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Atenção Básica de Saúde é primordial para o rastreamento e acompanhamento do diabetes

08/04/2021 17:31

Em 2019, o mundo reunia 463 milhões de pessoas com diabetes, mas a estimativa para os próximos 25 anos é de um aumento de 51%, com 700 milhões de casos. No entanto, 50% das pessoas com diabetes no mundo – 232 milhões – ainda não foram diagnosticadas. Com 16,8 milhões de diabéticos, o Brasil lidera o ranking na América Latina e ocupa o quinto lugar no mundo.

O crescimento do diabetes guarda relação com o crescimento e envelhecimento populacional, maior urbanização, crescente prevalência da obesidade, sedentarismo e maior sobrevida das pessoas com diabetes. O diabetes mais presente na população – entre 90% a 95% – é do tipo2. O tipo 1 (criança, adolescente e adulto jovem) representa entre 5% e 10%.

As estatísticas são do Atlas do Diabetes da International Diabetes Foundation (IDF) e foram apresentadas pela endocrinologista e professora aposentada da UFBA, Iraci Lucia Costa Oliveira, na webpalestra sobre “Pré-Diabetes e Diabetes Mellitus – o que dispomos para o Diagnóstico no Sus”, tema da primeira sessão temática de 2021. Iniciativa do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), por meio da Coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (Codar), em parceria com o Telessaúde, e tendo como público-alvo os profissionais da Atenção Básica de Saúde (ABS), as webpalestras estão garantindo o trabalho de educação continuada que o Cedeba desenvolve, antes realizado com sessões presenciais que lotavam o auditório do Centro de Atenção à Saúde (CAS), mas interrompidas com a pandemia da Covid-19.

Papel da Atenção Básica de Saúde

A Atenção Básica de Saúde (ABS) tem um papel primordial na tarefa do rastreamento e acompanhamento do diabetes, como destacou a palestrante. “A escuta do médico, procurando identificar os fatores de risco para diabetes é muito importante e antecede a realização de exames. Os exames que fecham o diagnóstico de diabetes – os mesmos em todo o mundo – são simples e garantidos pelo Sistema Único de Saúde. O ideal é identificar os casos de pré-diabetes (estágio que precede o diabetes), que pode ser controlado com mudanças no estilo de vida – alimentação e exercícios físicos principalmente – para evitar o diabetes”, explicou a palestrante.

Segundo a especialista, como o diabetes traz complicações, a exemplo de retinopatia diabética (que pode levar à cegueira), nefropatia renal, doença cardiovascular, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e neuropatia diabética (que pode levar a amputações não-traumáticas nas extremidades), “o sistema de saúde deve enfatizar o cuidado da pessoa com diabetes e não o diabetes em si”.

“A ABS trabalha na prevenção de doenças. Portanto, é muito importante a prevenção do diabetes e do pré-diabetes com ações de rastreamento por meio das Unidades Básicas de Saúde e do Programa de Saúde da Família, identificando os fatores de risco. É preciso vencer a inércia do diagnóstico e do tratamento do diabetes”, afirmou Iraci Lucia Costa Oliveira.

A endocrinologista defende que, em vez de feiras de saúde para fazer glicemia capilar (ponta de dedo) nos municípios, aleatoriamente, a ABS deve fazer ações de prevenção focadas na busca de estilo de vida saudável e fazer o rastreamento dos casos de diabetes com base nos fatores de risco. Pessoas com familiares de primeiro grau com diabetes, presença de sobrepeso ou obesidade, dislipidemias, colesterol e/ou triglicérides elevados precisam ter atenção especial com o pré-diabetes.

“Alimentação saudável, que não deve ser entendida como dieta, bem como atividade física regular (três vezes por semana) são muito importantes. O avanço da idade também tem que ser observado, porque o risco vai aumentando depois da quarta década”, ressaltou a especialista.

Glicemia de jejum entre 100 e 125 e hemoglobina glicada (exame que indica a média da glicemia dos últimos três meses) entre 5.7 e 6.4: esses números são indicativos de pré-diabetes, estágio que antecede o diabetes tipo 2, mas com mudanças no estilo de vida para sempre, é possível não evoluir para o diabetes. A endocrinologista mostrou, também, os padrões normais da glicemia: de jejum (menor que 100), glicemia em qualquer horário menor que 200. No Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG), duas horas após a ingestão de 75 g de glicose, glicemia menor do que 140. E o padrão ouro de avaliação da glicemia, a hemoglobina glicada, até 5,6%.

Educação é o caminho

Durante a webpalestra, a endocrinologista explicou com detalhes a evolução do tratamento medicamentoso do diabetes, os medicamentos disponibilizados pelo SUS, mas observou que o sucesso do tratamento passa pela educação. “O medicamento mais avançado não manterá o diabetes sob controle se não houver mudança de estilo de vida: suspender o cigarro, plano alimentar adequado, exercícios físicos, manter o peso adequado e usar os medicamentos segundo a orientação médica”, pontuou.

Ascom do Cedeba

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