Definição

Legislação

Comissão Estadual de Residência Médica (CEREM)
Leis

 

 

Histórico da Residência Médica
    Histórico da Residência Médica na Bahia
Quadro de Residentes MEC / SESAB
Produções Científicas
Concurso Público de Residência Médica
Contato

Definição
 
Residência Médica é a modalidade de ensino de pós-graduação, destinada a médicos sob a forma de curso de especialização, caracterizada por treinamento em serviço em regime de dedicação exclusiva, funcionando em estrutura de saúde, universitários ou não sob a orientação de profissionais médicos de elevada graduação ética e profissional (Art. 81, item II, Constituição Federal).

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Histórico da Residência Médica
 

1889 - Implantação do sistema de ensino da prática clínica hospitalar e treinamento profissional em serviço, proposto pelo Conselho de Hospital e Ensino da Associação Médica Americana (Hospital John Hopkins).

1948 - Implantação do primeiro programa de residência médica no recém fundado Hospital da Universidade de São Paulo e no Hospital dos Servidores do Rio de Janeiro.

1960 - Ampliação das atividades em hospitais tradicionais e ligados as universidades de diversas regiões do país.

1970 - Expansão da residência médica em aumento do número de vagas e número de programas.

1977 - Criação da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) do Ministério da Educação (MEC) através do Decreto Lei Federal n 80.821 de 05/07/77.

1981 - Criação da lei 6932 de 07/07/81 que dispõe sobre a atividade do médico residente determinando o uso da titulação apenas para os concluintes de programas credenciados pela CNRM.

 

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Histórico da Residência Médica na Bahia
 
1960 - Implantação da residência médica no Hospital Universitário Professor Edgar Santos (Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Pediatria)

1970 - Implantação da residência médica no Hospital Getúlio Vargas (Cirurgia de Urgência)

1981 - Ampliação do sistema de ensino com a implantação da residência médica no Hospital Roberto Santos (Cirurgia Geral);
Criação da Residência Médica da Secretaria da Saúde pela Portaria 235/81 do Instituto de Saúde da Bahia (ISEB) que já dispunha de 2 programas no Hospital Roberto Santos (Cirurgia geral, Ortopedia e Traumatologia);
Criação de residência médica nos hospitais Manoel Vitorino e Ana Nery (INAMPS) - (Cirurgia Geral, Clinica Médica e Obstetrícia/ Ginecologia) Departamento de Medicina Preventiva (UFBA), Medicina Preventiva e Social Hospital Santo Antônio e Santa Isabel Cirurgia Geral, Clinica Médica, Pediatria e Obstetrícia/ Ginecologia).

1982 - Criação do Sistema Único da Residência Médica (Comodato entre o ISEB, INAMPS, UFBA e Santa Casa de Misericórdia).

1984 - Ampliação de Programas pelo ISEB (Cirurgia Geral, Clinica Médica, Pediatria, Obstetrícia/ Ginecologia, Psiquiatria e Traumatologia).

1988 - Implantação do SUS e responsabilidade da SESAB pelas bolsas de residência médica.

1990/2000 - Ampliação dos novos programas em todos os hospitais existentes e implantação nos hospitais Humberto de Castro Lima (Instituto Bahiano de Oftalmologia e Prevenção da Cegueira-IBOPC), Calixto Midjlei (Santa Casa de Misericórdia de Itabuna) e São Rafael (Fundação Monte Tabor). Em 1991 houve interiorização de alguns programas para atender a formação de recursos humanos em áreas básicas no interior do estado (Hospital Clériston Andrade em Feira de Santana). Implantação de novos modelos de residência médica para consolidação do SUS. Atualmente o estado oferece 480 vagas sendo 350 de responsabilidade da SESAB e 130 do MEC.

