Referência no tratamento de doenças graves, o Hospital Estadual da Criança (HEC), em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e o Hospital Geral Clériston Andrade, promoveu nesta terça-feira (07), o 1º Seminário sobre Doença Falciforme. O seminário, realizado no auditório do HEC, reuniu diversos profissionais da área de saúde, estudantes de medicina e representantes da Associação Feirense de Pessoas com Doença Falciforme (AFADFAL), que juntos discutiram como conduzir os principais eventos clínicos da doença.
A doença falciforme é o resultado de uma modificação genética no gene (DNA) que, no lugar de produzir o pigmento chamado hemoglobina (Hb) A, dentro dos glóbulos vermelhos ou hemácias, produz outro, denominado S (HbS). Desta forma, a doença falciforme é a demonianção usada para caracterizar uma doença causada pela presença de HbS nos glóbulos vermelhos de um indivíduo. Considerada uma doença inflamatória crônica, o indivíduo portador da doença apresenta anemia crônica e recorrente, insuficiência renal, síndrome torácica aguda, crise vaso-oclusiva, entre outros sintomas.
Coordenadora da Agência Transfusional do HEC, a hematologista Isa Lyra afirma que a Bahia é o estado com maior incidência e prevalência da doença. "A Bahia tem uma incidência grande de doença falciforme, e é preciso que a gente capacite cada vez mais os profissionais de saúde para o atendimento. Por isso a proposta de promover esse seminário aqui no HEC".
Devido à complexidade da doença, os portadores de doença falciforme necessitam de assistência prestada por uma equipe multidiscilpinar, como assistente social, fisioterapeuta, nutricionista, psicológa, que são fundamentais no acompanhamento e tratamento clínico. Nas crianças, a doença falciforme impacta na vida escolar, a criança deixa de frequentar a escola quando tem crises de dor, prejudicando a interação social.
Dor no paciente com doença falciforme
O 1º Seminário sobre doença falciforme discutiu ainda como tratar a dor no paciente, que para muitos, é uma experiência de sofrimento por toda a vida. Coordenadora do serviço de anestesia do Hospital Estadual da Criança, a anestesiologista Charlize Kessin destacou a importância de considerar os sintomas apresentados pelas crianças. De acordo com ela, a dor pode durar de quatro a seis dias, ou até mesmo semanas, variando em frequência, intensidade e duração.
Coordenador da Associação Feirense de Pessoa com Doença Falciforme (AFADFAL), Amaury José da Silva, foi diagnosticado com a doença quando tinha dois anos de idade. Hoje, aos 44 anos, Amaury revela que não é fácil viver com a doença. "Tem dia que nós estamos bem, com a auto-estima elevada, mas, tem dia que a gente sente muita dor, e viver com dor não é fácil para ninguém".
A AFADFAL foi criada há três meses, no entanto, em pouco tempo de atividades já conquistou parceiros importantes, como o Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Desigualdades em Saúde, da UEFS.
Fonte: HEC
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