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Pé diabético: Cedeba associa Telemedicina a atendimento presencial

23/07/2020 09:23

Usuários do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) com pé diabético, uma das graves complicações do diabetes e mais frequente nos pacientes que não mantêm a glicemia sob controle, vêm tendo atenção especial durante a pandemia. Além do atendimento pela Telemedicina, os casos mais graves contam com atendimento presencial, mesmo com a suspensão das consultas nos ambulatórios em geral. São feitos curativos e encaminhamentos para unidades de alta complexidade da Sesab. “Tudo foi bem pensando no nosso planejamento para esse momento tão desafiador e inusitado”, pontua a diretora do Cedeba, Reine Chaves. A líder do Ambulatório do Pé Diabético, a cirurgiã vascular Monique Magnavita, mostra como o serviço vem funcionando.

O atendimento de Angiologia (Ambulatório do Pé Diabético) na pandemia, embora predominantemente pela Telemedicina, faz atendimento presencial nos casos de feridas mais graves?
Monique Magnavita: Sim. O telemonitoramento, além de permitir o acompanhamento e orientação remotos, permite a identificação de situações de gravidade que necessitam de avaliação presencial. Esse tipo de atendimento evita que muitos pacientes precisem ir até uma emergência para tratar das suas condições agudas.

Como é feita a avaliação? Pela análise de fotos, por chamada de vídeo?
MM: Os pacientes que teriam consulta presencial na data agendada são contatados por telefone. É feita a pesquisa sobre queixas, presenças de feridas e sintomas de síndrome gripal que possam configurar um quadro de Covid. Pacientes que referem alguma alteração ou ferida enviam fotos pelos celular para avaliação da imagem. Os quadros mais graves são convocados para avaliação presencial com as devidas medidas de segurança sanitária. Os mais estáveis seguem em acompanhamento mais frequente por telefone e aplicativo de mensagens. Quando há dificuldade de comunicação pelo aplicativo, a chamada de vídeo também é uma possibilidade.

Em Angiologia, os profissionais ligam para os pacientes no dia da consulta como nos demais ambulatórios?
MM: Também fazemos a busca ativa dos pacientes que tiveram registro de realização de procedimentos e/ou curativos nos últimos três meses antes da pandemia, mesmo que estes não tenham consulta agendada no dia.

Quais os números do atendimento (presencial e Telemedicina) nos últimos três meses?
MM: Entre atendimentos presenciais, ligações telefônicas e mensagens no aplicativo do celular, pudemos monitorar cerca de 500 pacientes até o presente momento.

Com o isolamento social deixando as pessoas mais sedentárias, há maior risco de problemas circulatórios para os diabéticos?
MM: Por um lado, a falta de exercícios pode dificultar o controle glicêmico e piorar o status funcional de alguns pacientes. Mas por outro lado, o distanciamento social pode permitir a cicatrização de feridas que demandam repouso como medida de tratamento.

O que os diabéticos e a população em geral devem fazer para reduzir o risco de problemas circulatórios na pandemia?
MM: Tentar manter o plano de tratamento, que inclui alimentação adequada, uso regular de medicamentos e alguma atividade física, mesmo que sejam apenas alongamentos, na medida do possível.

O atendimento presencial tem sido direcionado apenas para curativos do pé diabético ou têm surgido situações graves em que os pacientes são encaminhados para hospitais especializados?
MM: O atendimento presencial tem priorizado situações mais graves como úlceras complicadas e isquemia grave. A maior parte das situações tem sido contornada apenas com medidas ambulatoriais. Mas nas situações em que são necessários procedimentos de alta complexidade, o paciente é referenciado para a rede hospitalar. Alguns serviços foram pactuados entre o Cedeba e os hospitais para que o paciente seja atendido imediatamente, sem precisar vagar pela rede de saúde por conta própria.

Qual a expectativa do uso da Telemedicina em Angiologia na reabertura do Cedeba?
MM: A Telemedicina, a despeito das limitações, sobretudo nas populações sem acesso à tecnologia, tem se mostrado uma ferramenta útil para melhorar o seguimento dos pacientes e diminuir as distâncias, evitando que algumas pessoas se desloquem de muito longe para serem atendidas. Num estado grande como nosso, no qual há carência de especialistas, sobretudo no interior, essa tecnologia pode representar um ganho bastante significativo. Entretanto, é necessário fortalecer as instituições e a sociedade para que possam se apropriar da tecnologia de forma mais equânime possível.

Ascom do Cedeba

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