Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar – DTHA

Apresentação

 

As DTHA são importantes causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo, são transmitidas pela ingestão de água e/ou alimentos contaminados. Dentre os agentes etiológicos estão os vírus, parasitos, bactérias e suas toxinas. Também podem ser causadas por toxinas naturais de plantas, fungos e substâncias químicas.

A vigilância das DTHA tem como principal objetivo recomendar medidas e ações para redução das morbimortalidades pelas doenças transmitidas por água e alimentos, reduzindo assim o impacto socioeconômico, provocado por essas doenças. Para que a vigilância ocorra de forma satisfatória é fundamental o aprimoramento na investigação epidemiológica para garantir não só a elucidação do agente etiológico envolvendo o surto, bem como, a identificação da fonte de transmissão, para que sejam desencadeadas as ações de controle.

CÓLERA

A cólera é uma doença infecciosa intestinal aguda causada pela enterotoxina do Víbrio cholerae. È de transmissão predominante hídrica. As manifestações clínicas ocorrem de formas variadas, desde infecções inaparentes ou assintomáticas até casos graves com diarréia profusa, podendo assinalar desidratação rápida, acidose e colapso circulatório, devido a grandes perdas de água e eletrólitos corporais em poucas horas, caso tais perdas não sejam restabelecidas.

FEBRE TIFOIDE(FT)

A febre tifóide é uma doença bacteriana aguda de distribuição mundial. È causada pela Salmonella entérica sorotipo Typhi. Está associada a baixos níveis socioeconômicos, relacionando-se, principalmente, com precárias condições de saneamento e de higiene pessoal e ambiental.

DOENÇAS DIARREICAS AGUDAS

A Vigilância Epidemiológica das Doenças Diarréicas Agudas(DDA), regulamentada pela Portaria nº 205 de 17 de fevereiro de 2016, é composta pela Monitorização das Doenças Diarréicas Agudas –MDDA. Todo surto de DDA, seja de transmissão hídrica e alimentar, direta ou indireta é de notificação imediata e compulsória no Sistema de Informação de Agravos de Notificação-Sinan.
Entre as doenças de transmissão hídrica e alimentar (DTHA), destaca-se a doença diarréica aguda (DDA), que é uma síndrome causada por diferentes agentes etiológicos (bactérias, vírus e parasitos), cuja manifestação predominantemente é o aumento do número de evacuações, com fezes aquosas ou de pouca consistência. Os agentes mais freqüentes são de origem bacteriana e virais, por exemplo, Salmonella spp. Escherichia coli, Staphylococcus aureus, Rotavírus, Norovírus e Adenovírus.

ROTAVÍRUS / NOROVÌRUS

Rotavirus é um género de vírus de RNA bicatenário da família Reoviridae. É umas das principais causas de diarreia grave em lactentes e crianças jovens, e é um do diversos vírus que causam infeções comumente chamadas de gastroenterite e óbitos em crianças menores de 5 anos, em todo o mundo. A maioria das crianças se infecta nos primeiros anos de vida, porém os casos mais graves ocorrem principalmente em crianças até 2 anos de idade.
Há uma vacina constituída por vírus vivos atenuados, que protege contra as gastroenterites causadas pelo rotavírus. Sua aplicação é via oral, em duas doses. A vacina é indicada para prevenção de gastroenterites graves por esse tipo de vírus, mas não protege contra diarreia causada por outros agentes.

DOENÇAS DE TRANSMISSÃO ALIMENTAR (DTA)

Vários são os fatores que contribuem para a ocorrência das Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) entre os quais destacam-se: o crescente aumento das populações; a existência de grupos populacionais vulneráveis; o processo de urbanização desordenado e produção de alimentos em grande escala. Acrescenta-se ainda para o aumento da incidência de DTA, a maior exposição das populações a alimentos destinados ao pronto consumo coletivo – fast-foods.
As ocorrências das DTA, infecções ou intoxicações podem se apresentar de forma crônica ou aguda, com características de surto ou de casos isolados, com distribuição localizada ou disseminadas e com formas clínicas diversas.

BOTULISMO

Botulismo é uma doença não contagiosa, resultante da ação de uma potente neuro toxina. Apresenta-se sob três formas: botulismo alimentar, botulismo por ferimentos e botulismo intestinal. O local de produção da toxina botulínica é diferente em cada uma dessas formas, porém todas se caracterizam clinicamente por manifestações neurológicas e/ou gastrintestinais, podendo ter evolução grave, com necessidade de hospitalização prolongada.

DOENÇA CREUTZFELDT JACOB (DCJ)

É uma Encefalopatia Espongiforme Transmissível (desordem cerebral degenerativa) rara e fatal caracterizada por rápida neurodegeneração incapacitante com movimentos involuntários. Afeta um em cada milhão de habitantes por ano, geralmente começa entre 50 a 70 anos e 90% morrem em menos de 1 ano. O paciente típico com DCJ desenvolve uma demência progressiva rapidamente associada com sinais neurológicos multifocais, ataxia e mioclonias ficando muda e imóvel na fase terminal. Nos bovinos é conhecida como “Doença da Vaca Louca’’. São chamadas assim por causa do seu poder de transmissibilidade e devido às suas características neuropatológicas, provocando alterações espongiformes (cérebro com aspectos esponjosos).
O agente etiológico responsável pela Doença de Creutzfeldt-Jakob, é uma partícula proteinácea infectante denominada ‘‘príon” (em inglês: proteinaceous infections particles) e por isso as EET são também conhecidas como doenças do príon ou priônicas.

INSUMOS ESTRATÉGICOS

O Hipoclorito a 2,5% é disponibilizado para o estado pela UVHA/MS. Esse produto deve ter uso exclusivo para desinfecção de água para uso e consumo humano reduzindo as chances de contaminação por vírus, parasitas e bactérias causadores de diarreia, hepatite A e cólera

 

Diretriz para atuação em situações de surtos de doenças e agravos de veiculação hídrica