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Equipe de médicos do Hospital Geral de Vitória da Conquista salva antebraço de paciente de uma amputação

26/04/2021 15:17

Em decorrência de um acidente grave de caminhão, Romário de Sousa Teixeira, de apenas 23 anos, sofreu trauma com uma grave lesão no antebraço esquerdo. Ao chegar no Hospital Geral de Vitória da Conquista (HGVC), o paciente foi avaliado e submetido a uma cirurgia para revascularização do membro e preservação da função.

Por se tratar de um trauma de altíssima complexidade, que envolvia tendões, uma fratura gravíssima, lesões articulares e a lesão vascular, que é mais importante para manter a vitalidade do membro, chegou a ser cogitado a indicação da amputação do membro. No entanto, a equipe optou pela tentativa de salvar o antebraço do paciente.

O procedimento, até então inédito na cidade, teve uma média de cinco horas de duração, e contou com a participação de uma equipe multidisciplinar, com experiência em microcirurgia em pacientes graves. Ao todo foram sete médicos atuando na cirurgia, incluindo especialistas em: ortopedia, cirurgia vascular, neurocirurgia e anestesia. Após a realização da cirurgia, o paciente voltou a ter vitalidade no membro, com boa circulação sanguínea.

Através da técnica microcirúrgica o ortopedista, especialista em cirurgia da mão e microcirurgia, Albércio Brito, realizou a anastomose (união de dois segmentos remanescentes do órgão) da artéria ulnar, onde o paciente teve de volta passagem de sangue daquela mão, fixação da fratura, e também, das lesões tendão.

“Nesse procedimento é raro se obter sucesso, porque mesmo com toda a técnica cirúrgica correta, a gravidade do trauma e o tempo que ele passou com o membro sem receber sangue nutrientes poderia já ter danificado todas as estruturas e mesmo você fazendo tudo de maneira correta, corria o risco de a mão do paciente não sobreviver,” aponta Albércio Brito.

O paciente já passou por um segundo procedimento de reavaliação para saber como estavam as estruturas, se havia sinais de infecção ou necrose. Foi feita, também, uma nova limpeza. Embora Romário Teixeira já apresente excelente evolução com movimentos da mão, devido à gravidade da lesão, na qual houve grande perda de pele e músculos, o paciente permanece internado e ainda será submetido a uma série de cirurgias. Não há definição da quantidade exata, pois serão procedimentos que ocorrerão a longo prazo.

Mas a princípio, o estágio mais crítico que ocorre no período entre os primeiro e segundo dias iniciais já foi superado, e o membro sobreviveu. A partir de agora, serão necessários procedimentos secundários para poder manter a função da mão.

O HGVC conta com profissionais e equipamentos modernos aptos a realizar microcirurgias de emergência e eletivas. De acordo com Iogo Henrique, neurocirurgião do HGVC que também atuou no procedimento, o uso dessas técnicas permite a realização de reimplante de membros, reconstrução de grandes falhas causadas por tumores, reconstrução de nervos e vasos sanguíneos de até 0,5mm.

Podendo ser aplicada em todas as áreas da medicina cirúrgica: neurocirurgia, cirurgia plástica, vascular, urologia, cirurgia de mão, oncologia, ginecologia, ortopedia, são exemplos de especialidades que têm na microcirurgia a solução de problemas antes considerados inoperáveis.

A perna do paciente teve de ser amputada, e ele afirma que, logo após o procedimento, já acordou sentindo muito alívio dos incômodos que sentia. A recuperação dos procedimentos têm ocorrido de forma positiva.

“Eu estou de mente tranquila, sei que foi um acidente, por isso não carrego culpa. Quando acordei, vi que minha perna estava esmagada, meu braço também esmagado. Fui socorrido e fui muito bem atendido aqui no hospital, e a isso tenho muito a agradecer a todos que me atenderam. Eu tive momentos muito difíceis com pouca chance de sobreviver, e eu sei que os médicos fizeram tudo que podiam e ainda mais um pouco.”, apontou Romário Teixeira concluindo:

“Agora eu estou pronto para recomeçar minha vida, eu tive uma notícia que me ajudou muito, depois de dois dias que saí da UTI, descobri que vou ser pai, então eu só tenho a agradecer e vontade de seguir”.

Ascom do HGVC

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