2000 a 2005 – Com a proposta do Governo Federal de fortalecer o SUS através da mudança de modelo assistencial tendo como estratégia o Programa de Saúde da Família foram implantados em 2003 o Programa de Medicina da Família e da Comunidade no Município de Vitória da Conquista tendo como unidade hospitalar de referencia o Hospital Municipal Esaú Matos e em 2005 em Salvador na Fundação para o Desenvolvimento da Ciência e Sociedade Hólon, tendo ambas como campo de estágios os ambulatórios municipais e o Hospital Santa Izabel como unidade de referencia hospitalar. Ainda nesse período foi identificada necessidade de formação de profissionais em outras áreas deficientes em número de profissionais e assim na área de Medicina Intensiva foram credenciados os programas da Santa Casa de Misericórdia da Bahia (Hospital Santa Izabel), da Real Sociedade Portuguesa de Beneficência (Hospital Português) do Centro de Pesquisa Sócrates Guanaes (Hospital da Cidade), Hospital Roberto Santos e Hospital São Rafael. Nefrologia Pediátrica (Hospital Roberto Santos) e Saúde do Trabalhador são programas implantados após serem como necessários para suprir deficiências de profissionais nessas áreas.

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Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), composta por:
 

Um representante do Conselho Federal de Medicina;

Um representante da Federação Nacional dos Médicos;

Um representante da Associação Médica Brasileira;

Um representante da Associação Nacional dos Médicos Residentes

Um representante do Ministério da Saúde;

Um representante do Ministério da Educação;

Um representante da Comissão de Especialistas de Ensino Médico do Ministério da Educação;

Um representante da Associação Brasileira de Educação Médica.


A Comissão Nacional de Residência Médica tem por função formular e executar a política nacional de formação de especialistas através da elaboração de normas gerais de organização dos programas de residência Médica; da definição de critérios para a distribuição de vagas de Residência Médica no território nacional; do primeiro credenciamento e julgamento de recursos de questões não resolvidas nos âmbitos das Comissões Estaduais de Residência Médica.

Presidente
Prof. Nelson Maculan Filho
Secretário Executivo
Prof. Dr. Antonio Carlos Lopes
Representante do Ministério da Saúde
Dr. Ricardo Burg Cecim
Representante do Ministério da Previdência e Assistência Social
Dr. Magda Beatriz da Silveira
Representante do Conselho Federal de Medicina
Roberto Luiz D'Ávila
Representante da Associação Brasileira de Escolas Médicas
Drª. Maria do Patrocínio Tenório Nunes
Representante da Associação Médica Brasileira
Dr. José Carlos Nicolau
Representante da Federação Nacional dos Médicos
Dr. André Longo Araújo de Melo
Representante da Associação Nacional dos Médicos Residentes
Dr. André Kiyomitsu Zanúncio Sediyama
Representante do Ensino Médico do Ministério da Educação
Dr. José Lúcio Martins Machado

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Comissão Estadual de Residência Médica (CEREM), composta por:
 
A Comissão Estadual de Residência Médica do Estado da Bahia (CEREM), é uma representação da CNRM, conforme disciplina a Resolução 01/87 do Ministério da Educação - MEC ( Diário Oficial da União de 06/04/87).

É constituída por um Plenário e uma Comissão Executiva. Do Plenário fazem parte:

a) um representante de cada uma das seguintes instituições:

Conselho Regional de Medicina

Associação Bahiana de Medicina (ABM)

Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (SINDMED)

Associação Bahiana da Médicos Residentes (ABMR)

Universidades Públicas Federais ou Estaduais que ofereçam Programas de Residência Médica.

b) Dois delegados de cada Instituição Hospitalar que ofereçam Programas de Residência médica, sendo um eleito entre os Médicos residentes e outro escolhido entre os Preceptores.

c) Um estudante de Medicina indicado pelo Diretório Acadêmico de cada Escola Médica do Estado.

d) Um representante de Instituições visando as peculiaridades e especificidades do Estado.

Da Comissão Executiva fazem parte:

Presidente

1º e 2º vice-presidentes

1º e 2º secretários

OBS.:
1) O 1º vice-presidente é representante indicado pela Sesab.
2) A reunião Plenária realizada em 06/99 resolveu que o 2º secretário da executiva seria o representante dos residentes, por eles designado.

A CEREM reúne seu Plenário e executivo mensalmente. É enviada, assiduamente, convocação via fax para todas as COREMES e diretorias dos hospitais que possuem programas de residência médica, assim como para todas as instituições constituintes.

A reunião do Plenário é aberta ao público e acontece na sede da ABM em Ondina, na última quinta-feira de cada mês às 10:30h.

