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Semana Nacional da Leishmaniose estimula ações educativas e preventivas

10/08/2020 15:07

O Dia Nacional de Combate e Controle da Leishmaniose é celebrado anualmente em 10 de agosto. A data foi oficializada e inserida no calendário oficial brasileiro através da Lei federal Nº 12.604 e tem o objetivo estimular ações educativas e preventivas para conscientizar a sociedade brasileira sobre leishmanioses e alertar a população para os riscos e cuidados com a doença, além de promover discussões sobre as políticas públicas de vigilância e controle da zoonose.

As leishmanioses são um conjunto de doenças causadas por mais de 20 espécies de leishmania. Essa zoonose tem como agente etiológico, nas Américas, o protozoário do gênero leishmania, que é transmitida pela picada da fêmea de diferentes espécies de insetos vetores denominados flebotomíneos (mosquito palha). As suas manifestações variam de lesões ulceradas simples e autolimitadas na pele, até uma doença visceral com manifestações graves.

Leishmaniose Visceral

A leishmaniose visceral é uma doença infecciosa que acomete os animais e o homem. Essa zoonose tem como agente etiológico, nas Américas, o protozoário do gênero Leishmania infantum chagasi. O principal reservatório do parasita em áreas urbanas no Brasil é o cão. O parasita é transmitido aos seres humanos e aos animais por meio do repasto sanguíneo de fêmeas infectadas do inseto denominado flebótomo (mosquito palha).

Entre os sintomas os mais comuns estão febre, emagrecimento, palidez e hepatoesplenomegalia. O período de incubação, no homem, é de 10 dias a 24 meses, com média entre 2 e 6 meses, e, no cão, varia de 3 meses a vários anos, com média de 3 a 7 meses.

Na Bahia no período de 2008 a 2020 foram registrados 4.023 casos novos confirmados de leishmaniose Visceral (média de 309,5 casos ao ano). Os anos com maiores incidências foram 2014 (3,4 casos por 100 mil habitantes), 2010 (3 casos por 100 mil habitantes), 2009 (2,6 casos por 100 mil habitantes) e 2011 (2,6 casos por 100 mil habitantes). Neste período também foram registrados 250 óbitos, representando uma taxa de letalidade de 6,0%.

A letalidade do agravo sugere que o diagnóstico é tardio e há necessidade de investigação da qualidade e da agilidade da assistência à saúde na prevenção dos óbitos. A Organização Panamericana da Saúde (OPAS) e Ministério da Saúde e a Secretaria Estadual de Saúde vem avançando na tentativa de redução de letalidade da LV, investindo na detecção precoce dos casos humanos (implantação de teste rápido para LV), elaboração do manual de recomendações clínicas para redução da letalidade, com o intuito de aprimorar o manejo clínico e terapêutico do agravo.

Leishmaniose Tegumentar

A Leishmaniose Tegumentar é uma doença infecciosa, não contagiosa, que provoca úlceras na pele e mucosas. A doença é causada por protozoários do gênero Leishmania. No Brasil, há sete espécies de leishmanias envolvidas na ocorrência de casos de LT. As mais importantes são: Leishmania (Leishmania) amazonensis, L. (Viannia) guyanensis e L.(V.) braziliensis.

Os sintomas da Leishmaniose Tegumentar (LT) são lesões na pele e/ou mucosas. As lesões de pele podem ser únicas, múltiplas, disseminada ou difusa. Elas apresentam aspecto de úlceras, com bordas elevadas e fundo granuloso, geralmente indolor. A lesões mucosas são comuns na boca, nariz e garganta.

A Leishmaniose Tegumentar é uma doença de notificação compulsória, portanto, todos os casos confirmados devem ser notificados, obrigatoriamente, às autoridades de saúde, utilizando-se das fichas de notificação e investigação, conforme Portaria SESAB nº 1.290 de 09 de novembro de 2017.

O agravo possui ampla distribuição e expressão endêmica/ hiperendêmica no estado da Bahia, representando os maiores coeficientes de incidência do país. No período de 2008 a 2020 foram registrados 35.025 casos novos confirmados de leishmaniose Tegumentar (média de 2.694 casos ao ano). Os anos de maiores incidências foram 2010 (33,9 casos por 100 mil hab), 2012 (30,8 casos por 100 mil hab), 2011 (26,7 casos por 100 mil hab) e 2009 (23,7 casos por 100 mil hab). Os casos novos (confirmados em 2019) concentram-se, principalmente, na Região Sul do estado, importante área endêmica de LTA, que representa um dos circuitos espaciais de produção da doença com importância epidemiológica histórica no Brasil.

As leishmanioses continuam sendo um desafio para os programas Nacional e Estadual, pois requer integração intersetorial e esforço técnico político para desenvolvimentos de vigilância, prevenção e controle robustos. Além disso, o controle da doença é um desafio, pois nas Américas existem diversos ciclos, diferentes espécies de leishmanias e de vetores transmissores da doença.

As medidas de prevenção individual englobam medidas de proteção individual, como usar repelentes e evitar a exposição nos horários de atividades do vetor (crepúsculo e noite) em ambientes onde este habitualmente possa ser encontrado. As medidas de proteção coletiva englobam obras de saneamento para eliminação de criadouros do vetor, limpeza das margens dos criadouros, melhoria da moradia e das condições de trabalho.

Principais documentos técnicos sobre prevenção e controle das Leishmanioses:
Guia de Vigilância em Saúde – Volume único
Leishmaniose Visceral – Recomendações clínicas para redução da mortalidade
Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral
Manual de recomendações para diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com a coinfecção Leishmania-HIV
Manual de procedimientos para vigilancia y control de las Leishmaniasis en las Américas
Secretaria da Saúde do Estado da Bahia – Leishmaniose Visceral
Ministério da Saúde – Leishmaniose Visceral
Ministério da Saúde – Leishmaniose Tegumentar

Fonte: Suvisa

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