Causas externas

Apresentação

As causas externas são traumatismos, lesões ou quaisquer outros agravos à saúde – intencionais ou não – de início súbito e como consequência imediata de violência ou outra causa exógena. Neste grupo, incluem-se as lesões provocadas por eventos no transporte, homicídios, agressões, quedas, afogamentos, envenenamentos, suicídios, queimaduras, lesões por deslizamento ou enchente, e outras ocorrências provocadas por circunstâncias ambientais (mecânica, química, térmica, energia elétrica e/ou radiação).

 

Vigilância no Trânsito

Violência no trânsito é a terceira maior causa de mortes no mundo. Acidentes no trânsito são a terceira causa de morte no mundo, ficando atrás apenas das doenças cardíacas e câncer. Essas ações visam ao esclarecimento e orientação da população para tentar reverter os números, que aumentam ano a ano, principalmente com o uso do álcool.
Estatísticas mostram que os jovens são os principais envolvidos em acidentes com mortes e o uso do álcool está inserido no fator causador do acidente. Apesar de todos os estímulos e campanhas alertando, os jovens continuam bebendo ou pegando carona com quem bebeu.

 

Violência Interpessoal/ autoprovocada

É conceituada para fins de notificação como “o uso intencional de força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade que resulte ou tenha possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação.Enquanto tipologia da violência a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu três grandes grupos considerando o autor da agressão: violência contra si mesmo (autoprovocada ou auto infligida); violência interpessoal (doméstica e comunitária); e violência coletiva (grupos políticos, organizações terroristas, milícias). A OMS estabelece também distinções sobre as naturezas da violência, sendo elas: violência física; violência psicológica/moral; tortura; violência sexual; tráfico de seres humanos; violência financeira/econômica; negligência/ abandono; trabalho infantil; intervenção legal. Com o objetivo de dar visibilidade à violência enquanto problema de saúde pública e gerar informações que subsidiem a implantação de políticas públicas voltadas à promoção da saúde e cultura da paz, a notificação de violências passou a integrar a lista de notificação compulsória, universalizando-a para todos os serviços de saúde com a publicação da Portaria nº 104 de 25 de janeiro de 2011, e posteriormente com a Portaria nº 1.271 de 06 de junho de 2014, que tornou imediata (em até 24 horas) a notificação dos casos de violência sexual e de tentativas de suicídio na esfera municipal, com o propósito de garantir a intervenção oportuna nos casos.

A ficha de notificação individual deve ser utilizada para o registro de qualquer caso suspeito ou confirmado de violência doméstica/intrafamiliar, sexual, autoprovocada, tráfico de pessoas, trabalho escravo, trabalho infantil, tortura, intervenção legal e violências homofóbicas contra as mulheres e homens em todas as idades. No caso de violência extrafamiliar/comunitária, serão objetos de notificação as violências contra crianças, adolescentes, mulheres, pessoas idosas, pessoa com deficiência, indígenas e população LGBT. A notificação deve ser preenchida em 02 (duas) vias: uma via fica na unidade notificadora, e a outra deve ser encaminhada ao setor municipal responsável pela Vigilância Epidemiológica para digitação e consolidação dos dados. Para subsidiar os profissionais que atuam nas unidades/serviços notificadores de modo a obter um preenchimento mais padronizado da ficha de notificação, a partir de um conjunto de variáveis e categorias, o MS elaborou um instrutivo com orientações referente a cada campo. O preenchimento adequado da ficha é fundamental para a qualificação da informação.

A proporção de notificações de violência interpessoal/autoprovocada com o campo raça/cor preenchido com informação válida (raça/cor diferente de ignorado/branco) é indicador do Programa de Qualificação das Ações de Vigilância em Saúde-PQA-VS definido através da Portaria nº 1.520, de 30 de maio de 2018 e tem como meta 95% das notificações com o referido campo com informação válida. Esta variável deve seguir o padrão de autoatribuição e classificação estabelecido pelo IBGE, ou seja, a pessoa atendida/vítima é quem declara a sua raça/cor; quando se tratar de criança, considerar a informação do familiar, responsável ou acompanhante. A informação raça/cor é uma das variáveis utilizadas como proxi para avaliação das desigualdades sociais e é um dado que pode orientar as intervenções nas populações específicas.

 

2009 a 2019 – Indicadores de Doenças Externas

2006 – 2018 – Óbitos por violência interpessoal (agressão) por faixa etária, Bahia