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Profissionais do Instituto Couto Maia desenvolvem projeto sobre abordagens do luto

21/10/2021 17:35

As assistentes sociais e as psicólogas da comissão de Cuidados Paliativos do Instituto Couto Maia (ICOM) desenvolveram o projeto “Conversando Sobre o Luto”, cujo objetivo foi discutir o tema do ponto de vista do profissional de saúde, em especial durante a pandemia de Covid-19. No total, a ação contou com a participação de 150 colaboradores da área assistencial e administrativa e foram realizados 10 encontros, iniciados em julho e concluídos no mês de outubro.

Entre os assuntos discutidos, aqueles que provocaram maior engajamento da equipe foram: “Falando de morte com crianças” e “Como ajudar alguém que está morrendo? “. De acordo com a assistente social Cassiana Souza, uma das organizadoras do projeto, para auxiliar os profissionais a lidarem com assunto tão delicado, foi necessário abrir espaço para o compartilhamento de histórias, para que pudessem falar e ouvir sobre suas experiências profissionais e pessoais de forma acolhedora. “Ensinamos que o sentimento de luto pode existir por conta de uma perda significativa e não obrigatoriamente um óbito. Falamos sobre suas diversas reações e as etapas vivenciadas, inclusive quando o profissional torna-se paciente”, explica Cassiana.

Muitas perdas

Nos encontros, foi discutida a sobrecarga emocional que a perda e o luto podem causar – depressão, ansiedade, insônia, crise de culpa ou angústia. O grupo abordou também a Síndrome de Burnout, relacionada ao esgotamento profissional que se revela em sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico. A equipe mostrou aos profissionais que, sempre que o luto se torna complicado e difícil de superar, deve-se procurar ajuda profissional, como aconteceu com a enfermeira Kamila Verena. “A minha experiência foi com certeza enriquecedora e um tanto reconfortante. Eu perdi meu irmão em agosto do ano passado e participar de algumas sessões me ajudou bastante, pois eu pude me abrir e até chorar, foram abordados diversos temas interessantes como a importância do choro neste momento de dor. Conviver com o luto é difícil, ainda mais durante uma pandemia, quando fomos impossibilitados até de realizar a cerimônia de despedida”, relata Kamila.

No encerramento do projeto, o grupo tratou do tema “Os desafios de seguir em frente”. Esse último evento contou com a participação do músico Jhonson Bispo que contou sua história de superação e como ter um grupo de apoio faz diferença. “Antes da amputação da minha perna participei de um grupo de amputados e estar em um espaço, como aquele, compartilhando minhas dores me ajudou muito a entender o verdadeiro tamanho do meu problema”, disse Jhonson.

Ascom/ICOM

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