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Portal da Política Estadual para Desprecarização dos Vínculos de Trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias

 

 

 

APRESENTAÇÃO

Presente em quase todos os municípios da Bahia, a Atenção Básica à Saúde, orientada pela Estratégia de Saúde da Família (ESF), deve se envolver com o cotidiano das vidas dos cidadãos, sendo permeável à participação destes, comprometendo-se com a atenção integral, valendo-se de ações de cuidado individuais e coletivas e atuação inter-setorial. Desta forma, contribui decisivamente para melhoria da qualidade de vida e com processos de transformações sociais mais intensos.

No entanto, a situação atual da Atenção Básica na Bahia caracteriza-se pela baixa cobertura (menos de 50% da população coberta pela ESF), relações precárias de trabalho, baixo e ineficiente investimento em educação permanente dos trabalhadores, reduzida capacidade de gestão municipal e regional e desarticulação com o conjunto do Sistema de Saúde.

Por outro lado, a complexidade do perfil epidemiológico do Estado caracterizado, à semelhança do restante do Brasil por doenças transmissíveis que mantêm importante magnitude e novas situações que se colocam sob a forma de surtos ou devido ao surgimento de doenças inusitadas, muitas vezes com gravidade elevada desafia a capacidade de gestão integrada das ações de vigilância e de controle de doenças.

Com o objetivo de intervir adequada e oportunamente, sobre os determinantes através de medidas de prevenção e controle de doenças e agravos à saúde, que promovam intersetorialidade, produção e difusão de informações, especialmente no que se refere às doenças de transmissão vetorial.

Com a definição das competências da União, Estados, Municípios e Distrito Federal e da sistemática de financiamento na área de vigilância em saúde através da Portaria 1.172, em 2004 e, mais recentemente, com a Portaria 91, de 10 de janeiro de 2007, que regulamentou a unificação do processo de pactuação de indicadores do Pacto pela Saúde, a serem firmados por municípios, estados e Distrito Federal, o Ministério da Saúde, assegurou a importância do conhecimento da situação de saúde de modo a garantir a implementação das ações adequadas a cada território.

No que se refere às relações de trabalho, grande parcela dos profissionais da Atenção Básica e Vigilância à Saúde mantém vínculos precarizados (contratos temporários ou informais, terceirizados, acordos verbais, entre outros), não sendo assegurados direitos trabalhistas e previdenciários. Esta situação, além de constituir por si só grave problema social, ao gerar alta rotatividade e insatisfação profissional, afeta diretamente a qualidade e continuidade dos serviços de saúde prestados à população.

Neste contexto, os Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias se constituem em duas das categorias profissionais em pior situação em relação aos vínculos de trabalho, possibilitando-se inclusive, em função da fragilidade do vínculo, a sua utilização em práticas clientelistas e eleitoreiras por parte de alguns gestores.

Para conseguirmos superar esta realidade, é necessário um esforço conjunto, articulado e solidário de todos os atores sociais envolvidos na construção do Sistema Único de Saúde na Bahia, a exemplo dos conselheiros locais e municipais de saúde, trabalhadores da saúde, vereadores e deputados, gestores municipais, entre outros.

Neste sentido, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia formulou alguns projetos estruturantes que, articulados, pretendem expandir e qualificar a Atenção Básica no Estado. Dentro destes projetos está a Política Estadual para Desprecarização de Vínculos de Trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde e de Agentes de Combate às Endemias.

Os Agentes Comunitários de Saúde e os Agentes de Combate às Endemias são profissionais cuja regulamentação federal definiu sua atuação exclusivamente no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS. Tal característica, longe de constituir um detalhe a mais, representa uma importante demonstração de quão fundamentais são para garantia do Direito à Saúde. São profissionais envolvidos diretamente na efetivação das políticas públicas de saúde, fortalecimento do SUS e reorganização do modelo técno-assistencial de saúde do Brasil e especialmente na Bahia onde constituem mais de 30.000 trabalhadores.

O Governo Federal, na gestão do presidente Luis Inácio Lula da Silva, passou a concentrar esforços no sentido da valorização destes trabalhadores e reversão do quadro de precariedade dos vínculos.

O ano de 2006 representou um importante marco na luta dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias. A aprovação no Congresso, com grande apoio e participação do Governo Federal, da Emenda Constitucional nº 51, de 14 de fevereiro de 2006 e da Lei Federal nº 11.350, de 05 de outubro de 2006 garantiu o respeito aos direitos destes profissionais e a possibilidade da contratação direta pelos municípios através de seleções públicas. Ao vedar a contratação temporária ou terceirizada dos Agentes, salvo na hipótese de combate a surtos, a Lei 11.350 atendeu a um dos grandes anseios da categoria.

Na Bahia, ao assumir o Governo Estadual em 01 de janeiro de 2007, o Governador Jaques Wagner apresentou as três prioridades desta gestão: a Saúde, a Educação e a Geração de Emprego e Renda.

Na Saúde, foi estabelecida como prioridade de governo a garantia e efetivação dos direitos trabalhistas dos profissionais da saúde. Logo no inicio de 2007 foi formulada a Política Estadual para Desprecarização dos Vínculos de Trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde - ACS e Agentes de Combate às Endemias - ACE.

A desprecarização possibilitará, além da regularização do vínculo de trabalho dos mais de 30 mil agentes existentes, a criação de 7 mil novas vagas de Agentes Comunitários de Saúde e 8 mil vagas de Agentes de Combate às Endemias.

A Política foi aprovada pelo Conselho Estadual de Saúde em março deste ano, sendo formado um Grupo de Trabalho para detalhamento e acompanhamento da sua implementação, composto pelos seguintes segmentos: Central Única dos Trabalhadores - CUT; Conselho Estadual de Secretarias Municipais de Saúde - COSEMS; Diretoria de Atenção Básica - DAB;Diretoria de Vigilância Epidemiológica - DIVEP; Escola de Formação Técnica em Saúde Prof. Jorge Novis; Federação Baiana dos Agentes Comunitários de Saúde - FEBACS; Ministério Público Estadual-MPE;Ministério Público Federal do Trabalho - MPT; Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e Contendores de Doenças Endêmicas e Epidemiológicas do Estado da Bahia - SINDACS; Superintendência de Atenção Integral à Saúde - SAS/SESAB; União dos Municípios da Bahia - UPB.

Para fortalecer o reconhecimento da sociedade pelo trabalho desempenhado por estes profissionais, a SESAB promoverá ampla Campanha de divulgação da Política Estadual de Desprecarização dos Vínculos de Trabalho dos Agentes, bem como organizará diversas audiências-públicas para esclarecimentos e troca de experiências.

A presente estratégia reforça em cada município os processos de valorização, regularização e formação dos Agentes Comunitários de Saúde e de Agentes de Combate às Endemias. Com certeza, o SUS tem muito a ganhar com isto.