Notícias /

Quem vence a luta contra a obesidade ganha vida nova

04/03/2021 18:37

Hoje, Dia Mundial da Obesidade, pacientes do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) que conseguiram vencer a luta contra a obesidade mostram as mudanças nas suas vidas, os problemas que enfrentaram, como ouvir piadas e insultos. Dificuldades para comprar roupas, estereótipos e preconceitos: preguiça e falta de vontade. Dentre os vários livros que trazem dietas milagrosas para emagrecer, isso fica claro no título da publicação “Só é Gordo quem Quer”. A obesidade, doença crônica e multifatorial, é tão complexa que exige tratamento multidisciplinar como oferece o Cedeba, por meio do Núcleo de Obesidade.

Quando o motorista de ambulância Adão Andrade Damasceno, 43 anos, transporta pacientes com obesidade em estado grave por causa da COVID 19, passa um filme na sua cabeça que faz aflorar o sentimento de gratidão. Até oito anos atrás, ele pesava 195 kg. Com, 1,76 m de altura, conseguiu reduzir 62 quilos após a cirurgia bariátrica que realizou há oito anos, mas continua vigilante por ter aprendido no Cedeba que a cirurgia não opera milagre.

Na pequena cidade de Itatim, a 215 km de Salvador, Adão leva hoje uma nova vida. “Agradeço à equipe do Cedeba que me deu a chance de ter expectativa de uma vida nova porque dois anos antes da cirurgia fui preparado pela equipe multidisciplinar para encarar as mudanças. “E foram muitas. Aprendeu o caminho da alimentação saudável e dos exercícios físicos regularmente.

Adão Andrade Damasceno sempre conviveu com a obesidade. Nasceu com 5,2 quilos. Mas antes da cirurgia, quando já estava perto dos 200 quilos, enfrentava limitações na sua rotina. Nem os sapatos conseguia amarrar, dormia mal, tinha hipertensão (com a perda do peso o problema acabou). No trabalho – é funcionário concursado há 22 anos – era difícil dirigir porque o volante pressionava o abdome. O cinto de segurança também trazia desconforto.

Disciplina é a chave do sucesso de Adão. Não falta às consultas, segue o plano alimentar definido pela nutricionista Lorenna Fracallossi, “profissional fantástica”, avalia. Antes da cirurgia, no cardápio, só alimentos pesados: buxada, mocotó. E sem limite de quantidade. Hoje as saladas e as frutas ocupam espaço importante no prato de Adão, que também cortou refrigerantes.

Qualidade de vida

Para Marinei Vitoria Macedo, 52 anos, residente em Salvador, no bairro de Pernambués, a redução do peso com a cirurgia bariátrica trouxe-lhe qualidade de vida. Com 1,53 m de altura, pesava 86 quilos. E tinha muitos problemas de saúde: diabetes tipo 2, de difícil controle, exigindo a aplicação de insulina, além da hipertensão. Fez a cirurgia há pouco mais de dois anos, mas há quatro anos começou o tratamento no Cedeba, para onde foi encaminhada pelo Posto Adriano Pondé, no bairro de Amaralina.

Na avaliação de Marinei, o encaminhamento para o Cedeba fez toda a diferença em sua vida . “Foi um presente de Deus que mudou a minha vida”, disse. Depois da perda do peso, a glicemia, que chegava a 280, está normal e sem uso de medicamentos, bem como a pressão arterial. “O tratamento no Cedeba foi como se eu encontrasse a luz no fim do túnel”, destacou.

Paciente da endocrinologista Teresa Arruti, que disse adorar, Marinei sente-se acolhida mesmo agora na pandemia com o atendimento pela Telemedicina, mas gosta mais do atendimento presencial, porque os profissionais nos atendem com um grande sorriso.

Mas as conquistas não param por aí. A autoestima aumentou. “Passei a me curtir mais porque agora as roupas ficam legais em mim. Antes eu me sentia um saco amarrado”, afirma. Mas conta que segue à risca as orientações da equipe multidisciplinar do Núcleo de Obesidade do Cedeba. Faz caminhadas, obedece o plano alimentar, toma os suplementos vitamínicos.

Difícil caminhar

Até fazer a cirurgia bariátrica a cozinheira Neusa Maria Maria do Rosário fez uma longa caminhada porque precisou operar o joelho que já era afetado pela artrose e, para completar, sofreu um acidente de ônibus, que lhe causou problemas psicológicos e por isso teve que esperar para fazer a cirurgia bariátrica. O suporte psicológico do Cedeba foi muito importante, ao ressaltar o trabalho de Dra. Aline.

Com 1,55 m de altura, antes da cirurgia de redução do estômago pesava 117 kg. Atualmente está com 85 kg e não conseguiu reduzir mais porque o joelho não lhe permite fazer exercício físico. No Cedeba desde 2014, somente há um ano teve condições de ser submetida à cirurgia bariátrica.

Natural de Lamarão, veio para Salvador aos 12 anos, onde a infância foi roubada para trabalhar cuidando de crianças. Vida dura. Neusa nunca foi magra, mas era considerada cheinha. Mas a partir dos 27 anos, começou a engordar. E só depois da cirurgia conseguiu reduzir o peso. Hipertensa desde os 12 anos, tinha crise fortes que a levavam à emergência. E com a obesidade o problema se agravou. Também estava pré-diabética. Agora os dois problemas foram resolvidos e Neusa nem toma remédio.

Neusa se sente muito feliz com as mudanças na saúde e no corpo. “Antes da cirurgia era difícil encontrar roupas. Eu usava manequim 56. Agora, 46 ou 48. Por isso, meu sentimento de gratidão à equipe do Cedeba”, pontua. Na pandemia vem sendo atendida por telefone, e-mail ou whatsapp. Mas não esconde sua alegria com a primeira consulta presencial com a nutricionista marcada para o dia 24 de março.

Sem bariátrica

A técnica de Enfermagem Morgana Lívia Almeida de Queiroz, 41 anos, está na linha de frente da COVID-19 em Valença, município do Baixo Sul da Bahia. Ela admite que o estresse do trabalho tem dificultado o seu propósito de continuar perdendo peso porque não pretende fazer cirurgia bariátrica. Além de trabalhar, também tem convido com casos de COVID- 19 na família.

Com 1,70 m de altura, já pesou 140 quilos, mas atualmente está com 128. Morgana sempre foi gordinha, mas a obesidade tornou- se problema depois da gravidez, há 10 anos.

O ingresso no Cedeba, segundo Morgana, foi muito importante. “Além da qualidade do atendimento, temos a oportunidade de constatar que há casos piores que o nosso. E isso nos anima, faz aumentar a esperança”.

Ascom do Cedeba

Notícias relacionadas