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Superintendência de Atenção Integral à Saúde
DIRETORIA DA ATENÇÃO BÁSICA

PROPOSTAS ESTRUTURANTES

1- Expansão da Saúde da Família com Inclusão Social

 Observando a cobertura da Atenção Básica na Bahia, percebemos que algumas populações foram historicamente excluídas do acesso aos cuidados básicos de saúde. Este é o caso de grande parte das comunidades quilombolas, ribeirinhas, assentadas, acampadas, indígenas, residentes nas periferias das cidades de grande e médio porte etc. Outras populações que não se encaixam no tipo clássico, mais rígido, da primeira proposta do programa de saúde da família, como os moradores de rua ou dos territórios onde se concentram estabelecimentos de produção e comerciais, também apresentam muita dificuldade no acesso à saúde.

Muitas vezes, até temos serviços de saúde próximos a essas comunidades, mas estendendo uma lógica hospitalar, medicamentosa e urbana às regiões que exigem um modelo tecno-assistencial de outro tipo: que responda às necessidades singulares dessas populações, que dialogue com seus saberes, valores e crenças e seu modo próprio de viver a vida.

Coloca-se então um imenso desafio para o Estado da Bahia: articular na saúde e para fora dela, ou seja, inter-setorialmente, diversas políticas públicas que busquem garantir os direitos dessas populações que, na prática, estão à margem da cidadania.

Para garantir a expansão da saúde da família em todo estado e, especialmente para as populações historicamente excluídas das políticas públicas estaduais, a SESAB articulou algumas ações estratégicas, envolvendo a participação de outros órgãos governamentais e dos movimentos sociais.

Os municípios com mais de 100 mil habitantes que vinham sendo discriminados no acesso ao incentivo estadual para as equipes de saúde da família, a partir de janeiro de 2007, passaram a receber o incentivo como forma de apoiá-los a implantar equipes de saúde da família, principalmente em suas áreas mais periféricas e de difícil acesso. O valor mínimo do incentivo por equipe também será reajustado a partir deste mês de agosto, passando de R$ 1.114,00 para R$ 1.500,00 por equipe implantada.

Está sendo feito o re-mapeamento e o levantamento da situação das áreas de assentamentos e acampamentos, de comunidades quilombolas, indígenas e ribeirinhas e das periferias urbanas para incluir essas populações na Expansão com Inclusão Social da “Saúde da Família de Todos Nós” que prevê: a seleção de agentes comunitários de saúde para essas áreas; investimentos na construção de Unidades de Saúde da Família; re-orientação do modelo de atenção para modalidades que respondam às necessidades e singularidades desses territórios; uma importante parceria com a FUNASA para o cuidado das populações indígenas; projetos inter-setoriais para o semi-árido baiano, “Terra de Valor” etc.

Os projetos de educação permanente dos trabalhadores de saúde e dos gestores municipais que atuam nessas áreas também estarão articulados com essa política para que ampliemos a capacidade da atenção e da gestão de enfrentar os desafios específicos que cada uma dessas situações exige.

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2 - Desprecarização dos Vínculos de Trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde e dos demais trabalhadores das Equipes de Saúde da Famílias

Como forma de garantir os direitos trabalhistas dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE) e de valorizar esses trabalhadores e o seu trabalho no SUS, a SESAB formulou a Política Estadual para Desprecarização dos Vínculos de Trabalho dos ACS e ACE, que foi apresentada e aprovada pelo Conselho Estadual de Saúde em 29 de março de 2007.

Esta Política articula as três prioridades do Governo Wagner: Geração de Emprego e Geração e Distribuição de Renda, Educação e Saúde. Além de regularizar a situação dos quase 30 mil Agentes em atuação no Estado, está previsto a seleção pública de mais 7 mil Agentes. Mais EMPREGO e emprego com qualidade!

Para todos os ACS será ofertado o Curso de Formação com carga horária de 400h em 2007. Portanto, trata-se de um importante investimento na EDUCAÇÃO Permanente desses profissionais que certamente trará importantes repercussões para a qualidade da Atenção Básica à SAÚDE contribuindo para o fortalecimento de um SUS de Todos Nós na Bahia.

Para formulação, acompanhamento e implantação desta Política, foi formado um Grupo de Trabalho Estadual Interinstitucional composto por representantes da SESAB, Conselho dos Secretários Municipais de Saúde, Ministério Público Estadual, Ministério Público do Trabalho, União dos Municípios da Bahia, CUT, FEBACS e SINDACS.