Presidente
Miralba Freire de Carvalho Ribeiro da Silva
Vice-Presidente
Clarice Pitanga Diniz Guerra
Tesoureiro
Robson Freitas de Moura
Secretário
Adherbal Casé do Nascimento

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Comissões Hospitalares de Residência Médica (COREME)
 
A Comissão de Residência Médica (COREME) é o órgão que representa todos os Programas de Residência Médica de uma unidade hospitalar frente a diretoria da instituição e demais comissões responsáveis. É composta por:

Representante da Diretoria

Representante dos Residentes

Supervisor de cada Programa

O seu Coordenador é escolhido por Supervisores e Preceptores, passando a exercer mandato de um ano.
Esta Comissão deve reunir-se mensalmente, e a ela cabe a responsabilidade de lidar com todos os problemas internos envolvendo os PRMs. Todas as COREMES devem possuir um Estatuto Interno, pelo qual os residentes devem se guiar. Peça para conhecer o estatuto interno de sua COREME quando da sua chegada ao programa e esforce-se para que se cumpra.

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Quadro de Vagas dos Programas

Residência Médica - Evolução de vagas 1994 - 2005 SESAB / MEC

Quadro de vagas

Quadro de Vagas - Concurso 2005

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Abordagem Diagnóstica na Neurocisticercose
Antônio SA Filho, Samira LA Pereira e Patrícia L Santos

O diagnóstico de neurocisticercose (NC) baseia-se na história epidemiológica do paciente, associada a quadro neurológico de crises convulsivas, cefaléia, síndrome de hipertensão intracraniana e/ou alterações psiquiátricas. Todo paciente com esse perfil deve realizar uma tomografia computadorizada (TC) de crânio e testes sorológicos no liquor cefalorraquidiano (LCR), com posterior tratamento clinico-etiológico e/ou sintomático.

Antônio de Souza Andrade Filho
Professor da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e Departamento de Neuropsiquiatria da Faculdade de Medicina da UFBA
Correspondência
Antônio de Souza Andrade Filho
Rua Deocleciano Barreto,10, Chame-Chame
40150-4000 Salvador, Bahia
Tel.: (0xx71) 332-9999/2333
E-mail: fundacao@svn.com.br / andradea@svn.com.br

Referências

1.. Andrade-Filho AS, Souza APQU, Souza YMA. Neurocisticercose. Revisão. Parte I. RBNP 1997;1(3):125-30.
2.. Andrade-Filho AS, Souza APQU, Souza YMA. Neurocisticercose: diagnóstico. Revisão. Parte II. RBNP 1998;2(1):9-12.
3.. Andrade-Filho AS. Neurocisticercose aspectos clínicos, epidemiológicos e diagnósticos: estudo prospectivo de 157 pacientes na região Nordeste, Bahia [dissertação]. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro; 1998.
4.. Canelas HM. Neurocisticercose: incidência, diagnóstico e formas clínicas. Arq Neuropsiquiatr 1962;20:1.
5.. Sotelo S, Guerreiro V, Rubio F. Neurocysticercosis; a new classification based on active and inactive forms. Arch Neurol 1998;45:1130-3.
6.. Andrade-Filho AS, Figuerôa FLS, Souza YMA, Souza APQU, Pereira SLA, Santos PL, et al. Clinical correlations of 220 patients with neurocysticercosis, Bahia, Brazil. Proceedings of the XI World Congress of Psychiatry. August 6-11, 1999. Hamburg, Alemanha.
7.. Andrade-Filho AS, Galdino GS, Mattos GR, Moreno OA, Freitas MS, Matos GR, et al. Neurocisticercose forma ventricular e subaracnóideana tratada com albendazol: relato de 5 casos. Anais do XV Congresso Brasileiro de Neurologia. 15 Outubro, 1992. Porto Alegre (RS), Brasil.
8.. Andrade-Filho AS, Galdino GS, Mattos GR, Moreno AO, Ancilon M, Rolemberg-Filho JC. Albendazol em neurocisticercose: relato de 5 casos. Rev Bras Neurol 1991;27(3):115-20.
9.. Andrade-Filho AS, Galdino GS, Mattos GR, Moreno AO, Ancilon M, Rolemberg-Filho JC. Albendazole vs neurocysticercosis. Resumés du Congres et Neurologie Tropicale. 26-28 1991; Limoges, France. p.123.
10.. Andrade-Filho AS, Souza APQU, Souza YMA. Neurocisticercose: tratamento. Revisão. Parte III. RBNP 1998;2(2):45-9.


