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ICOM participa de primeiro estudo brasileiro com crianças e adolescentes com Covid-19

29/09/2020 09:17

Pesquisa realizada com 79 pacientes pediátricos graves com Covid-19 revelou dados muito similares a estudos já publicados em outros países. As crianças e adolescentes mais vulneráveis para o agravamento da doença foram aquelas portadoras de comorbidades prévias, nas quais predominaram doenças neuromusculares (28%), principalmente encefalopatia não progressiva. Outras comorbidades, como doença respiratória crônica, doença onco‐hematológica, doença cardíaca congênita e desnutrição, também foram prevalentes. A mortalidade foi de 3%, dentro dos parâmetros já apresentados em outros países que é de 0 a 4%.

Os sintomas mais frequentes foram febre (76%), tosse (51%) e taquipneia que é respiração acelerada (50%). Dos 79 pacientes, 10 apresentaram síndrome inflamatória multissistêmica, que tem características parecidas com as de outras patologias inflamatórias pediátricas: febre alta e persistente, diarreia e dor abdominal, erupções cutâneas em todo o corpo e irritação das membranas mucosas, edema de mãos e pés e cefaleia. Em alguns casos, também podem ocorrer manifestações cardiológicas. Nos pacientes com a Covid-19 que participaram do estudo, aqueles com a síndrome inflamatória multissistêmica apresentaram também sintomas gastrointestinais graves e marcadores inflamatórios mais elevados.

Síndrome inflamatória multissistêmica

A médica pediatra do ICOM Vivian Botelho explica que “a síndrome inflamatória multissistêmica é uma condição nova, que necessita de mais estudos, especialmente aqui no Brasil. Estamos participando de outros estudos que tratam especificamente desta apresentação e em breve serão publicados. Embora esses casos descritos tragam preocupação em relação a uma característica nova, aguda e grave da Covid-19 em crianças e adolescentes, vale ressaltar que tais ocorrências foram raras até o momento.”

O estudo foi realizado em 19 unidades de terapia intensiva em diversos hospitais do Brasil, públicos e particulares, entre eles o ICOM. A média de idade das crianças foi de 4 anos, com pacientes entre 1 mês e 19 anos. A idade inferior a um ano não foi associada a um pior prognóstico. O tempo médio de internamento na UTI foi de cinco dias e 18% necessitaram de ventilação mecânica invasiva. Nos pacientes avaliados na pesquisa foram usados antibióticos, oseltamivir e corticosteroides em 76%, 43% e 23%, respectivamente, os pacientes não receberam hidroxicloroquina.

Pacientes pediátricos tratados no ICOM

Vivian Botelho Lorenzo diz que até o momento não existe nenhuma medicação específica que tenha evidência para o tratamento da Covid-19 em pacientes pediátricos. “O tratamento utilizado consiste em realizar controle da sintomatologia. É o que tem sido feito nos grandes centros de referência desde o início da pandemia, tanto aqui no Brasil quanto no restante do mundo. Nos casos específicos da síndrome inflamatória multissistêmica, acompanhando os relatos mundiais, temos utilizado imunoglobulina humana, aspirina e algumas vezes corticóides associados. Todos os nossos casos de pacientes com síndrome inflamatória multissistêmica internados no ICOM, até o momento, tiveram uma boa resposta ao tratamento. Todos receberam alta hospitalar, sem sequelas aparentes da doença. Em razão da gravidade destes casos, o encaminhamento a centros terciários de referência deve sempre ser considerado”, alerta a pediatra.

Fonte: ICOM

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