O crescimento do diabetes, doença crônica degenerativa que não escolhe raça e cor, conta com um aliado importante para retardar seu surgimento e permitir o controle, além de evitar suas complicações: educação em saúde. Estatísticas mostram que 50% das pessoas que tem diabetes desconhecem que são portadoras do distúrbio, que já foi identificado como um mal do século XXI - o outro é a depressão .
Essas informações foram transmitidas pela diretora do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), Reine Chaves, ao participar, na tarde de ontem (23) da audiência pública no Centro Cultural da Câmara Municipal de Vereadores, ainda integrando as comemorações do Dia Mundial do Diabetes, 14 de novembro. Estudantes de cursos técnicos da área de saúde e lideranças comunitárias lotaram o auditório para aprender sobre diabetes.
Números Comprovam
A experiência do Cedeba, com ênfase na educação dos diabéticos, tem mostrado avanços importantes como a redução de internações e amputações. Trabalho feito com um grupo de diabéticos recebendo atendimento multiprofissional permitiu redução, de 45 % e 65%, respectivamente, Reine Chave mostrou a vasta produção de material educativo produzido pelo Cedeba, divulgando também o site www.saude.gov.br/cedeba, onde as pessoas podem buscar informações e imprimir o material disponibilizado.
Reine Chaves explicou que são muitas as complicações causadas pelo diabetes não-controlado: cegueira, problemas renais, podendo levar à insuficiência renal, distúrbios circulatórios, Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Os participantes da audiência também ouviram da diretora do Cedeba explicações sobre diabetes Mellitus tipo I, de origem genética - atinge crianças e adultos jovens - e ocorre quando o pâncreas é destruído por um vírus, sendo a lesão de 95%. O paciente terá que usar insulina. No tipo II, o desenvolvimento da doença é mais lento. O pâncreas continua produzindo insulina, mas de forma insuficiente. Nesse caso, o paciente pode controlar a doença com medicação oral, alimentação e exercício físico. Casos de diabetes tipo II na família, pessoas acima do peso e mulheres que tiveram bebês com mais de quatro quilos estão no grupo de risco.
Alimentação
A alimentação saudável é muito importante para o controle do diabetes, como destacou a nutricionista do Cedeba, Maria Palmira Romero, que também fez apresentação ontem, na audiência pública. Ela explicou que a alimentação saudável deve ser preocupação de toda as pessoas e, principalmente, dos diabéticos.
O ideal - explicou é distribuir os alimentos em seis refeições: café da manha, lanche, almoço, lanche, jantar e ceia. No diabético - a alimentação descontrolada tanto pode elevar a glicose como também pode causar hipoglicemia (redução excessiva da glicose no sangue). Segundo a nutricionista, o diabético, como as demais pessoas, deve evitar alimentos que contêm gordura como os embutidos em geral (bacon,salame,salsicha), bem como os alimentos ricos em gordura trans: sorvetes, bolos, salgadinhos. Outro cuidado no preparo da alimentação é evitar as frituras, dando preferência aos alimentos cozidos ou grelhados.
É preciso também - explicou - consumir com cuidados alimentos diet, porque não contêm açúcar, mas em geral, possuem maior teor de gordura. Citou como exemplo o chocolate diet, cujo teor de gordura é bem mais elevado do que o chocolate comum.
Dar preferência aos alimentos ricos em fibras (é preferível chupar uma laranja com bagaço que tomar o suco), legumes, e também os alimentos integrais. Ela também apresentou a pirâmide dos alimentos, orientando que o diabético deve consumir alimentos de todos os grupos, mas montando o prato com equilíbrio, orientou Maria Palmira Romero.
A audiência sobre diabetes, iniciativa do vereador Giovanne Barreto (PT), contou ainda com a participação dos representantes do Instituto Marcio Café, Fundação Colombo Spinola, Secretaria da Saúde do Município de Salvador e Instituto Sócrates Guanaes.
Amv MTB:694/DRT/BA
Cedeba/nacâmara



