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Mastite Puerperal: Estudo de Fatores Predisponentes

Puerperal Mastitis: Study of Predisposing Factors

Acilegna do Nascimento Sales, Graciete Oliveira Vieira, Maria do Socorro de Queiroz Moura
Suelly Pinto Teixeira de Morais Araújo Almeida, Tatiana de Oliveira Vieira

RESUMO

Objetivos: conhecer as características clínicas e bacteriológicas da mastite, classificação e tratamento.
Métodos: as pacientes foram inquiridas sobre dados pessoais, pré-natal, atendimento no parto, no puerpério e quadro clínico. A mastite foi classificada pelos critérios de Vinha. Nos casos que evoluíram para abscesso, foi realizada análise bacteriológica, utilizando-se o meio de cultura caldo de enriquecimento Tryptone Soya Broth. Resultados: das 70 lactantes, 57% eram primíparas, 57% com idade entre 20 e 29 anos e 51 % com 1 2 grau incompleto. A renda era menor que um salário mínimo em 63% dos casos. Exerciam atividade domiciliar sem apoio em 66% dos casos. Em 50%, as mamas não foram examinadas. No pré-natal não tiveram orientação sobre aleitamento e ordenha em respectivamente 50% e 58% dos casos. Em 63% o parto não foi em hospitais Amigos da Criança. Ocorreu ingurgitamento em 46% e fissura mamilar em 47% dos casos. Na classificação citada: 44% eram do tipo lobar, 39% ampolar e 17% glandular. No material de cultura houve crescimento de Staphylococcus aureus em 55%.

Conclusões: fatores como baixa escolaridade, baixa renda, atividade familiar sem apoio, primiparidade e falta de orientação são fatores de risco para o aparecimento da mastite.

PALAVRAS-CHAVE: Aleitamento materno. Amamentação. Infecção puerperal.

Referências Bibliográficas

Ministério da Saúde. Manual de promoção do aleitamento materno: normas técnicas. 2ª ed. Brasília - 1997. p.6.
2. Vieira GO, Glisser M, Araújo SPT, Sales AN.
Indicadores do aleitamento materno na cidade de Feira de Santana, Bahia. J Pediatr (Rio de Janeiro) 1998; 74:11-6.
3. Linhares E. Distúrbios e patologia da lactação.
Mastites. In: Rezende J, editor. Obstetrícia. 3ªed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1974. p.867-73.
4. Riordan J, Countryman BA. Basics of breastfeeding.
Part II - The anatomy and psychophysiology of lactaion. JOGN Nurs 1980; 9:210- 3. 631
Ziegel EE, Cranley MS. Enfermagem obstétrica. 8ª ed-Rio de Janeiro: Guanabara; 1985. p.696.
Fetherston C. Management of lactation mastitis in a Western Australian cohort. Breastfeed Rev 1997; 5:13-9.
Kaufmann R, Foxman B. Mastitis among lactating oceurrence and risk factors. Soe Sci Med 1991; 33:701-5.
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Kinlay JR, O'Connell DL, Kinlay S. Incidence of mastitis in breastfeeding women during the six months after delivery: prospective cohort study. Med J Aust 1998; 169:310-2.
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12.Riordan J, Auerbach KG. Breastfeeding and human lactation. Boston: Jones and Bartlett Publishers; 1993. p. 382-400.
13.Vinha VHP. Projeto aleitamento materno: autocuidado com a mama puerperal. 1ª ed. São Paulo: Sarvier; 1994. p.21-101.
14.Almeida JAG. Amamentação: um híbrido natureza - cultura. 14 ed. Rio de Janeiro: FIOCRUZ; 1999. p.76-8.
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16.Martins FJ. Como e porque amamentar. 2E@ ed. São Paulo: Sarvier: 1984. p.103-6. 17.Waletzky LR. Breastfeeding and weaning - some psychological considerations. Prim Care 1979; 6:341-55.
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FREQUÊNCIA DE LESÕES INFLIGIDAS EM CRIANÇAS INTERNADAS POR ACIDENTES

