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Semana da Criança sem comemoração no Cedeba

07/10/2020 11:15

Uma Semana da Criança inusitada na história dos 26 anos do Cedeba, em razão do distanciamento social exigido para o controle da Covid19. As atividades sempre programadas para mostrar que criança e adolescente com diabetes podem ter vida normal, como destaca a líder do Setor Infanto-Juvenil (SIJU) a endócrino pediatra, Lívia Leite, este ano não serão realizadas.

Como o atendimento presencial está limitado a 30 por cento – a pandemia continua, daí a necessidade de proteger os pacientes, como ressalta a diretora do Cedeba, Reine Chaves – ė pequena a presença de crianças e adolescentes no Centro de Referência.

Mesmo com a assistência assegurada virtualmente, com o acompanhamento de exames e ajuste de insulina (no caso de pacientes diabéticos) crianças e adolescentes sonham com a volta do pleno atendimento presencial.

Até quem vem de muito longe, sonha com a volta à normalidade.Esse é caso de Maria Cecília Santos Neves,10 anos, moradora de Tanque Novo, no Sudoeste baiano, 714 km de Salvador.

São 15 horas de ônibus, segundo Teresa Queiroz Santos, mãe de Cecília. A filha ficou diabética aos seis anos e o acompanhamento no Cedeba “tem sido muito importante. Minha filha põe em prática tudo o que aprende no Cedeba. Além dos cuidados com a alimentação, aplicação de insulina, me pede todos os dias para fazer caminhada”.

Hoje Teresa está bem, mas o diagnóstico do diabetes foi muito difícil. “Minha filha desmaiou na escola e de lá foi para o hospital, onde foi diagnosticado o diabetes”. Teresa não gosta das perguntas que lhe fazem: “Tão novinha e com diabetes? Ela comia muito doce?”

O diabetes mellitus tipo 1 (criança e adulto jovem) geralmente se manifesta de forma abrupta, como aconteceu com Cecília, explica Lívia Leite. E não acontece por causa do consumo de doces. Trata-se, segundo explicou a especialista, de doença metabólica autoimune. Ao se manifestar, o pâncreas já não produz o hormônio insulina. O paciente terá que usar insulina para sempre. Por toda a vida.

Foco no autocuidado

No Cedeba, crianças e adolescentes, de forma lúdica, sob a orientação da pedagoga Ceiça Cristo, reforçam os ensinamentos do médico e da nutricionista.

Na Brinquedoteca, aprendem a contar carboidratos, a partir do plano alimentar definido pela nutricionista. Por esse caminho, as refeições podem ser variadas, evitando a monotonia do cardápio. Além de contar carboidratos, na brinquedoteca – continua sem funcionar por causa da pandemia- crianças e adolescentes contam com atividades que fortalecem o auto – cuidado, por meio de filmes e rodas de conversa.

As crianças também podem relaxar com leitura ou simplesmente manifestando suas emoções com desenhos e pinturas. E a falta desse ambiente, agora na pandemia, faz bater saudade, como acontece com Anylara Silva Gomes,11 anos, residente em Cansanção, no sertão da Bahia. “Ela gosta muito do Cedeba e sente falta”, conta Andrea Lima da Silva, mãe de Anylora, diabética desde os quatro anos.

Na primeira consulta presencial depois da pandemia, Érica Ribeiro, de 11 anos, era a cara da felicidade. Residente em Salvador, no bairro de Castelo Branco, estava com a mãe, Sueli Ribeiro. Mas sentiu falta da brinquedoteca “onde eu aprendo sobre diabetes, também me distraio com os jogos e porque conheço outras crianças com diabetes”.

Entendendo o DM1

Trata-se de uma doença metabólica auto-imune, que destrói as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Embora o DM1 seja mais frequente na faixa dos 10 aos 14 anos, pode atingir crianças de qualquer idade, inclusive bebês. O DMI representa 90% dos casos de diabetes na infância, embora os casos de diabetes tipo 2 venham aumentando na infância e na adolescência, em razão do crescimento da obesidade, explica Lívia Leite

Geralmente a identificação dos casos de DM1 acontece de forma abrupta com o paciente sendo internado num quadro de emergência. Mas há sinais que podem indicar a presença de DM1. A criança sente mais sede, urina mais, sente mais fome, mas perde peso. Pode também, segundo explicou a especialista, apresentar visão turva, fadiga, dor abdominal aguda e infecções fúngicas

Ascom do Cedeba

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