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Atendimento 100% presencial, mas Cedeba ainda sem festa na Semana da Criança

08/10/2021 15:09

Aos nove anos de idade, João Pedro Brasileiro Lima conhece o caminho da alimentação saudável para manter o diabetes sob controle. Também aplica a insulina sem qualquer dificuldade. Acompanhado no Setor Infanto – Juvenil (Siju) do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) desde um ano e nove meses, viaja de Mundo Novo – a 303 km de Salvador- com a mamãe Allana Brasileiro , para as consultas – já 100% presenciais com a redução da pandemia da Covid19. Mas o pequeno paciente sonha com a volta da Brinquedoteca porque “aprendi muito e também fiz muitos amigos”.

No espaço da Brinquedoteca as crianças aprendem a contar carboidratos, sob a a orientação da pedagoga Ceiça Cristo, possibilitando montar os cardápios, a partir do plano alimentar (individual) definido pela nutricionista Isis Teodoro, evitando, assim, a monotonia das refeições. Com a pandemia, ainda não foi possível reabrir a Brinquedoteca, diante da necessidade de manter o distanciamento social, já que a criança é espontânea na manifestação de afeto. Elas também vêm filmes educativos, ouvem histórias, leem e manifestam suas emoções por meio dos desenhos.

Também em função da pandemia, as atividades que acontecem na Semana da Criança, mostrando que a criança e o adolescente com diabetes podem ter vida normal, como destaca a líder do SIJU/Cedeba, a endócrino pediatra, Lívia Leite, não estão sendo realizadas pela segunda vez, na caminhada de 27 anos do Cedeba. Embora diabetes represente a maior demanda, no Siju também são atendidas crianças e adolescentes com puberdade precoce, atraso no crescimento, obesidade e distúrbios da tireóide.

A mãe de João Pedro entende que “não dá para fazer festas”. Conhece bem o trabalho do Cedeba, porque o filho mais velho, hoje com 22 anos, também foi acompanhado no Centro de Referência, na infância. “Na minha avaliação o trabalho é excelente. Estou sentindo falta da troca de experiências com outras mães que acompanhavam os filhos na Brinquedoteca.”

Os dois filhos de Alana são pacientes com diabetes mellitus tipo 1 (criança e adulto jovem). Geralmente se manifesta de forma abrupta, explica Lívia Leite. E não acontece por causa do consumo de doces. Trata-se, segundo explicou a especialista, de doença metabólica autoimune. Ao se manifestar, o pâncreas já não produz o hormônio insulina. O paciente terá que usar insulina para sempre. Por toda a vida.

Renata Vieira da Silva, moradora de Pirajá, mãe de Enzo Vieira de Matos, de cinco anos também está muito satisfeita com o atendimento do Cedeba. No diagnóstico de diabetes, o filho estava com um ano e meio. De emergência em emergência, em estado muito grave, foi no Hospital Roberto Santos que ele ficou bem e continuou sendo acompanhado. Ano passado, ele foi para o interior e o diabetes ficou fora de controle. De Santo Antônio de Jesus foi encaminhado para o Cedeba. Muito esperto, sabe que não pode comer doces.

Embora o DM1 seja mais frequente na faixa dos 10 aos 14 anos – explica a líder do SIJU, pode atingir crianças de qualquer idade, inclusive bebês. O DMI representa 90% dos casos de diabetes na infância, embora os casos de diabetes tipo 2 venham aumentando na infância e na adolescência, em razão do crescimento da obesidade, explica Lívia Leite.

Geralmente a identificação dos casos de DM1 acontece de forma abrupta, com o paciente sendo internado num quadro de emergência. Mas há sinais que podem indicar a presença de DM1. A criança sente mais sede, urina mais, sente mais fome, mas perde peso. Pode também, segundo explicou a especialista, apresentar visão turva, fadiga, dor abdominal aguda e infecções fúngicas.

Ascom do Cedeba

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