Como parte da Política, a SESAB apoiará técnica e logisticamente a realização das seleções públicas para ACS e ACE, através do envio de técnicos aos municípios, elaboração e fornecimento das provas.

Como instrumento de divulgação da Política e apoio aos municípios foi elaborada uma Cartilha da Política contendo a legislação federal em vigor (EC 51/2006 e Lei 11.350/2006), minutas de projeto de lei municipal criando cargos ou empregos públicos de ACS e ACE, modelos de edital de seleção pública e orientações sobre como proceder para regularizar a situação dos agentes nos municípios. Será também lançada no mês de setembro uma Cartilha de Bolso que estará disponível para cada agente da Bahia. As duas cartilhas foram no site da Diretoria de Atenção Básica (www.saude.ba.gov.br/dab) e até o final do ano mais de 70 mil exemplares serão distribuídos por todo o estado.

Na I Rodada de Encontros Regionais da Atenção Básica estão sendo realizadas audiências públicas regionais com a participação do Ministério Público do Trabalho, COSEMS, representação dos Agentes, SESAB e Movimentos Sociais que acontecerão ao longo dos meses de agosto e setembro. A equipe da SESAB também está participando de diversos eventos municipais para detalhamento e esclarecimento do processo de regularização dos vínculos de trabalho dos ACS e ACE.

Está em fase de formulação uma Política de Valorização e Educação Permanente dos Profissionais de Nível Técnico que atuam na Atenção Básica. Para os profissionais de nível superior essa formulação está mais avançada e ganha materialidade na Carreira de Saúde da Família apresentada no próximo item.

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 3 – Carreira de Saúde da Família em Âmbito Estadual

 Nada se produz sem os trabalhadores, saúde muito menos. Na Atenção Básica, em especial, é necessário que estes trabalhadores constituam equipes de saúde, estabeleçam vínculo com a comunidade, cuidem de cada usuário de forma continuada, estejam envolvidos e desenvolvam processos de educação permanente para a qualificação do trabalho etc. Tudo isso demanda um razoável tempo de trabalho numa mesma comunidade e exige uma equipe de saúde integrada e articulada.  Entretanto, como foi salientado na apresentação, a alta rotatividade dos profissionais de nível superior, a instabilidade das equipes e relações precárias de trabalho, são a realidade da saúde da família em todos os municípios da Bahia.

Esta situação representa uma importante perda para os trabalhadores, que não têm garantias trabalhistas e previdenciárias e nem segurança e perspectivas no trabalho; para os gestores que, além de terem dificuldades financeiras para fixação de profissionais de nível superior, têm receio de investir em qualificação para trabalhadores que a qualquer momento podem mudar de município; para a população, por ter baixa qualidade e freqüente descontinuidade no acompanhamento de saúde.

Para responder a estes desafios, construímos uma proposta, que já se encontra em amplo debate desde os primeiros meses deste ano, para a criação da Carreira de Saúde da Família de Âmbito Estadual, através da instituição de uma Fundação Estatal com tal finalidade: A Fundação Estatal Saúde da Família.

A proposta das Fundações Estatais representa um importante avanço em uma reforma do Estado, que tem responsabilidade com o fortalecimento da esfera pública e não com projetos privatizantes, como são os das organizações sociais (OS), OSCIP´s ou das fundações de apoio.

As Fundações Estatais são órgãos da administração indireta do Estado, com patrimônio público, submetidos à gestão e controle públicos e que possuem um regime administrativo semelhante ao das empresas públicas, dando mais agilidade à gestão financeira-orçamentária, compras e de pessoal. Dois outros aspectos essenciais no setor saúde são que elas só podem prestar serviços universais e gratuitos à população, e que estão submetidas a todas as leis e instâncias do SUS, em especial, ao Controle Social.

A Fundação Estatal Saúde da Família viabilizará provimento e fixação de trabalhadores de nível superior, que realizarão concursos públicos e terão seus contratados regidos pela CLT, com um plano de carreira e salários constituindo assim a Carreira de Saúde da Família de âmbito estadual.

O objetivo é que todos os municípios da Bahia tenham equipes de saúde da família mais estáveis e trabalhando com mais qualidade e completas, todo o tempo. Os profissionais, por sua vez, poderão ingressar numa carreira através de um concurso sabendo que terão um grande investimento em sua educação e qualificação técnica; mais segurança no emprego e a certeza de pertencer a uma carreira que, assim como acontece no judiciário, permite ao profissional começar a trabalhar em um município e, conforme sua progressão ao longo da carreira, mudar o trabalho para outros municípios dentro do estado da Bahia.

