Processo de Doação/Transplantes

O processo de Doação/Transplantes é composto por uma série de etapas sequenciais que visam garantir a segurança e transparência do mesmo. Sendo considerado, portanto, um processo complexo que envolve dezenas de profissionais.

O processo inicia com a identificação de um potencial doador que se encontram nas unidades hospitalares, geralmente estão em emergências ou unidades de terapia intensiva. Após criteriosa etapa de exames e avaliações, preconizados pelo conselho federal de medicina através da resolução N° 1480/97 é efetuado o diagnóstico de morte encefálica. Confirmada a morte encefálica os familiares são informados sobre o óbito do paciente e uma equipe especializada e teimada, presta apoio emocional à família e oferece a possibilidade de doação de órgãos e tecidos, familiares relatam que o ato da doação os ajudou a vivenciar a perda e o luto de uma forma mais saudável e menos sofrida.

Com o consentimento familiar procede-se a retirada dos órgãos e tecidos doados. A retirada de órgãos e tecidos doados é realizada por equipes treinadas e habilitadas pelo Sistema Nacional de Transplantes / Ministério da Saúde.

A distribuição dos órgãos e tecidos para transplantes é feita entre os pacientes previamente inscritos através de um programa informatizado do Ministério da Saúde ( Sistema de Gerenciamento de Lista) . Essa inscrição é realizada pelo próprio médico ou equipe de transplante que acompanha o paciente.

A alocação (posição) dos pacientes para receber os órgãos doados depende dos critérios estabelecidos na legislação de transplante para cada tipo de enxerto: para o fígado se estabelece o critério de gravidade da doença, que é calculado a partir de exames laboratoriais específicos pelo próprio sistema; para o coração, o pulmão, o pâncreas e as córneas o critério é cronológico (tempo de lista), já para o transplante renal utiliza-se de critérios imunológicos (HLA). Os receptores listados concorrem aos órgãos doados no estado que ele se inscreveu, podendo receber órgãos de outros Estados nos casos de urgência.

Não é permitida a inscrição de um mesmo receptor em mais de um Estado simultaneamente, porém é dado ao paciente o direito de solicitar transferência de um estado para o outro sempre que desejar, sem prejuízos de pontuação.
Os órgãos retirados são encaminhados para os centros transplantadores para ser efetuado o transplantes dos receptores selecionados.

O transplante de órgãos ou tecido é uma terapêutica eficaz e indicada para pessoas que tenham doenças as quais não respondam mais a outros tratamentos. Sendo assim, o transplante é a última alternativa terapêutica para pessoas que tiveram a perda da funcionalidade de um órgão ou tecido.

Detectada a necessidade de um transplante o paciente deve ser encaminhado para um médico especialista devidamente credenciado pelo Ministério da Saúde para avaliar a necessidade do transplante (médico transplantador). Após exames específicos, se constatada a real necessidade de transplante o médico lista o paciente no Sistema de Lista Única.

Vale salientar que nem todo paciente portador de uma patologia grave que acarreta a perda de função de um ou mais órgãos tem indicação de tratamento através do transplante, por isso a importância de uma avaliação criteriosa feita por um profissional especialista no assunto.

O que faz do transplante de órgãos uma terapêutica diferenciada é que além do paciente e da equipe médica, está envolvida no processo um doador, existe dois tipos de doadores:

Doador vivo: a doação de órgãos intervivos só é permitida pela legislação brasileira para maiores de idade, que possam declarar por escrito a intenção de doar, podendo ter parentesco até quarto gral ou ser cônjuge do receptor. Nos casos de não parentesco, apenas com autorização judicial.
Os órgãos que podem ser doados em vida são: parte do fígado ou pulmão e um rim.
Tecido que pode ser doado em vida: Medula óssea

Doador falecido em morte encefálica: a morte encefálica é definida como a parada total e irreversível das funções encefálicas, mas que mantêm os batimentos cardíacos e a pressão sanguínea de forma artificial (por meio de aparelhos) e temporária. Nesta condição podem ser doados múltiplos órgãos (coração, pulmão, rins, fígado, pâncreas e intestino) e tecidos (pele, córnea e osso).

Doador falecido com coração parado: A doação é feita após a parada do coração e nestes casos pode-se doar córnea, pele e osso.