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Ambulatório do pé diabético do Cedeba consegue evitar amputações na pandemia

03/05/2021 14:46

O barbeiro José Adalberto Nascimento, 52 anos, teve que abandonar a profissão muito jovem. Hoje depende do Benefício da Prestação Continuada (BPC) – criado pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) para Pessoas com Deficiência e Idosos – porque perdeu o ante-pé aos 39 anos, em razão do diabetes, cujo diagnóstico só teve ao buscar tratamento para o ferimento no pé, quando a amputação foi inevitável. Do município de Serrinha – a 184 km de Salvador – ele é acompanhado no Ambulatório do Pé Diabético do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba).

Desde o início da pandemia, há um ano, quando o acesso a outros serviços eletivos ficou limitado, o Cedeba vem centrando atenção especial nos pacientes do Ambulatório do Pé Diabético, com atendimento presencial. Para muitos pacientes do interior, o Atendimento Fora do Domicilio (TFD) que o SUS oferece, também ficou mais difícil. “A conjugação da Telemedicina com o atendimento presencial possibilitou estar mais perto dos pacientes, conseguindo reduzir as amputações”, explica a cirurgiã vascular do Cedeba, Nívea Schindler Trindade.

De acordo com a especialista, com o modelo misto de atendimento, é possível acompanhar a situação dos pacientes com os recursos da internet, definir a frequência das consultas presenciais e fazer encaminhamentos para cirurgias. Diante da necessidade de manter o distanciamento, as consultas passaram a ser realizadas com hora marcada, diminuindo o tempo de espera. Como há um grande número de pacientes residentes no interior, muitos em municípios bem distantes da capital, a Telemedicina tem sido muito importante para o planejamento das consultas presenciais.

Controle da glicemia

A história de José Adalberto é similar à de muitos pacientes que sofreram amputações como consequência do diabetes, alimentação não-saudável, uso do álcool, fumo e falta de atividade física. Por isso, é muito importante cuidar da prevenção do pé diabético, complicação da doença que representa a principal causa de amputações de membros inferiores, superando os acidentes. Segundo a cirurgiã vascular, quem tem diabetes precisa cuidar da alimentação para manter a glicemia sob controle, muito importante para evitar as complicações da doença. Sem esse cuidado, a medicação isoladamente não resolve o problema.

Depois de atendido pela cirurgiã vascular, que examina o ferimento, orienta sobre a necessidade de redução do peso e acompanha o curativo feito pela técnica de Enfermagem Onsly Almeida, José Adalberto seguiu para o Cento Estadual de Prevenção e Reabilitação de Deficiência (Cepred), também da estrutura da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), no mesmo prédio onde está o Cedeba.

A demanda por próteses no Cepred reflete o número de amputações tendo como causa o pé diabético. O Cepred trabalha com reabilitação de pessoas que sofreram amputações por doenças diversas, por traumas, mas os diabéticos são quase 80%.

O atendimento no Ambulatório do Pé Diabético é bem avaliado pelos usuários. José Adalberto conta que saiu às 4h da manhã de Serrinha para pegar o carro da Prefeitura, “mas aqui sou muito bem tratado, gosto muito do atendimento” . O paciente Osvaldo Almeida Prata, 72 anos, do município de Inhampube, que trata uma úlcera, há cinco meses, também diz estar muito satisfeito com o tratamento no Ambulatório do Pé Diabético.

Ascom do Cedeba

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