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Apresentação
A
circulação simultanea de mais de um sorotipo do vírus do dengue no Brasil está
favorecendo a ocorrência de vários casos da forma hemorrágica desta doença,
alguns deles fatais. Entretanto, o avanço do conhecimento da fisiopatogenia,
evolução clínica e tratamento desta doença têm revelado que o diagnóstico
correto e precoce associado a instituição de terapêutica adequada impedem
quase todos os óbitos. Neste sentido, é que a SESAB/SUVISA/DIVEP está
divulgando estas orientações para todos os médicos do Estado da Bahia, tendo
como objetivo contribuir para o perfeito atendimento aos pacientes acometidos
com esta doença.
Atenção
ao paciente com Dengue
Todos
os indivíduos com doença febril com suspeita diagnóstica de dengue devem ser
submetidos a avaliação clínica e classificado em uma das seguintes situações:
-
Dengue
clássico sem manifestação de hemorragia.
-
Dengue
clássico com alguma manifestação hematológica ou de hemorragia.
-
Febre
hemorrágica do dengue com ou sem choque.
Na
maioria das vezes ocorre uma nítida progressão entre estas três situações,
ou seja o paciente inicia os sintomas de Dengue Clássico (febre alta de início
abrupto seguido de um ou mais dos seguintes sintomas: cefaléia, mialgias,
artralgias, dor retro-orbitária, prostração, náuseas, vômitos e exantema. A
partir do terceiro dia da doença ( mais comumente entre o quarto e sexto dia),
pode-se observar alguns pequenos sinais de sangramento (petéquias, epistaxes,
gengivorragia), o que configura o quadro de Dengue Clássico com Hemorragia,
que, se for acompanhado de um ou
mais dos sinais de alerta (quadro 2), deve-se
ser levantada a suspeita de Dengue
Hemorrágico e ser iniciada a terapêutica adequada, que é a reidratação
parenteral. Assim, qualquer Unidade de Saúde com condições de realizar
hidratação venosa e hemograma (ou coletar o material para que este seja feito
de urgência) pode atender os casos de Dengue Hemorrágico.
Orientações básicas
Pacientes
com febre acompanhada de outros sinais comuns ao dengue podem ser diagnosticados
como Dengue clássico sem manifestações hemorrágicas.
Conduta
– hidratação oral (aumento da ingestão de água, sucos, chás, etc) em domicílio.
Explicar aos familiares em que situações o doente deve procurar imediatamente
a Unidade de saúde ou outra de emergência de acordo com o descrito no Quadro
1. Estas orientações devem ser entregues por escrito ao paciente e/ou
familiares.
Prescrever
analgésicos e antipiréticos (não usar derivados de salicilatos). Sempre que
possível, mesmo que não se tenha suspeita de complicações, solicitar o
retorno do paciente para avaliação 3º e
o 6º dia de doença.
Não
esquecer de alertar aos pacientes para procurar imediatamente assistência médica
em caso de aparecimento de manifestações hemorrágicas.
Laboratório
– os exames laboratoriais para avaliação clínica nos casos de dengue clássico
não são obrigatórios, ficando a critério do médico. A Vigilância epidemiológica da SESAB sugere que a sorologia
específica e/ou isolamento viral para dengue deverá ser solicitada em um de
cada 10 atendidos e realizada pelo LACEN. Sempre que houver referência de um de
segundo episódio de Dengue deverá ser solicitado
sorologia ou isolamento viral. O controle deste quantitativo deverá ser
feito pelas Secretarias Municipais de Saúde.
Pacientes
com febre acompanhada de outros sinais comuns ao dengue e algumas manifestações
hemorrágicas como epistaxe, gengivorragias, petéquias e equimoses sem sinais
de extravasamento de líquido para espaço intersticial (hipotensão, sinais de
choque, etc) podem ser diagnosticados como Dengue clássico com manifestações
hemorrágicas:
Conduta
se não houver sinais de choque ou hipotensão – caso haja condições na
Unidade de Saúde realizar hematócrito e contagem de plaquetas (vide interpretação
destes exames no quadro 3) . Se não houver condições de realizar estes exames
encaminhar imediatamente o material para um local onde se possa processá-los,
ou transferir rapidamente o paciente para outra unidade com condições de
realizá-los.
Se
o paciente estiver hidratado ou levemente desidratado manter a hidratação
oral. O volume deve ser o maior possível de acordo com a tolerância do
paciente. Prescrever antipiréticos e
analgésicos como o paracetamol e dipirona (não usar salicilatos).
Quando
se detectar níveis baixos de plaquetas (< 100.00/ mm3 ) ou hematócrito elevado, mas sem hipotensão manter o paciente em observação por 12 a
24 horas.
