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Da febre amarela à Covid-19: Couto Maia completa 168 anos de dedicação à saúde dos baianos 

09/04/2021 10:03

Neste 9 de abril, o Instituto Couto Maia (ICOM), originalmente Hospital Couto Maia, completa 168 anos de fundação. Ao longo de três séculos, a unidade sempre foi referência no atendimento a pessoas com doenças infectocontagiosas e, atualmente, atende exclusivamente pacientes com o diagnóstico do coronavírus.

O Hospital Couto Maia foi fundado em 1853 pelo presidente da província da Bahia, João Maurício Wanderley – o Barão de Cotegipe, preocupado em atender os doentes infectados pela febre amarela que vinham nos navios mercantes nacionais e estrangeiros até o Porto de Salvador. De lá, eles eram levados até o hospital de Isolamento no alto da Ponta de Humaitá, em frente à Igreja do Monte Serrat.

Pela sua localização geográfica, longe do povoado centro urbano, foi importante estrutura de apoio e tratamento de pacientes nas epidemias de cólera e varíola, nos séculos XIX e da peste bubônica e da gripe espanhola no século XX. Se tornou referência no atendimento de pessoas com HIV/AIDS e no tratamento da síndrome de Guillain-Barré, por infecção do Zika vírus.  Há quase 3 anos, a sede foi transferida para uma estrutura mais ampla e moderna no bairro de Águas Claras e passou se chamar ICOM.  Hoje é um dos mais modernos hospitais especializados em doenças infectocontagiosas do Brasil, que vem vivendo um verdadeiro desafio desde o início da pandemia de coronavírus.

“Tivemos que praticamente dobrar a nossa força de trabalho, que hoje soma 1500 profissionais, e promover um treinamento intensivo e rápido em biossegurança, EPI e assistência. Foram dois meses duros, trabalhados de domingo a domingo”, conta Ceuci Nunes, médica infectologista que está à frente da direção do ICOM há 14 anos.

Se adaptando para a pandemia

Em março do ano passado, o ICOM passou a atender exclusivamente pacientes confirmados ou com suspeita de Covid-19, passando de 120 para 168 leitos, dos quais, 90 só de UTI, o que exigiu a contratação de mais 800 trabalhadores, entre profissionais de saúde e equipe de apoio. Para tal feito, foi preciso transferir os pacientes com outras doenças infectocontagiosas, o que só foi possível graças à rede SUS, como o Hospital Octávio Mangabeira, que acolheu os pacientes. Logo após, houve uma readequação estrutural no hospital, com enfermarias transformadas em UTIs e ampliação das redes de gases medicinais, hidráulica e elétrica.

“Essa readequação só foi possível porque estamos aqui, neste prédio novo, então a pandemia está sendo, ao mesmo tempo, um desafio e um marco na modernização porque não conseguiríamos fazer o trabalho que estamos fazendo aqui se estivéssemos na antiga, estrutura”, revela Ceuci.

O secretário da Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, explica que o ICOM é o maior e mais moderno hospital de doenças infecciosas do Brasil. “Entre obras e equipamentos foram investidos cerca de R$ 120 milhões, fruto de uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual o Estado é o responsável pela área assistencial. Além dos leitos de UTI adulto e pediátrico, a unidade conta com alas de isolamento e salas cirúrgicas com pressão negativa, setor de bioimagem completo e prontuário eletrônico, que dispensa a impressão de papel”, afirma Vilas-Boas.

O prédio novo do Instituto Couto Maia foi inaugurado em 2018 pelo governador Rui Costa. Era o sonho de várias gerações de profissionais de saúde da área de infectologia, que se ressentiam não poder trabalhar de acordo com as mais recentes tecnologias. Além da prática assistencial, o ICOM se dedica ao ensino e pesquisa científica, tendo atualmente dezenas de projetos ligados à Covid-19. Ou seja, o Instituto Couto Maia investe na ciência mirando o futuro, mas não perde o seu referencial histórico.

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