A duração da doença, controle precário da glicemia, hipertensão, tabagismo, gravidez, alcoolismo, obesidade e dislipidemias (taxas elevadas de colesterol e triglicérides) são os principais fatores de risco para as complicações crônicas do diabetes mellitus. Esse foi o destaque feito pela coordenadora de Planejamento do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), a endocrinologista Odelisa Matos, na sessão cientifica sobre "As Complicações do Diabetes", realizada hoje pelo Cedeba, através da coordenação de Educação. A sessão foi voltada para profissionais de saúde, e aconteceu no auditório do Centro de Atenção à Saúde Professor José Maria de Magalhães Netto (CAS).
Odelisa Matos explicou que complicações crônicas são lesões causadas em outros órgãos ou sistemas do organismo em decorrência do diabetes. Os órgãos mais afetados são o cérebro, o coração, os rins e membros inferiores. Manter a glicemia sob controle - observou - é muito importante. Estudos mostram que esse cuidado reduz em 76% o risco de retinopatia; 60% de neuropatia; 54% da albuminúria e 39% da microalbuminúria.
Educar o Paciente
De acordo com a endocrinologista, a educação do paciente é fundamental para que haja redução dos fatores de risco das complicações do diabetes, observando que o paciente precisa participar ativamente do processo, partilhando o saber. O importante é a maneira de passar a informação. Citou como exemplo que não basta dizer ao paciente que ele precisa ter cuidado com os pés, porque se o paciente já nem tem flexibilidade para fazer a verificação, deve ser orientado a pedir a alguém da família para fazer isso.
Na sessão cientifica hoje - acontece sempre nas primeiras terças-feiras de cada mês - a coordenadora de Educação em Diabetes do Cedeba, Maria das Graças Velanes, apresentou estatísticas sobre mortalidade no Brasil e na Bahia. De 2007 a 2009, as mortes por doenças circulatórias no Brasil, representaram 30% e as doenças endócrinas e nutricionais, 5%. Mas, - explicou - no primeiro grupo estão pessoas em que as doenças circulatórias foram conseqüência do diabetes.
Na Bahia, se observa redução da taxa de Acidente Vascular Cerebral (AVC) na população de 30 a 59 anos, uma das principais complicações do diabetes. A taxa de 6,5 em 2009, passou para 6,6 em 2010, caindo para 6, 3% em 2011.
Maria das Graças Velanes enfatizou a responsabilidade dos profissionais de saúde de abastecer os bancos de dados com informações precisas. Também complementou que é fundamental acessar os indicadores de saúde disponibilizados pelo SUS e pela Secretaria Estadual da Saúde.
A coordenadora de Educação em Saúde do Cedeba apresentou ainda dados da Feira de Saúde, realizada no Dique do Tororó, pela Igreja Adventista do Sétimo Dia e Associação de Prevenção e Combate ao Diabetes, de Dias D´Avila, com o apoio do Cedeba, para marcar o Dia Internacional da Mulher. Participaram 108 pessoas, e desse total, 59 foram rastreadas: 49 não participaram do rastreamento porque já eram diabéticos. Segundo o sexo, participaram 83 mulheres e 25 homens.
Os participantes foram avaliados segundo o risco para diabetes. Dos 59 rastreados, 5 foram classificados como de baixo risco: 32, risco moderado e 22, alto risco.
Maria das Graças Velanes destacou a importância de trabalhos em espaços abertos, porque contribuem para o fortalecimento da educação em saúde. A tesoureira da Associação de Prevenção de Combate ao Diabetes de Dia DÁvila, Lidia Maria Alves de Almeida, agradeceu o apoio do Cedeba, através da coordenação de Educação, enfatizando que apesar das dificuldades, "estamos trabalhando com muita vontade".
A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/fatores de risco



