Nessa carreira, as gestões municipais formularão a política municipal de Atenção Básica e pactuarão com as equipes e controle social Contratos de Gestão do Cuidado baseados em metas e resultados. O governo estadual articulará a política estadual de Atenção Básica e realizará apoio técnico e financeiro para a viabilização da Fundação Estatal.

A Gerência da Fundação Estatal será realizada através de seu Conselho Curador, que contará com representação dos Governos Estadual e Municipais, dos trabalhadores, usuários e instituições formadoras.

Maiores informações podem ser encontradas na página virtual da Diretoria de Atenção Básica (http://www.saude.ba.gov.br/dab)

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4. Saúde da Família pra Valer

Valorizar o trabalhador, desprecarizar as relações de trabalho e organizar um boa carreira para o servidor; envolver usuários e trabalhadores de saúde numa gestão mais participava e democrática; levar a cabo um processo de educação permanente transformador das práticas de saúde; co-financiar a rede de serviços e fortalecer a gestão municipal para uma efetiva transformação do modelo de atenção; comprometer e instrumentalizar o controle social para essa transformação; instituir processos de avaliação e monitoramento, de pactuação e programação local em saúde; são ações que impactam numa Atenção Básica com mais qualidade. Portanto, a Qualificação da Atenção Básica passa por articular um conjunto de ações e estratégias que avancem concretamente nos princípios apontados e a atuação cotidiana da Diretoria de Atenção Básica e das DIRES junto aos Municípios, através do Apoio Institucional e da Educação Permanente, é fundamental para que alcancemos esses objetivos.

Contudo, ao defendermos uma compreensão mais ampla de Atenção Básica, devemos pensar também na ampliação da resolutividade e da complexidade dessas ações e serviços. Coerente com isso, o Governo da Bahia propõe, em conjunto com o Ministério da Saúde, os Núcleos de Apoio à Saúde da Família e a Atenção e Internação Domiciliar, novos serviços de saúde que envolverão, além dos médicos, ondontólogos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e ACS, vários profissionais como fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais etc. Articular e integrar os serviços do Hospitais de Pequeno Porte no modelo proposto pela Saúde da Família de Todos Nós, é outra ação fundamental para a qualificação da Atenção Básica.

Portanto, podemos dizer que nosso compromisso é lutar e trabalhar cada vez mais para que cada cidadão residente na Bahia, baiano ou que adotou a Bahia no coração, conte com ações e serviços de saúde, próximos à sua casa, que lhe dê a tranqüilidade de viver a vida seguro de que, caso precise, terá um serviço aberto e de qualidade para lhe auxiliar da melhor maneira possível na resolução de suas necessidades de saúde.

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5. "O SUS é uma Escola"

Por todas as políticas orientadoras da “Saúde da Família de Todos Nós” perpassa a necessidade de grande investimento na qualificação dos atores que constroem a Atenção Básica cotidianamente: trabalhadores, gestores e usuários. Para atender essa importante demanda,vem sendo construído um projeto de Educação Permanente chamado “O SUS é uma Escola”.

É importante explicitar qual conceito de Educação Permanente estamos trazendo. Para além de momentos pontuais de capacitação, com objetos e temas segmentados sem articulação entre si, a Educação Permanente propõe um processo longitudinal de reflexão sobre a realidade do trabalho, que se constrói ao longo da carreira e que está comprometida com a articulação entre a teoria e a prática.

Este princípio está presente na nossa atuação como um todo, desde o Apoio Institucional aos Municípios, passando pelo plano de carreira e salários e pela proposta de Fundação Estatal da Saúde da Família, até a implantação de projetos prioritários do governo, como o Medicamento em Casa, Internação Domiciliar e a Política de Desprecarização dos Agentes Comunitários de Saúde e dos Agentes de Combate às Endemias.

Em coerência com essa postura, uma gama de processos de educação se articulam em torno do “O SUS é uma Escola”: Acolhimento Pedagógico e Educação Permanente das Equipes de Saúde da Família, Formação Técnica dos Agentes Comunitários de Saúde e dos profissionais de nível técnico, Especialização em Gestão da Atenção Básica, formação de facilitadores de Educação Permanente em nível regional, Residência Multiprofissional de Saúde Coletiva e Saúde da Família, Especialização em saúde para profissionais que atuam em órgãos com populações prioritárias (como quilombolas, indígenas e rurais) e articulação com as Universidades na construção da Universidade Aberta do SUS.

