Será aberto nesta quinta-feira (26) às 8 horas, no Vila Romana Hotel, o I Seminário Integrativo sobre Práticas Educativas em Diabetes,realização do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), através da coordenação de Educação em Diabetes.O evento,que deverá reunir 50 participantes, prossegue até sexta - feira (27).
O seminário, que tem a parceria da diretoria de Assistência Farmacêutica/Programa Medicamento em Casa (MedCasa) e da Faculdade Bahiana de Saúde Pública/Programa Candeal, tem o objetivo de conhecer as práticas educativas em diabetes que estão sendo incorporadas nos grupos de educação da atenção básica, nos municípios integrados ao MedCsa, além de discutir as metodologias pedagógicas de educação existentes e possibilitar reflexões dos trabalhadores SUS sobre possíveis transformações de suas práticas.
Vivências e Estudos de Casos
A programação na quinta - feira contará com a participação de instrutora da Faculdade Bahiana de Saúde Pública. "O Papel do Profissional de educador em saúde" e "Estudo de Casos:vivendo o cotidiano do SUS" serão apresentados e discutidos.Na sexta-feira as atividades do seminário serão apresentadas pela equipe do Cedeba e municípios.
"Vivenciando as complicações do diabetes" abre a programação no dia 27, pela manhã, com três vivências: deficiência visual, limitação física e comprometimento neurológico.O tema será seguido de discussão de grupo.
Na sexta à tarde, facilitadores dos grupos de educação Doce Conviver e do Ambulatório de Ajuste vão apresentar suas experiências exitosas de educação voltada ao auto cuidado, fomentando discussões de grupos. Muitos municípios que já implantaram o Programa MedCasa já incorporaram em seus processos de trabalhos no cotidiano das unidades de saúde práticas educativas utilizando "tecnologia leve", que serão apresentadas no evento.
Educação em Primeiro Lugar
Através da Lei 11.347, de setembro de 2006, regulamentada em outubro de 2007, o fornecimento de medicamentos e insumos para monitoramento glicêmico capilar foram incorporados nos processos de trabalho das unidades básicas de saúde, em todo território nacional. Desse modo, foi implantado pelo Ministério da Saúde um Modelo de Cuidado Crônico - 2009, que desenvolve competências para as ações de formação, política de saúde e educação a distância como processo formativo de mediadores multiplicadores de aprendizagem na área da saúde, com ênfase no cuidado em diabetes.
Refletindo sobre a pedagogia eleita para o modelo implementado pelo Ministério da Saúde, observa-se que o trabalhador deixa de ser o repassador do conhecimento, passa a ser responsável por proporcionar um ambiente de aprendizagem, ou seja, facilitador do processo pelo qual o educando (pessoa com diabetes) constrói novas sínteses sobre determinada experiência.
Para as responsáveis pela coordenação de Educação em Diabetes do Cedeba isso só é possível quando o portador de diabetes assume o controle de sua própria condição crônica, aprendendo a lidar com diferentes situações, a partir de escolhas adequadas, não de maneira isolada, mas com amplo apoio das instituições de saúde, família e comunidade.
Mesmo com a proposta de incorporação de práticas educativas mais ativas nos processos de trabalho das equipes de saúde da atenção básica e o fácil acesso a insumos para a glicemias capilares domiciliares, para serem usados pelos portadores de diabetes, os trabalhadores das equipes de saúde relatam dificuldades enfrentadas quanto a produção de conhecimento por parte dos educandos nos processos educativos, levando-os a frustrações.
Ilustrando essa realidade, trabalhadores do SUS das unidades de saúde informam que, apesar das orientações quanto ao manejo do aparelho de glicemia para "ponta de dedo" e os horários da realização dos mesmos durante os dias (mapa glicêmico), os educandos não realizam o procedimento ou fazem de forma desconectada com a proposta terapêutica, o que leva a uma não participação ativa no tratamento, tornando-os passivos no processo educativo.
Com isso, fica claro que nas práticas educativas implementadas na atenção básica ainda existem "muitas lacunas" para ser dialogadas entre as equipes de saúde, educandos, e que uma política estruturante de ações voltadas ao auto cuidado poderá potencializar a incorporação de práticas educativas mais ativas, modificando o cenário epidemiológico que envolve as complicações em diabetes, com altas taxas de hospitalizações, absenteísmo no trabalho e mortes prematuras na população economicamente ativa - entre 30 e 59 anos.
A.V./M.Tb. 694
/cedeba/seminário



