Autores:Elane Dourado (1) ,Ana Gisele Campos (1), Sandra Quintela (1),Célia Silvany (2)
Serviço de Pediatria do Hospital da Criança .Obras Sociais de Irmã Dulce.Salvador-Bahia-Brasil

1-Médicas Residentes do Serviço de Pediatria do Hospital da Criança – Obras Sociais de Irmã Dulce/Ba
2- Coordenadora da Residência Médica em Pediatria das Obras Sociais Irmã Dulce; Salvador/Ba

Autor responsável: Célia Maria Stolze Silvany
Endereço: Rua Guadalajara 120 /303.Ondina Salvador.Bahia
Tele: 071-2374069
E-mail: celia.silvany@terra.com.br

Introdução

A questão da violência contra a criança e o adolescente vem sendo objeto de estudos particularmente após o trabalho apresentado por Henry Kemp na década de 60, com uma série de mais de 440 casos da então conhecida “síndrome da criança espancada”.Atualmente o conceito da violência é bem mais amplo ,envolvendo todo ato praticado pela pessoa em condição superior de idade,condição social ou econômica,inteligência,força ,que cometa um dano quer seja por ação ou omissão,prejudicando o desenvolvimento ou a vida de crianças e adolescentes.(11 )As leis nacionais promulgadas após a Convenção das Nações Unidas pela Infância ,criaram condições de proteção contra maus tratos, estabelecendo a exigência de notificação dos casos suspeitos ou confirmados (Lei 8.069/90,ECA,art.13.).A importância e a abrangência da violência contra a criança e o adolescente estão representadas pelas estatísticas de mortes provocadas por acidentes e violência,grupo denominado pela OMS como causas externas(17 ).No Brasil ,os dados divulgados pelo Ministério da Saúde/99, destacam as causas externas como as principais causas de mortes a partir dos 5 anos de idade ,com predomínio dos acidentes de transporte , dos homicídios e das causas mal definidas.A proporção dos óbitos por causas não definidas dificulta a avaliação dos dados pois não separam os acidentes da violência.Na pesquisa realizada pela OPAS (17 )sobre o perfil da mortalidade por causas externas nas Américas (Yunes,94),o Brasil foi excluído por apresentar um número superior a 10% no grupo das causas mal definidas.Estudos recentes , apontam as dificuldades encontradas pelos profissionais de saúde no diagnóstico diferencial entre as lesões acidentais daquelas provocadas.
Objetivo
O objetivo deste estudo é conhecer a freqüência de lesões infligidas em crianças ou adolescentes internados no Hospital da Criança (HC) devido a acidentes de qualquer natureza e procedentes de qualquer unidade de atendimento, visando a prevenção da violência e seu diagnóstico precoce.
Métodos
O estudo foi um desenho clinico epidemiológico prospectivo, de pacientes internados no Hospital da Criança (HC) em Salvador/Bahia,pertencente às Obras Sociais de Irmã Dulce (OSID),por um período de 10 meses/2000,acompanhados pelo Serviço de Clinica Pediátrica,sendo excluídos os pacientes acompanhados pelos serviços especializados,tomando-se como fator de inclusão o encontro dos “sinais de alerta” para maus tratos, obtidos pela historia,exame físico ou dados de exames complementares.Foram incluídos no estudo todos os pacientes que apresentassem um ou mais sinais de alerta para maus tratos nos cinco tipos: Físico,Negligência,Sexual,Psíquico e a Síndrome de Münchausen por procuração.O risco da suspeita infundada a partir de sinais de alerta foi levantado e controlado pelo exame especifico da Comissão de Atenção as vitimas de Maus Tratos (CAVIMT) do HC,com atuação independente desse estudo.O sigilo foi mantido, uma vez que , os sinais de alerta nem sempre conduzem ao diagnóstico de maus tratos,sendo prejudicial à criança e sua família, uma condução inadequada do trabalho.Os protocolos estão sob a guarda da Comissão de Ética em Pesquisa do Hospital e o sigilo só foi rompido quando os casos receberam a análise da CAVIMT,em concordância com a lei 9.069/90, Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA,art.13, do Código de Ética Médica,art,102 e da Declaração dos Direitos da Criança e do adolescente Hospitalizados.