A Secretaria Estadual de Saúde da Bahia está fazendo importantes articulações que viabilizem todas estas propostas. Para superar a dificuldade de acesso que a extensão territorial do estado impõe, estamos incorporando a modalidade de ensino à distância aos processos de educação permanente dos profissionais do Sistema Único de Saúde no Estado da Bahia, com prioridade para os gestores e as equipes do Programa de Saúde da Família, democratizando o acesso ao conhecimento. Serão instalados centros de referência regionais com a tecnologia necessária à Educação à Distância.

Estamos unindo esforços para compor uma política de educação permanente que traga fortalecimento da capacidade de gestão loco-regional e mudanças palpáveis no cuidado à saúde que prestamos ao povo baiano.

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6. Descentralização Solidária e Fortalecimento da Gestão Municipal e Regional

A descentralização solidária da gestão tem como objetivo garantir em todo o Estado à atenção à saúde, necessária e demandada pelos cidadãos, com universalidade, equidade, integralidade, resolutividade e qualidade.

Entendemos que é tanto impossível quanto indesejável construir as políticas públicas sociais e, em especial, o SUS que queremos só a partir dos níveis centrais dos Governos Federal e Estadual. De outro lado, para a heterocentricidade da realidade dos munícipios é também irresponsabilidade descentralizar atribuições sem dar o apoio técnico e financeiro necessário, e investir fortemente na construção de uma relação solidária entre os municípios, entre esses e os demais entes federados (Governo de Estado e Federal), entre as três esferas de governo e movimentos sociais. Assim, a Descentralização Solidária e o Fortalecimento da Gestão Municipal se constitui em princípio de Reforma do Estado e projeto prioritário de Governo, não só para a saúde, mas para o conjunto do novo Governo da Bahia.

Uma primeira mudança que se faz necessária é romper concretamente com a herança de autoritarismo, clientelismo, favoritismo e de naturalização das condições adversas de vida e de saúde da população baiana.

É necessário também ampliar a capacidade tecno-política da gestão em todos os níveis, para efetivamente construir modelagens e sistemas municipais e regionais de saúde que, orientados pelos princípios e diretrizes da Política Nacional de Atenção Básica (Portaria GM/MS n. 648/06), consigam responder da melhor forma possível às necessidades e desafios de cada realidade singular.

O processo de reorganização da atenção, através da Estratégia da Saúde da Família, exige que entendamos que a descentralização não é apenas um processo de desconcentração de serviços e atribuições administrativas, mas uma ação para fortalecer o poder tecno-político através de uma postura pedagógica em que os gestores estaduais e municipais e os atores que atuam no controle social coordenam, planejam, supervisionam e avaliam conjuntamente as ações e serviços de saúde do município e da região, construindo solidariamente alternativas e se responsabilizando com o enfrentamento dos problemas identificados e priorizados. 

A operacionalização desta descentralização solidária exige: um novo papel das estruturas gestoras dos Sistemas Regionais, as Diretorias Regionais de Saúde – DIRES, integrando o conjunto de informações, ações e serviços de cada Território num sistema articulado de gestão colegiada entre diferentes entes e organizações do estado e da sociedade; a redefinição dos papéis das esferas de governo (Estado e Município); mudança das práticas de gestão; e a construção de novas relações entre os níveis de governo e os atores do Controle Social.

O Pacto pela Saúde aponta nessa direção, instituindo novas possibilidades de relação, pactuação, transparência e acompanhamento das políticas por parte das esferas de governo, entre si, e na relação com o controle social, além de colocar no centro da cena a necessidade de envolver o conjunto da população na Luta em Defesa do SUS.

 A Diretoria de Atenção Básica (DAB/SAIS/SESAB) reformulou seu modelo e estrutura de gestão para atender aos princípios apontados ao longo desse texto e colocar como eixos da prática de gestão o Apoio Institucional e a Educação Permanente. Nosso compromisso é com o Fortalecimento dos Municípios, através de uma relação mais Próxima, Solidária, Republicana, Democrática e Potencializadora, intensificando e reafirmando o apoio dado aos municípios das mais diversas formas, como visitas técnicas, oficinas, processos de educação permanente, criação de espaços direcionados para a co-gestão das políticas de saúde na atenção básica.

A construção dessa relação cooperativa e participativa com os municípios e controle social é o caminho para a concretização do SUS de Todos Nós para o qual convidamos e convocamos todos os atores implicados com a construção de uma nova Bahia.

