisfação sobre o teleatendimento da psicologia e dos demais membros da equipe multiprofissional do Cedeba.

Josemar Candido Mesquita, paciente do ambulatório de Diabetes Mellitus tipo 1): “eu considero o atendimento da psicologia pelo telefone importante, nesse período de quarentena onde não devemos sair de casa pelo risco de contagio pela Covid-19. Assim, podemos ter o nosso acompanhamento continuado e ainda mais nesse período de confinamento, medos, apreensão, incertezas. Termos um profissional hábil para nos dar um suporte nesses momentos, é algo confortante e imprescindível para os pacientes que necessitam de terapia”.

Maria Claudia Gomes da Silva Santos, paciente do ambulatório de Obesidade: “para mim o atendimento por telefone está sendo fundamental, pois eu não estou sendo desassistida e me ajuda a esclarecer algumas dúvidas e não ficar com pensamentos bobos na cabeça. Ajuda a manter o controle da ansiedade. Para mim é bom conversar com uma outra pessoa que não seja nem amigo e nem familiares”.

Vanessa Pereira Caldas, paciente do ambulatório de Diabetes Mellitus tipo 1: “No início da pandemia, fiquei com muito receio e me sentindo desprotegida pois tinha muitas informações e a maioria dessas se contradiziam, mas no momento que comecei a ter o teleatendimento da psicologia me ajudou demais, os exercícios respiratórios, me fez voltar a ser racional e observar as minhas necessidades, diminuindo a minha ansiedade e fazendo com que minha glicemia ficasse mais controlada. Acho super favorável esse atendimento e espero pela continuidade dele. Não percebi diferença de estar frente a frente ou pelo telefone. Muito obrigada Ana Emília, por se manter presente com muito profissionalismo e vontade de ajudar nesse momento.”

Carlos Gabriel Jesus Machado, paciente do ambulatório de Diabetes Mellitus tipo 1: ” Acho que mesmo não sendo o atendimento presencial, o paciente consegue ter uma noção do quão importante o tratamento e, afinal o psicoterapeuta que lhe atende está tentando ajudar, está conversando com ele, coisa que por mais que ele tenha contato com familiares ou amigos e que surja uma conversa mais séria sobre como o paciente em questão está, acredito que nunca vai ser algo profissional, algo mais especifico como numa conversa com o psicoterapeuta, e essa expansão do serviço, se tornando via telefone, ajuda bastante”.

DICAS PARA ENFRENTAR A PANDEMIA

A psicóloga Ana Emília mostra que os problemas causados pela pandemia atingem toda a sociedade. “Na realidade brasileira que não se tem histórico recente de guerras, pandemias e desastres naturais, a pandemia da COVID é uma situação inusitada para toda a população. A pandemia pela COVID-19 e as medidas de distanciamento social provocam uma ruptura da rotina de vida dos sujeitos, envolvendo a interrupção de várias rotinas: social, laboral, acadêmica e de lazer, afetando as diversas áreas da vida, o que pode dificultar uma resposta mais funcional no comportamento das pessoas”, pontua.

Além disso – observa – impõe uma rotina restrita ao domicílio, obrigando o convívio familiar de forma mais intensa o que pode favorecer em muitos contextos familiares, acirramento dos conflitos familiares e conjugais, fragilizando ainda mais a capacidade de criar novas estratégias de enfrentamento e adaptação a esta nova realidade.

E mais: a situação de perdas financeiras junto com o cenário de crise econômica favorece um contexto de instabilidades e tensões, desfavoráveis à saúde mental da população.

De modo geral – orienta a psicóloga do Cedeba – é importante se desligar de notícias sobre a Pandemia que podem aumentar os sintomas de ansiedade, medo e o estresse, desorganizando a saúde mental. Este momento nos convoca a usar a criatividade para realizar adaptações na rotina de vida, assim como criar e utilizar recursos de auto-cuidado, respeitando o que para cada um individualmente faz mais sentido e é mais satisfatório. Assim como, buscar atividades que gerem prazer, manter uma rotina que envolva atividades de auto-cuidado que tragam sensação de bem-estar físico e mental, como escutar músicas, dançar, leitura, jogos em família, ver filmes de comédia ou com conteúdo leve, executar trabalhos manuais, pratica de exercício físico em casa mesmo.

Também é importante, segundo a psicóloga, passar a usar os recursos tecnológicos, para fazer contato com familiares e amigos e, assim, diminuir a sensação de isolamento e solidão. “Vale ressaltar sobre a importância em se respeitar as medidas de distanciamento social e as recomendações de cuidados com a higiene que se constituem nas medidas que são possíveis cada um realizar nas suas rotinas e mais eficazes para o controle da contaminação pela COVID-19”, orientou.

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