Doença Exantemáticas e Síndrome de Rubéola Congênita

Apresentação

O sarampo teve a sua transmissão endêmica interrompida no Brasil desde o ano 2000. A região das Américas está livre da circulação do vírus endêmico do sarampo, porém vem recebendo casos importados de outras regiões do mundo onde a doença mantém comportamento epidêmico, a exemplo da Europa.

No Brasil, o último surto de sarampo ocorreu no estado do Ceará, persistindo a circulação viral por 20 meses, tendo sido interrompida em julho de 2015. A Organização Pan Americana de Saúde (Opas) declarou a eliminação da rubéola e da síndrome da rubéola congênita nas Américas em abril de 2015, e a eliminação do sarampo em setembro de 2016, não havendo mais evidência de transmissão endêmica dessas doenças nessa região nos últimos cinco anos.

Na Bahia, os maiores desafios para a sustentabilidade do processo de eliminação endêmica dos vírus do sarampo e rubéola se referem à melhoria da sensibilidade do sistema de notificação para captação dos casos suspeitos; a melhoria da qualidade da vigilância, com a garantia da oportunidade das ações de investigação, coleta e bloqueio vacinal, além da manutenção de elevadas e homogêneas coberturas vacinais.

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmissível e extremamente contagiosa, caracterizada por febre alta, acima de 38,5°C, exantema máculo-papular generalizado, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik (pequenos pontos brancos na mucosa bucal, antecedendo o exantema).

O vírus do sarampo pertence ao gênero Morbillivirus, família Paramyxoviridae. A doença tem um período de incubação geralmente de 10 dias (variando de 7 a 18 dias), desde a data da exposição até o aparecimento da febre, e cerca de 14 dias até o início do exantema. O período de transmissibilidade é de 4 a 6 dias antes do aparecimento do exantema, até 4 dias após. A maior transmissibilidade ocorre 2 dias antes e 2 dias após o início do exantema. A trnsamissão se dá através das secreções nasofaríngeas, expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar.

A rubéola é uma doença exantemática benigna de etiologia viral de alta contagiosidade, acometendo principalmente crianças. Sua importância epidemiológica está relacionada ao risco de abortos, natimortos e malformações congênitas quando a infecção ocorre durante a gestação. O quadro clínico é caracterizado por exantema róseo máculo-papular, febre baixa e linfoadenopatia retro-auricular, occipital e cervical posterior, geralmente antecedendo ao exantema no período de 5 a 10 dias, podendo perdurar por algumas semanas.

O vírus da rubéola pertence ao gênero Rubivírus, família Togaviridae. A rubéola é transmitida de pessoa a pessoa través de contato direto com gotículas de secreções nasofaríngeas de pessoas infectadas. O período de incubação varia de 14 a 21 dias, durando em média 17 dias e o de transmissibilidade é de aproximadamente 5 a 7 dias antes do início do exantema e de 5 a 7 dias após.

A síndrome da rubéola congênita (SRC) é uma importante complicação da infecção pelo vírus da rubéola durante a gestação, principalmente no primeiro trimestre, podendo comprometer o desenvolvimento do feto e causar aborto, morte fetal e anomalias congênitas: catarata, glaucoma, cardiopatia (persistência do canal arterial, estenose aórtica, estenose pulmonar), microftalmia, microcefalia, menigoencefalite, surdez, retardo mental, retinopatia, etc.

Recém-nascidos com SRC podem excretar o vírus da rubéola nos primeiros meses de vida por meio de objetos contaminados pelas secreções nasofaríngeas, sangue, urina e fezes por longos períodos. A prematuridade e o baixo peso ao nascer estão, também, associados à rubéola congênita. A presença de anticorpos IgM específicos para rubéola no sangue do recém-nascido, é evidência de infecção congênita, uma vez que os anticorpos IgM maternos não ultrapassam a barreira placentária.

Caso suspeito de sarampo – todo paciente que , independente da idade e da situação vacinal, apresentar febre e exantema maculopapular, acompanhados de um ou mais dos seguintes sinais e sintomas: tosse/ou coriza e/ou conjuntivite; ou todo indivíduo suspeito com historia de viagem ao exterior nos últimos 30 dias ou de contato, no mesmo período, com alguém que viajou ao exterior.

Caso suspeito de rubéola – todo indivíduo que apresente febre e exantema maculopapular, acompanhado de linfoadenopatia retroauricular, occipital e cervical, independente da idade e situação vacinal; ou todo indivíduo suspeito com historia de viagem ao exterior nos últimos 30 dias ou de contato, no mesmo período, com alguém que viajou ao exterior.

Caso suspeito de síndrome da rubéola congênita (SRC) – Todo recém-nascido cuja mãe foi caso suspeito ou confirmado de rubéola; todo recém-nascido cuja mãe foi contato de caso confirmado de rubéola, durante a gestação; toda criança de até 12 meses de idade, que apresente sinais clínicos compatíveis com infecção congênita pelo vírus da rubéola, independente da história materna.