Resultados:
Dos 52 pacientes, 23 eram do sexo masculino e 29 do sexo feminino,sendo que 67,3 % dos pacientes tinham idade abaixo dos 5 anos. Os tipos de acidentes em ordem de freqüência foram: quedas, queimaduras, intoxicações (gráfico 1) Os principais motivos que levaram a internação hospitalar foram às infecções secundária a fraturas ou lesões pós-queda,seguida de infecções respiratórias,esofagite pós-intoxicação,gromerulonefrite pós-estreptocócica e em apenas um caso havia na história abuso físico denunciado pela família A baixa freqüência de acidentes de trânsito ou por armas branca ou de fogo se deve à característica do Hospital que não possui setor de emergência,não sendo referência para este tipo de atendimento.
Os sinais de alerta mais encontrados foram: fraturas em diferentes estágios de consolidação e /ou hematomas de diferentes idades, história incompatível com o grau da lesão, história confessada de maus tratos por familiares, acidente em situação de alto risco conhecido, marcas definidas em pele e mucosas.
As evidências de maus tratos foram encontradas em 59,6% e sem evidências em 38,4%; um paciente apresentava lesões devido a quedas provocadas por doença miopática (gráfico2)
Os tipos de maus tratos foram classificados em: negligência (67,8%), abuso físico (32,2%), dois deles associado ao abuso sexual. (gráfico3).O tipo de Maus Tratos psíquicos não foi encontrado isoladamente.Dos pacientes com abuso físico dois apresentavam sinais de abuso sexual associado, um deles com história de abuso sexual denunciado pela família, apresentando lesão cicatricial por mordedura animal,sendo internado para cirurgia plástica reparadora.

Comentários

Neste estudo ficou evidenciada a importância dos maus tratos como causa de morbidade na população infantil estudada,dados que são compatíveis com os descritos na literatura ( 13,14,15).O método usado a partir dos sinais de alerta, podem levar a suspeitas infundadas ,o que ocorreu em 38,4% dos casos,o que revela a necessidade de estabelecer critérios claros para seu diagnóstico,entretanto mostrou ser, um método valioso de ensino, se bem aplicado,pois, permite a quebra do ciclo da violência, possibilitando a cura da vítima sem seqüelas. Em 50 casos (94,3%),o primeiro atendimento ocorreu em serviço de emergência ou de traumatologia , posteriormente internados para tratamento de complicações que corresponderam a: correção plástica por enxertia, abscessos, osteomielite , celulite, gromerulonefrite pós-estreptocócica, esofagite secundária a intoxicação.A dificuldade de estabelecer o diagnóstico diferencial entre lesões infligidas e acidentais especialmente em serviço de emergência ,não é prerrogativa do nosso meio(1.14,16) .Trabalhos realizados em centros de pesquisa de outros paises demonstram resultados semelhantes (14,15,16),sendo considerado, um desafio para os profissionais de saúde. Neste estudo, em apenas 5,7% dos pacientes, a suspeita foi feita no primeiro atendimento. O predomínio da idade abaixo dos 5 anos, reflete um risco elevado, o que exige uma melhor avaliação dos casos de “acidentes” atendidos em qualquer nível de atenção a saúde.


Referências:

  1. Altemeier WA, Oconnor S, Vietze PM, et al: Behavioral pediatric: Antecedents of child abuse. Pediatric 100:823-829,1982
  2. Brasil.Resolução Conselho Federal Medicina no-1451/95,DOU,17 de março de 1995
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  10. Fischler RS: Child abuse and neglect in American Indian communities. Chid abuse Negl 9:99-106,1985
  11. Guia de Atuação frente aos Maus Tratos,Ministério da Justiça,Sociedade Brasileira de Pediatria,2000
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  17. Yunes J,Perfil da mortalidade infantile por causas externas nas Américas,OPAS,94

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