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ICOM publica Boletim Epidemiológico de 2020

08/04/2021 17:59

O Boletim Epidemiológico fez uma análise retrospectiva dos internamentos no ICOM no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2020, ano considerado pela Organização Mundial de Saúde como sem precedentes na história de enfrentamentos de crises sanitárias. O estudo analisou 2.252 pacientes internados no ICOM por Síndrome Respiratória Aguda Grave, o que representou 5,6% do total de notificações na Bahia. Este percentual situa o ICOM entre as principais unidades notificadoras, considerando todos os equipamentos assistenciais (hospitais, UPAS, dentre outras).

A análise dos dados mostrou que houve um incremento de 21% no número total de pacientes internados no segundo semestre, quando comparado com os primeiros seis meses do ano. Além disso, o estudo identificou que o vírus se espalhou pela Bahia, passando de 67 para 220 o número de municípios com pacientes atendidos pelo ICOM, entre o primeiro e o segundo semestre, respectivamente, o que representou mais da metade do total de cidades do Estado.

Evolução positiva

A evolução positiva foi a queda na letalidade da doença que sofreu uma redução de 25% de um semestre para o outro. No primeiro, o número de óbitos foi de 251, com 40,5% de letalidade, e no segundo foi de 225, com 30,4% de letalidade. Os casos graves que necessitaram de ventilação mecânica tiveram uma redução de 12% do primeiro para o segundo semestre. Estas duas evoluções positivas podem estar relacionadas, inicialmente, ao desenvolvimento do conhecimento sobre as melhores terapêuticas para o tratamento da Covid-19.

Os três principais sintomas apresentados pelos pacientes foram tosse, dispneia e febre, mas também foram citados, com alguma frequência, perda do olfato, perda do paladar, fadiga e diarreia. As comorbidades se mostraram como fator de risco em 72% dos casos, sendo o primeiro lugar ocupado pelas doenças cardiovasculares (incluindo a hipertensão), seguida de diabetes e obesidade

A análise dos dados

O Boletim Epidemiológico elaborado pelas sanitaristas integrantes do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia (NHE) do ICOM, Marcela Muhana e Shirley Cruz abordou com ênfase os casos graves, buscando contribuir para responder uma série de questões sobre a pandemia: qual o perfil de morbimortalidade dos casos de Síndrome Respiratória Aguda no ICOM em 2020? Quais as características clínicas dos casos internados? Quais fatores estão relacionados com a gravidade e/ou os óbitos decorrentes da doença? O que mudou entre o primeiro e o segundo semestre no enfrentamento da epidemia?

Para que se tenha respostas a todas estas perguntas ainda existem muitas pesquisas em andamento, mas o boletim já traz uma primeira aproximação que pode fornecer algumas pistas. O estudo descreve e analisa o perfil sociodemográfico e de morbimortalidade dos casos relacionados à epidemia no âmbito hospitalar, no ano de 2020.

A maioria dos pacientes foi composta por adultos, sexo masculino, da raça /cor negra (pretos e pardos) e residentes em Salvador. A mediana de idade foi de 50 anos, variando de 0 a 108 anos. Já a estratificação por faixa etária revela que o maior número de internamentos ocorreu nas faixas de 0-9 anos e 60-69 anos.

Uma única onda

O pico de internamentos ocorreu na primeira quinzena de junho e voltou a aumentar na segunda quinzena de novembro. Embora tenha sido registrado um intervalo de redução, o hospital apresentou uma média crescente de ocupação, indicando que não houve um movimento de ondas seguidas – nem aqui e nem no Brasil – ou seja, nunca houve a saída da primeira onda.

No que se refere à gravidade, observou-se que a maioria dos casos internados por Covid-19 foram considerados graves e necessitou de cuidados intensivos em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Além disso, 71% dos casos fizeram uso de algum tipo de suporte ventilatório, sendo que 27% foram invasivos, como a intubação.

Em 2021: aumento de casos e agravamento entre os jovens

A sanitarista Shirley Cruz destaca que o estudo com a análise e apuração dos dados é importante porque permite, além das percepções e opiniões dos profissionais de saúde, que se tenha os dados que geram informação mais fidedigna. Nesse estudo em particular, os dados de 2020 indicam que as pessoas mais vulneráveis ao agravamento da doença permaneceram os idosos com comorbidades. A percepção de que havia um deslocamento para faixas mais jovens não se confirmou como tendência em 2020 entre os pacientes atendidos no ICOM.

Já a análise preliminar do primeiro trimestre de 2021, mostra uma tendência de aumento exponencial no número geral de internamentos em relação ao ano anterior com uma alteração na faixa etária. Entre 1º de janeiro e 7 de abril, o internamento de jovens e adultos já representa 54,5% dos casos desta faixa etária internados em todo o ano de 2020. Enquanto, os idosos, atualmente, somam 49% dos internamentos deste mesmo período.

A faixa etária de 20 a 59 anos, adultos e adultos jovens, estão igualados aos idosos, acima de 60 anos, em 2021, 317 e 318 casos, respectivamente. Esses dados, sugerem uma tendência de inversão na gravidade da Covid-19, no que se refere à idade dos pacientes. A análise destes dados permite aos gestores planejar as ações de prevenção e avaliar quais grupos precisam ser priorizados

Para ter acesso ao boletim completo, clique aqui.

Fonte: ICOM

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