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7. Fortalecimento da Participação Popular e do Controle Social

As mudanças propostas no âmbito da Atenção Básica para reorganização dos modelos de atenção e gestão passam necessariamente por colocar o usuário-cidadão no centro do processo de formulação e operacionalização das políticas de saúde.  É preciso ampliar o poder do usuário como cidadão portador e produtor de direitos e consolidar como base ética e política do trabalho em saúde, uma atuação orientada centralmente pelas necessidades de saúde dos usuários.

Tal proposição exige a ampliação da esfera pública do Estado, envolvendo os segmentos populares, os trabalhadores, a sociedade civil organizada e os gestores municipais no processo de formulação das políticas de saúde. Os segmentos populares, em especial, historicamente têm sido excluídos dos processos de decisão da agenda central das políticas de saúde. Neste novo governo, temos criado diversos dispositivos para o fortalecimento da participação popular e do controle social de modo a ampliar o controle público da sociedade sobre o Estado.

Para a elaboração e acompanhamento de políticas como a Desprecarização dos ACS e ACE, por exemplo, envolvemos as representações dos trabalhadores, dos gestores municipais, dos prefeitos, do Ministério Público e do Conselho Estadual de Saúde desde o início do processo, através de um Grupo de Trabalho aprovado pelo Conselho Estadual de Saúde; construímos diversos espaços de debate público com os trabalhadores, movimentos sociais e secretários municipais de saúde e movimento sanitário para discutir a proposta de criação da Fundação Estatal e da Carreira de Saúde da Família; colocamos e divulgamos nossas políticas através de publicações impressas e do sitio virtual da Diretoria da Atenção Básica (www.saude.ba.gov.br/dab); participamos das Conferências Municipais de Saúde e dos debates do PPA-Participativo uma grande novidade desse governo que, a partir dos Territórios de Identidade, permitiram a construção e sustentação social da nova Bahia; e construímos um forte diálogo com os Ministérios Públicos para o aprofundamento de uma Agenda para a Saúde.

No momento, através da I Rodada de Encontros Regionais da Atenção Básica que será realizada em seis municípios abrangendo toda a Bahia, estamos convidando todos os atores sociais implicados com a construção do SUS de Todos Nós na Bahia, a participar do debate de construção da Nova Política para a Atenção Básica. Assim, teremos a participação dos movimentos sociais e sindicais, dos conselhos municipais de saúde, de organizações dos trabalhadores, das Secretarias Municipais de Saúde, Prefeituras, Câmaras Municipais e do Ministério Público na construção da “Saúde da Família de Todos Nós”.

Pretendemos continuar ampliando os espaços para discussão a respeito de nossa política e nossos projetos, mas é necessário qualificar os antigos e constituir novos espaços de Participação Popular. É necessário promover espaços regionais e municipais que discutam e acompanhem a construção do Pacto pela Saúde e dos novos espaços colegiados de gestão regional do SUS; publicizar e envolver o controle social nos pactos estabelecidos entre os gestores municipais e estaduais de saúde para o fortalecimento da Atenção Básica; desenvolver processos de formação e educação permanente de conselheiros de saúde e movimentos sociais; divulgar a carta de direitos dos usuários da saúde; multiplicar e qualificar as experiências de participação popular local no âmbito dos serviços de saúde; fomentar uma agenda em Defesa da Vida para o Controle Social, tanto num âmbito mais macro, em defesa do SUS, quanto numa dimensão mais cotidiana: a mudança efetiva das práticas de saúde, do processo de trabalho, do modelo tecno-assistencial realmente existente nos serviços.

A implementação efetiva dessas propostas depende da correlação de forças entre os diversos atores sociais de um determinado local, interessados, ou não, em construir o Sistema Único de Saúde que seja efetivamente uma Política de Estado animada e sustentada pelo Poder Popular.

Assim, a capacidade da sociedade ampliar sua influência na garantia do Direito Humano à Saúde depende, além da convicção de sua importância estratégica pelos governos municipais e estaduais, de uma progressiva articulação dos segmentos sociais, tanto em espaços institucionalizados, quanto não institucionalizados.

O fortalecimento dos movimentos populares e da participação popular no SUS, não é um capricho para quem defende um SUS efetivamente de Todos Nós, é Condição e Necessidade.

Essa grande expectativa e esperança do povo baiano com um governo dirigido pelas forças democráticas e populares do Estado deve, então, se traduzir num momento histórico de grande mobilização e luta social em prol da implementação efetiva do SUS que queremos e da construção de uma nova Bahia, que deixe de ser uma terra de poucos para ser, de fato: “Terra de Todos Nós”. Esse é nosso Sonho, está aqui o nosso Compromisso, essa é nossa Luta!

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