Repetir
hematócrito e plaquetas, se houver tendência a normalidade, liberar o paciente
para acompanhamento ambulatorial.
Conduta
nos casos com sinais de hipotensão ou choque – puncionar uma veia para
iniciar imediatamente a reidratação e coleta de sangue para exames. Se a
Unidade de Saúde não tiver condições de fazer a reposição hidroeletrolítica
encaminhar imediatamente para outra que possa realizar este procedimento e os
exames laboratoriais. Transferir o paciente de preferência já com infusão
venosa de soro.
Utiliza-se
Soro Fisiológico ou Ringer na quantidade de 10-20 ml por
kg/hora. Avaliar as condições hemodinâmicas (Pulso, TA etc..) do
paciente a cada hora para ir
adequando a quantidade de líquido.
Laboratório
- realizar hemograma (ou pelo menos hematócrito e contagem de plaquetas),
tipagem sanguínea.
Pacientes
que apresentarem um ou mais dos sinais de alerta (quadro 2), acompanhados de
evidências de hemoconcentração e plaquetopenia, portanto com forte suspeita
de Dengue Hemorrágico:
Conduta:
hospitalização para tratamento com fluidos intravenosos e monitorização
cuidadosa. O tratamento imediato com Rehidratação Intravenosa é fundamental
para prevenir o choque e a evolução fatal da doença.
Recomenda-se para adultos: infusão venosa com solução
salina ou Ringer na dosagem de 10-20 ml/Kg. Crianças: solução glicofisiológica
(500 ml de solução de glicose a 5% + 11 ml de NaCl a 20%. Realizar
monitoramento hemodinâmico e laboratorial Não efetuar punção ou drenagem de
derrames serosos ou outros procedimentos invasivos
No
cálculo da quantidade de líquido a ser administrado, deve-se levar em
consideração:
As
necessidades hídricas básicas diárias.
A
correção do déficit decorrente de perdas.
A
correção da hipovolemia decorrente da fuga de líquidos para o interstício.
A
reposição de potássio deve ser iniciada uma vez observado o início da
diurese acima de 500 ml ou 30 ml/hora.
Laboratório:
realizar tipagem sanguínea; monitorar hematócrito de 4 em 4 horas enquanto o
paciente estiver instável hemodinamicamente, contagem de plaquetas a cada 12
horas; Rx de tórax para identificar derrame pleural, se possível
ultrassonografia abdominal, transaminases, fibrinogênio e albumina. O diagnóstico
laboratorial específico é obrigatório com coleta para isolamento viral (<5
dias de doença) ou sorolgia ( >5 dias de doença).
Atenção:
Os
pacientes com suspeita de dengue hemorrágico devem ser considerados em perigo
iminente de choque. Portanto, acompanhamento clínico neste momento é decisivo
para o prognóstico. Durante uma administração rápida de fluídos é,
particularmente importante estar atento a sinais de insuficiência cardíaca.
Pacientes
com Dengue hemorrágico com manifestações clínicas de alteração do sensório,
hipotensão, taquicardia, taquipnéia, oligúria, acidose metabólica, pulsos
fracos ou ausentes, palidez, sudorese e pele fria se caracteriza como Síndrome
de Choque do Dengue:
Conduta
- hospitalização imediata em Unidade de Terapia Intensiva, acesso de emergência
a uma ou mais veias, para infusão de fluidos e coleta de exames laboratoriais.
Infusão intravenosa com solução salina, albumina ou expansores Plasmáticos;
Oxigenoterapia; Administração de sangue, total ou componentes se necessário;
prevenção do edema pulmonar. Reposição imediata das perdas plasmáticas;
iniciar a administração de líquidos, por via intravenosa, com Ringer Lactato
ou Solução Salina Isotônica, a razão de 20 ml/Kg/h. O fluxo deve ser tão rápido
quanto possível, pressão positiva se necessário. Se o choque persistir,
administra-se Plasma ou expansores plasmáticos, após o fluido inicial, a
razão de 10-20 ml/kg/hora.
Se
houver uma melhora dos sinais vitais, a taxa de infusão intravenosa pode ser
reduzida e, posteriormente, ela deve ser ajustada de acordo com os níveis de
hematócrito e sinais vitais. A administração de líquidos por via intravenosa
deverá ser sustada quando o valor do hematócrito cair para um
nível estável e existir um
bom nível urinário.
Laboratório:
Tipagem sanguínea; Monitoramento do hematócrito (pelo menos de 2 em 2 horas);
Dosagem de eletrólitos séricos e gasometria sanguínea; Contagem de plaquetas
– fibrinogênio; Provas funcionais hepáticas; monitoramento da perda do
plasma através da dosagem de albumina, Rx de tórax e ultrasonografia.
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